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Correio Braziliense

Obstetra brasiliense vira ré por homicídio culposo em caso de morte de bebê

Esse é o segundo processo contra Caren Vanessa Cupertino relacionado à morte de um bebê. Ela também responde por lesão corporal grave em um parto domiciliar


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A médica obstetra Caren Vanessa Cupertino virou ré em um processo criminal por homicídio culposo, pela morte de um bebê na Maternidade Brasília em abril de 2014. A Justiça brasiliense aceitou a denúncia da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-vida) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Consta na acusação que ela teria sido negligente durante o parto. 


Esse é o segundo processo contra a obstetra relacionado à morte de um bebê. A Justiça já aceitou outra denúncia, referente a um parto domiciliar em 2017, e há, ainda, uma acusação de lesão corporal grave, falsidade ideológica e periclitação da vida e da saúde, de 2015, em que um recém-nascido ficou com sequelas também durante um procedimento na casa de uma cliente. Nesse último, além de Caren, respondem uma doula e uma enfermeira.

De acordo com a denúncia mais recente oferecida pelo MPDFT, Caren optou “de forma consciente, por prestar um atendimento negligente e, durante as mais de dez horas em que a parturiente esteve sob a sua responsabilidade, não registrou no prontuário médico uma única informação sobre as condições da mãe e do feto, nem sobre a evolução do trabalho de parto, bem como não elaborou o partograma de sua paciente, agindo em total desacordo com os protocolos consagrados da Obstetrícia e violando as regras técnicas de sua profissão”.

Conforme divulgado pelo órgão, a grávida deu entrada na maternidade às 10h, com 40 semanas de gestação, sentindo as contrações, com 5cm de dilatação, perda de líquidos e acompanhada da ré. Às 20h32, a bebê, do sexo feminino, nasceu sem sinais vitais e coberta por mecônio. A equipe da obstetra ainda tentou ressuscitar a recém-nascida, mas não obteve sucesso.

Consta no processo, ainda, que o coração do feto foi monitorado por equipamentos, mas, em um dado momento, os pais pararam de ouví-lo. Questionada, ela teria respondido que era “normal”. Outro detalhe é que Caren deixou de fazer diversas anotações sobre as condições físicas da paciente e do feto e a respeito dos procedimentos no prontuário durante as horas que se seguiram após a internação.

De acordo com a nota divulgada pelo MPDFT sobre o caso, “a médica deveria ter realizado o registro periódico das condições da mãe e do feto e elaborado o partograma da paciente”. O documento seria fundamental para registrar a evolução do trabalho de parto. Além disso, para os promotores da Pró-vida, a médica não soube diagnosticar a “evolução anômala do parto”, o que seria fundamental para impedir o sofrimento e a morte do feto.

A defesa da médica respondeu por meio de nota. "É com surpresa que Caren Cupertino recebe a notícia, uma vez que ela foi absolvida pelo Conselho Regional de Medicina a respeito desses fatos e jamais foi intimada para prestar esclarecimentos perante o Ministério Público para esclarecer tais fatos", informa o texto.

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