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Correio Braziliense

STJ nega pedido de soltura de quatro padres e dois empresários de Formosa

Além dos clérigos e dos dois empresários, estão presos o bispo do município e um juiz eclesiástico de São Paulo


postado em 05/04/2018 16:22 / atualizado em 05/04/2018 22:08

O vigário-geral, monsenhor Epitácio Cardozo, chega ao Ministério Público de Goiás em Formosa após depoimento(foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press)
O vigário-geral, monsenhor Epitácio Cardozo, chega ao Ministério Público de Goiás em Formosa após depoimento (foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press)
 

O Superior Tribunal de Justiça negou o pedido de habeas corpus do defensores dos padres e empresários presos em Formosa (GO) durante a Operação Caifás. A investigação do Ministério Público de Goiás e da Polícia Civil do estado desmontaram um esquema de desvio de dinheiro da diocese do município e paróquias adjacentes.

O pedido de soltura foi feito em benefício do vigário-geral de Formosa, monsenhor Epitácio Cardozo Pereira, segundo na hierarquia da diocese de Formosa, do pároco da Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Formosa, Moacyr Santana, do padre responsável pela Paróquia São José Operário, também no município, Mário Vieira de Brito, e de Waldson José de Melo, pároco da Paróquia Sagrada Família, em Posse (GO).

Os empresários Antônio Rubens Ferreira e Pedro Henrique Costa Augusto, apontados como laranjas do padre Moacyr e acusados de lavagem de dinheiro também se beneficiariam do habeas corpus. No fim da tarde desta quinta-feira (5/4), o Supremo Tribunal Federal (STF) também negou pedido de habeas corpus da defesa.

Ponto de vista da defesa

Um dos advogados dos padres, Bruno Opa, conversou com a reportagem. Ele disse que a negativa já era esperada, mas se queixou da condição dos clérigos investigados e presos. “Somos cinco advogados em uma luta de Davi contra Golias. Estamos enfrentando uma instituição poderosa. Acreditamos que, depois da vida, a liberdade é, talvez da vida, um dos princípios mais valorosos que temos e restringí-la deveria ser o último caso”, argumentou.

“Que risco, padres entre 50 e 70 anos podem oferecer ao processo penal? A gente acha isso contrário à lei. Eles estão abalados. São religiosos, não bandidos. Estão criando um juízo de valor sem que se chegue a uma verdade final. Nós não temos medo da instrução processual, que é quando podemos apresentar a nossa defesa.

Além deles, já entraram com pedido de habeas corpus o advogado do bispo de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro e do juiz eclesiástico Thiago Wenceslau. Eles também tiveram o pedido negado na Justiça Goiana, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, onde já entraram com o recurso uma segunda vez.

Saiba quem é quem entre os indiciados na Operação Caifás:

Dom José Ronaldo Ribeiro, bispo de Formosa
Apontado como líder da quadrilha e preso desde 19 de março, responderá por 10 acusações de apropriação indébita qualificada (por estar no exercício do ofício enquanto cometia os crimes); por falsidade ideológica; e por associação criminosa (antiga formação de quadrilha).

Epitácio Cardozo Pereira, vigário-geral
Segundo na hierarquia da diocese de Formosa, também preso na Operação Caifás, responderá por apropriação indébita qualificada (falta tipificar o número de vezes que teria cometido o crime) e associação criminosa. Na casa dele, a Polícia Civil de Goiás apreendeu mais de R$ 70 mil em dinheiro, relógios de luxo e equipamentos eletrônicos em um fundo falso no guarda roupas.

Moacyr Santana, padre
Pároco da Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Formosa, também preso, responderá por apropriação indébita qualificada pelo fato de cometer crime no exercício do ofício, por lavagem de dinheiro e por associação criminosa. O MPGO encontrou o nome do sacerdote em notas promissórias que o ligariam a uma casa lotérica  em Posse (GO).

Mário Vieira de Brito, padre
O pároco da Paróquia São José Operário, em Formosa, que também continua preso, responderá por apropriação indébita com a mesma qualificadora dos anteriores, além de ser acusado de falsidade ideológica e associação para o crime. Ele foi flagrado em escutas telefônicas comemorando, com Moacyr, a chegada de um juiz eclesiástico, para intimidar sacerdotes contrários ao esquema, segundo o MPGO.

Waldson José de Melo, padre
Pároco da Paróquia Sagrada Família, em Posse, responderá duas vezes por apropriação indébita qualificada, além de associação criminosa. Continua preso.

Thiago Wenceslau de Barros Barbosa Júnior, padre
Juiz eclesiástico, responderá por falsidade ideológica e associação para o crime. Ainda é suspeito de receber dinheiro para intimidar padres que denunciaram o golpe  e de participar da falsificação de um documento que apresentava auditoria nas contas da diocese. Está preso de segunda-feira.

Antônio Rubens Ferreira, empresário
Preso com os religiosos, responde por lavagem de dinheiro. Emprestaria o nome e documentos para a compra de bens móveis e imóveis. É apontado como laranja de Moacyr.

Pedro Henrique Costa Augusto, empresário
Preso com os religiosos, responde por lavagem de dinheiro. Emprestaria o nome e documentos para a compra de bens móveis e imóveis. Também  apontado como laranja de Moacyr.

Guilherme Frederico Magalhães, secretário da Cúria de Formosa
Preso segunda-feira, ganhou a liberdade ontem, mas responderá por apropriação indébita qualificada e associação criminosa.

Darcivan da Conceição Sarracena, funcionário da diocese de Formosa
Responderá, também em liberdade, por falsidade ideológica e associação criminosa.

Edimundo da Silva Borges Júnior, advogado da diocese
É outro que responderá em liberdade. Pesam contra ele as acusações de falsidade ideológica e associação criminosa.

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