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Correio Braziliense

Atletas do time de basquete adaptado de Planaltina são exemplo de superação

Equipe de basquete adaptado de Planaltina conquista vaga na primeira divisão da modalidade no país e conta com histórias de superação marcadas pela ação do esporte


postado em 05/04/2018 06:00 / atualizado em 04/04/2018 23:08

Integrantes do Candangos, equipe que representa Brasília no campeonato nacional da modalidade(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Integrantes do Candangos, equipe que representa Brasília no campeonato nacional da modalidade (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)


Planaltina, além de ser um dos berços do Distrito Federal e possuir tradição religiosa e cultural, tem se destacado no cenário esportivo, principalmente no esporte adaptado. No Centro de Ensino Especial 01 (CEE 1), localizado no centro da cidade centenária, uma equipe de basquetebol em cadeira de rodas trouxe orgulho para a capital por estar entre as 12 melhores do Brasil na modalidade. Entre histórias tristes, mas de luta, o esporte é uma esperança na vida de vários alunos e ex-alunos com deficiência, que, com muito treino e esforço, tornaram-se atletas profissionais.

Mesmo com pouca popularidade e divulgação da modalidade esportiva, a ideia de montar o time surgiu do esforço do atual técnico da equipe e diretor do CEE 1, Enilson Antônio, 52 anos. Para ele, que foi campeão na Guatemala e no México treinando a seleção feminina de basquete em cadeira de rodas, ver a história de superação de cada atleta foi a motivação principal para a criação do projeto na escola de Planaltina.

Após assumir a equipe do Candangos, Enilson destaca que a relação com os jogadores tornou-se muito próxima. “O esporte foi a mola-mestre para incluí-los na sociedade. Então, acompanhando todas essas lições de vida, criei uma relação quase de pai para filho ou de irmão para irmão com eles”, conta.

Muitos jogadores foram feridos por arma de fogo e se tornaram paraplégicos, como é o caso do capitão do time, Alan Sousa, 29. Outros nasceram com a deficiência, caso de Daniel Carvalho, 22, que tem mielomeningocele, malformação congênita da coluna vertebral.

Única mulher no time, Adrielly Ragel, 20 anos, estampa o sorriso no rosto, faz piadas e se destaca entre os rapazes na quadra. A história dela também vem acompanhada de uma trajetória de superação e busca por independência. Adrielly, que hoje figura entre as melhores atletas paralímpicas do Brasil, perdeu a mãe e o irmão em um acidente de carro na BR-020 e teve as pernas amputadas. Com isso, precisou ter autonomia para construir uma vida sozinha, e o basquete foi essencial nessa trajetória de luta. “Aprendi a superar o que eu passei e, com o basquetebol, aprendi muito”, diz.

Para Enilson, este é o principal poder do esporte: mudar vidas. “Os títulos dentro de quadra são ótimos, mas o que motiva mesmo é a construção do caráter deles fora de quadra. De repente, o basquete pega uma pessoa desacreditada e a fortalece no mundo. Alguns estavam com a vida comprometida, o basquete veio e resgatou”, diz.

Desafios

A falta de apoio é um dos principais desafios para o Candangos. Alan Sousa considera que os atletas brasilienses, hoje, não conseguem ter uma renda para viver do esporte. “A maioria aqui estuda e trabalha de manhã e à tarde e treina à noite, o basquete fica em segundo plano. As equipes de São Paulo, por exemplo, treinam de manhã e à noite cinco dias por semana. Falta uma visão para o esporte no DF”, desabafa.

Outro problema está na perda de talentos do time. O técnico Enilson relata que as equipes do país inteiro costumam preparar o jogador desde pequeno, mas, quando os esportistas estão em um nível elevado, acabam recebendo propostas dos times paulistas. “Não temos recursos para segurar nossos atletas aqui, mas os principais nomes do basquetebol adaptado de São Paulo foram formados em Planaltina. É muito triste perdê-los”, lamenta.

Expectativas

A equipe Candangos, criada em 2014, começou na quarta divisão do basquete em cadeira de rodas no país, mas foi campeã da disputa distrital logo na estreia. A cada ano, a equipe conseguiu subir um nível no panorama nacional. Em 2017, o time chegou à primeira divisão depois de conquistar o torneio da série B invicto, na capital paulista. Em meio a tantas conquistas, o professor de educação física Marcos Faria, 26 anos, auxiliar-técnico do Candangos, enfatiza que o trabalho não para. “Esporte de alto rendimento é sinônimo de treino e de repetição”, completa.

A expectativa do time para 2018 é jogar o torneio distrital, o qual foi conquistado pelo Candangos nos últimos três anos. Além disso, a equipe do Candangos está ansiosa para disputar o campeonato brasileiro, que deve ocorrer em dezembro, quando o time estreia na primeira divisão.

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