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Correio Braziliense

Ministério da Cultura promete Biblioteca Demonstrativa até o fim do ano

A nova previsão vem após uma série de adiamentos. Da última vez que o órgão se manifestou a respeito, a expectativa era que a instituição voltasse a funcionar no primeiro semestre de 2017


postado em 09/04/2018 20:42 / atualizado em 09/04/2018 20:42

O estabelecimento, braço da Fundação Biblioteca Nacional, na capital desde 1970, está fechado desde 6 de maio de 2014, após uma vistoria da Defesa Civil(foto: Antônio Cunha/CB/D.A Press)
O estabelecimento, braço da Fundação Biblioteca Nacional, na capital desde 1970, está fechado desde 6 de maio de 2014, após uma vistoria da Defesa Civil (foto: Antônio Cunha/CB/D.A Press)
 

Até o fim de novembro, o Ministério da Cultura (Minc) espera reinaugurar a Biblioteca Demonstrativa de Brasília Maria Conceição Moreira Salles (BDB). O processo licitatório para contratação da empresa que realizará a obra termina no fim deste mês. Os trabalhos custarão R$ 2,6 milhões. A nova previsão vem após uma série de adiamentos. Da última vez que o órgão se manifestou a respeito, a expectativa era de que a instituição voltasse a funcionar no primeiro semestre de 2017, o que não se cumpriu.

O estabelecimento, braço da Fundação Biblioteca Nacional, na capital desde 1970, está fechado desde 6 de maio de 2014, após uma vistoria da Defesa Civil que encontrou diversos problemas estruturais no prédio, na 506/507 Sul. Segundo o diretor do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Minc, Guilherme Relvas, no entanto, a reinauguração da biblioteca é uma das prioridades da pasta. “Tivemos um problema com a empresa contratada para o projeto executivo”, explica.

A empresa em questão foi contratada em 2016, dois anos após o fechamento. De acordo com Relvas, a empresa deveria redesenhar o uso dos espaços da biblioteca, mas entregou o projeto sem atender as necessidades exigidas pelo ministério, e foi obrigada a refazer todo o planejamento. Até o fim de abril, termina o processo licitatório que contratará uma empresa para a execução da obra. Além disso, em paralelo, o Minc está adquirindo livros e outros equipamentos para modernizar a estrutura.

“A meta da atual gestão é entregar (a biblioteca) até o fim do ano. Estamos trabalhando com a infraestrutura, concepção dos espaços, retomada e inovações nos serviços prestados e aquisições para modernizar o de acervo. O ministro já disse que os serviços estão sendo retomados antes mesmo da reinauguração, com a Caravana BDB, percorrendo cidades satélites em maio, promovendo a leitura, rodas de história, atividades lúdicas, música e teatro”, afirma.

Sobre a demora, Relvas afirmou que, após as alterações exigidas pela Defesa Civil, os técnicos do ministério detectaram vários outros problemas. “Inicialmente, a Defesa Civil interditou por risco de desabamento da marquise e problemas na parte elétrica e na caixa d'água. Resolvemos, mas identificamos outros (problemas). O prédio, assim como outros do DF, funcionava sem o habite-se. Precisamos de todo um trâmite para obter o documento de liberação. O edifício não atendia nas normas de acessibilidade e segurança e para uma obra maior, precisamos contratar um processo executivo”, conta.

“Estamos trabalhando com uma agenda de prioridade, para garantir que a BDB seja entregue até o fim do ano. Enquanto isso, voltamos a atender a comunidade. O escritório de direitos autorais está aberto e promoveremos atividades culturais. É uma biblioteca que deve ser um modelo para a rede de bibliotecas do Brasil em todos os sentidos: inclusão, inovação, tecnologia e acervo. Estamos nos referenciando com estabelecimentos nacionais e internacionais”, garante.

Solução em descrédito

Antigos usuários da BDB recebem a notícia com descrença. É o caso de Mauro Mandelle, presidente da Sociedade dos Amigos da Biblioteca Demonstrativa. Segundo ele, o último contato oficial do Minc com a comunidade foi em 2016, por carta. Ele teme que, com a interdição, parte do acervo esteja danificada. “Mofo é prejudicial para os livros, bem como traças”, queixa-se.

O ceticismo de Mandelle tem justificativa. Os primeiros trabalhos de reforma do edifício, emergenciais, só ocorreram três meses após a interdição. E outros dois anos se passaram até que uma empresa fosse contratada para fazer o processo executivo, sendo que os vencedores do certame entregaram um projeto em desacordo com o que foi exigido. Somente em fevereiro deste ano o Ministério da Cultura deu início ao processo de licitação. “Entrou ministro e saiu ministro sem que tivéssemos uma solução. Só promessas. Ficamos descrentes”, afirma.

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