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Correio Braziliense

Justiça decide destino do Jardim Zoológico após morte de animais

Na audiência entre a fundação e ambientalistas, o juiz Carlos Frederico Maroja pode até decidir pelo fechamento temporário


postado em 09/04/2018 06:10 / atualizado em 09/04/2018 00:02

Direção do Zoo diz que está tomando providências para os problemas(foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
Direção do Zoo diz que está tomando providências para os problemas (foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)

A fundação Jardim Zoológico de Brasília enfrenta um dos momentos mais delicados desde a inauguração, em 1957. A repercussão negativa da morte de três mamíferos — um elefante, uma girafa e um ádax — em apenas três meses, chegou à Justiça. Hoje, às 14h, o diretor do Zoo, Gerson Norberto, vai detalhar a situação da instituição, que recebe, mensalmente, 42 mil pessoas. Na audiência entre a fundação e ambientalistas, o juiz Carlos Frederico Maroja pode até decidir pelo fechamento temporário.

Além da reunião no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), provocada por ação popular, a instituição acumula quatro processos: três inquéritos civis públicos no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e uma investigação na Delegacia Especial do Meio Ambiente (Dema), referente à morte do elefante Babu, em 7 de janeiro. O caso foi levado ao âmbito criminal já que a suspeita é de que o animal tenha sido envenenado. Nos exames foram encontradas substâncias tóxicas e externas, como chumbo, arsênio, mercúrio e elementos cumarínicos. A confirmação do motivo da morte estava programada para sair em março, porém, a direção do Zoológico afirmou que aguarda um dos laudos para concluir a perícia.

Após a suspeita, agravada por outras duas mortes, o tema da segurança virou o foco. De acordo com a fundação, três das 14 câmeras em funcionamento foram remanejadas para as áreas de recinto e houve mudança de protocolo na atuação dos 76 vigilantes. “Há um processo licitatório em andamento para a locação de 160 câmeras, não só voltadas aos animais, mas também a toda a área do Zoológico. Paralelamente, recebemos a doação, junto à Receita Federal, de 39 câmeras, que aguardam o andamento do processo para serem instaladas”, afirma Gerson.

O diretor diz que o grande problema da instituição é a dificuldade de tocar projetos de modernização. Segundo ele, a burocracia e a falta de equipe de arquitetura e engenharia civil na instituição acabam sendo impasses. “Os recintos de Brasília mantêm atraso arquitetônico que prioriza a visualização do visitante, quando o foco é a qualidade de vida do animal.”

Entre as mudanças estruturais estudadas pela fundação está a substituição das grades por vidros nos recintos. “Fica mais silencioso, mais confortável e mais seguro para o animal, além de impedir que o visitante jogue pedra ou alimentos inadequados”, explica. Projetos pilotos começaram a ser implementados no local. Na área onde fica o rinoceronte Thor, por exemplo, instalaram-se placas de vidro. 

Um sistema que monitora parâmetros ambientais como temperatura, umidade e ruídos também foi instalado. Os dados levantados pelos equipamentos vão ajudar a definir as prioridades de investimentos. Outro objetivo da fundação é atingir a autossuficiência. Atualmente, apenas 16% do orçamento vem de arrecadação própria. A gestão precisa contar, em média, com R$ 17 milhões de verba anual do governo. Para diminuir a dependência é necessário receber mais visitantes.

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