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Correio Braziliense

Militares são presos por vender e alugar armas para assaltantes

Um PM da reserva e um militar da aeronáutica estão presos preventivamente, acusados de vender e alugar armas para criminosos


postado em 12/04/2018 09:09 / atualizado em 12/04/2018 17:12

 

Um dos principais fornecedores de armas a criminosos do Distrito Federal, o policial militar da reserva Décio Antônio Gonçalves foi preso na segunda fase da Operação Paiol. O militar da aeronáutica Thiago Ângelo Machado também está detido. No total, são 36 mandados: dois de prisão preventiva, quatro de prisões temporárias, 18 de busca e apreensão e 12 de condução coercitiva. Durante as buscas, outras duas pessoas acabaram presas em flagrante — incluindo a mulher de Décio, que tentou fugir durante as buscas na residência do casal com uma arma tipo garrucha, que tem cano curto e só dispara uma vez. Um está foragido.

 

De acordo com a Polícia Civil, Décio Antônio Gonçalves mantinha um arsenal na casa onde morava, em Vicente Pires. Ele alugava e vendia armas, além de munições. Os principais clientes eram criminosos das cidades de Ceilândia e Samambaia. No local, foram apreendidas 16 armas de calibres 38, 765 e 45 e mais de 10 mil projéteis.

 

O delegado-chefe de 23ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), Victor Dan, é o responsável pela investigação, que durou cinco meses. "O policial tem a permissão para recarregar armas, mas não em sua residência, como estava ocorrendo. Apreendemos os artefatos, que serão analisados para confirmar se são registrados ou não", esclareceu Victor. 

 

O delegado explicou ainda que policial militar da reserva e Pedro Henrique Faria — preso na primeira fase — mantinham negócios. "Pedro mantinha o abastecimento de munições por meio de Décio, que vendia os projéteis", afirma. Cada munição saía por cerca de R$ 12. 

 

A investigação contou com a participação de 200 policiais civis. No total, desde a primeira fase da Operação Paiol, os agentes apreenderam mais de 10 mil munições, armas de calibre restrito, além de dinamites usadas para a explosão de caixa eletrônico. Na capital, os alvos foram Ceilândia, Samambaia e Vicente Pires. As apreensões também ocorreram nos municípios goianos de Anápolis, Goiânia, Jaraguá, Cidade Ocidental e Valparaíso.

 

Agora, o objetivo da operação é descobrir a procedência dos materiais coletados. "Teremos uma terceira fase, que identificará de onde as armas vieram, se de dentro das corporações ou se por meio de contrabando. A última hipótese surgiu na primeira fase, quando observamos que Pedro viajou nos últimos meses para o Paraguai, onde pode ter conseguido os artefatos", específicou Victor Dan.


Primeira fase

A primeira etapa da Operação Paiol ocorreu em março, quando um ex-policial militar de Goiás, identificado como Pedro Henrique Freire de Santana, começou a ser investigado e acabou preso. A suspeita do delegado-chefe Victor Dan é a de que o homem conseguiu as armas com ex-colegas de serviço. Além do militar, outras 16 pessoas foram presas, e houve a apreensão de sete armas e drogas.

 

Preso em Samambaia, Pedro matinha em casa os artefatos. O ex-militar utilizava uma distribuidora de bebidas, uma loja de celulares e uma barbearia para o comércio ilegal. Ele teria fornecido o armamento para criminosos, que fizeram um roubo na QNN 10, em Ceilândia. A ação foi o pontapé da investigação. As prisões e apreensões ocorreram em Ceilândia, Planaltina e Samambaia. No total, a delegacia conseguiu confiscar mais de 100 aparelhos eletrônicos, sobretudo celulares, uma dinamite, oito armas e 70 munições.

 

Se condenados, os suspeitos responderão por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, tráfico de armas restritivas e não restritivas, corrupção de menores, associação criminosa e por crimes contra o patrimônio. 

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