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Correio Braziliense

Reitoria da UnB continua ocupada por estudantes, que pedem fim dos cortes

Grupo exige uma audiência pública para esclarecer as contas da instituição, mas MEC diz ser necessário uma auditoria, que não tem prazo nem verba


postado em 14/04/2018 08:00 / atualizado em 13/04/2018 22:34

Barricadas com contêiner de lixo impedem o acesso ao estacionamento da Reitoria(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
Barricadas com contêiner de lixo impedem o acesso ao estacionamento da Reitoria (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
 
O embate entre a Universidade de Brasília (UnB), o Ministério da Educação (MEC) e os alunos da instituição continua, sem sinal de desocupação da Reitoria, tomada pelos estudantes na quinta-feira. Eles cobram explicações sobre a divergência orçamentária apresentada pela administração da UnB e pelo MEC. Exigem uma audiência pública, com participação da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados.

Os estudantes tentam alinhar o discurso que será apresentado à direção da UnB na segunda-feira, quando será realizado um ato público de debate sobre as finanças da instituição. Ninguém informa a quantidade de pessoas no prédio da Reitoria. Os vigilantes não têm acesso ao edifício e a chegada e a saída de pessoas ocorrem a todo momento. Na tarde de quinta-feira (12/4), a Polícia Militar estimou cerca de 500 universitários.

Barricadas com contêiner de lixo, colocadas pelos universitários, impedem o acesso ao estacionamento da Reitoria. As rampas e a escadaria do prédio estão bloqueadas por cadeiras e bancos.

Orçamento


Segundo o MEC, os dados apresentados aos estudantes e à comunidade acadêmica pela direção da UnB são incompatíveis com os da Subsecretaria de Planejamento e Orçamento do órgão. “O orçamento global da UnB aumentou de R$ 1.667.645.015, em 2017, para R$ 1.731.410.855, em 2018. Para custeio, a universidade teve aumento de 12% no orçamento considerando todas as fontes de recursos. O MEC já liberou 60% do custeio de 2018”, afirma o ministério.

Em relação aos pedidos dos estudantes, o MEC diz ser necessário realizar uma auditoria antes de uma audiência pública. No entanto, não há previsão nem verba para tal estudo. Porém, reforça que as solicitações dos estudantes “estão em análise”. 

O chefe de gabinete da reitoria, Paulo César Marques, afirma que o orçamento apresentado pelo MEC é global e que a UnB mostrou um relatório com descontos de pagamento de pessoal, encargos sociais e benefícios. “O que está estrangulando a universidade são os investimentos de custeio. Essa soma que dá a diferença e é isso que precisamos solucionar”, aponta. Ele destaca que os representantes da UnB estão em constante contato com os estudantes e aguardam sinalização deles para uma reunião.

Uma das pautas dos alunos participantes da ocupação é contra o desligamento de terceirizados. De acordo com o coordenador do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores da UnB (Sintfub), Maurício Sabino, a categoria apoia a ocupação na Reitoria. “Faremos uma assembleia com indicativo de greve, na próxima semana, para debater as questões dos trabalhadores”, ressalta Maurício.

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