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Correio Braziliense

Justiça bloqueia bens de acusados de desviar dinheiro de igrejas do Entorno

Entre os bens bloqueados estão imóveis e R$ 9 milhões em contas bancárias


postado em 13/04/2018 12:14 / atualizado em 13/04/2018 19:47

O bispo José Ronaldo Ribeiro, um dos acusados de integrar o esquema fraudulento(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
O bispo José Ronaldo Ribeiro, um dos acusados de integrar o esquema fraudulento (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

A Justiça de Goiás determinou o bloqueio e sequestro dos bens dos membros da Igreja Católica e empresários presos na Operação Caifás, que desarticulou um esquema milionário de desvio de dinheiro de igrejas do Entorno do Distrito Federal. O magistrado Fernando Oliveira Samuel expediu o ofício determinando as buscas e o bloqueio de imóveis adquiridos pelos suspeitos atendendo pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO). O objetivo é facilitar um eventual ressarcimento aos prejudicados pelo esquema fraudulento. Além dos imóveis, a 2ª Vara Criminal de Formosa autorizou a quebra do sigilo bancário e a penhora on-line das contas, no limite de R$ 1 milhão para cada um dos nove denunciados.

Os documentos foram expedidos para os cartórios das cidades de Posse (GO) e Formosa (GO). Entretanto, as buscas podem se estender a outros estados. O Correio teve acesso a documentos que indicam que os religiosos têm propriedades além do território goiano. O monsenhor Moacyr Santana, por exemplo, teria dois imóveis na cidade de Santo Anastácio, no interior de São Paulo.



Na pequena cidade de 20 mil habitantes, Moacyr teria comprado o primeiro imóvel de 240m² em 2004, a um preço de R$ 3,4 mil. Na época, ele era pároco no município de Posse (GO). Em fevereiro de 2010, comprou outra casa no mesmo conjunto habitacional ao preço de R$ 16 mil. Na ocasião, Moacyr já era padre em Planaltina de Goiás.
 
A reportagem entrou em contato com o MPGO na manhã desta sexta-feira para saber se os imóveis em nome de Moacyr no interior de São Paulo estão bloqueados. Um dos promotores à frente da investigação, Douglas Chegury, comunicou que, a princípio, as buscas estavam restritas a Goiás, mas que, a partir da informação levantada pelo Correio, as buscas podem se estender para outras unidades da Federação.

No fim da tarde, o MPGO informou que vão oficiar o cartório do interior de São Paulo onde constam os imóveis apresentados pelo Correio.



 

Envolvidos permanecem presos 

São alvo da decisão judicial sobre bloqueio de bens: o Monsenhor Epitácio Cardozo Pereira; o bispo José Ronaldo Ribeiro; os padres Moacyr Santana, Mário Vieira de Brito e Waldson José de Melo; e os empresários Pedro Henrique Costa Augusto e Antônio Rubens Ferreira; e o secretário da Cúria, Guilherme Frederico Guimarães.
 
Guilherme é o único que responde ao processo em liberdade, porque está colaborando com a Justiça. Os demais continuam presos preventivamente, embora suas defesas já tenham impetrado inúmeros habeas corpus em distintas instâncias judiciais. De acordo com o cartório de Formosa, apenas o monsenhor Epitácio Cardozo tem bens imóveis registramos na cidade. 
 

Relembre o caso

O bispo dom José Ronaldo Ribeiro, quatro padres e o vigário-geral de Formosa deram um prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres da Igreja Católica em Formosa (GO), segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO). Dinheiro desviado de dízimos, doações, taxas de celebrações e usado na compra de uma fazenda de gado e uma casa lotérica, entre outros bens, de acordo com as denúncias de fiéis e de padres que não faziam parte do esquema.
 
Policiais civis e militares prenderam o bisco, cinco padres, dois empresários e um funcionário da Cúria, na última segunda-feira, durante a Operação Caifás. Na casa de um monsenhor, apreenderam dinheiro escondido no fundo falso do guarda-roupa, além de dezenas de relógios e aparelhos eletrônicos e importados.
 
As investigações começaram em 2015. No ano passado, fiéis denunciaram ao MPGO que as despesas da casa episcopal de Formosa, onde o bispo mora, passaram de R$ 5 mil para R$ 35 mil. Todos negam o envolvimento no caso. Na sexta-feira, a Justiça converteu a prisão temporária em preventiva, que não tem prazo.

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