Publicidade

Correio Braziliense

Orquestra Sinfônica faz apresentação inclusiva para jovens com autismo

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro homenageia hoje o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, com apresentação gratuita e adaptada para crianças e jovens com a síndrome


postado em 14/04/2018 08:00 / atualizado em 14/04/2018 09:00

Concerto adaptado é forma de levar apresentação a públicos, que, em geral, não têm acesso a esse tipo de espetáculo (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Concerto adaptado é forma de levar apresentação a públicos, que, em geral, não têm acesso a esse tipo de espetáculo (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Em homenagem ao mês de conscientização do autismo — celebrado em 2 de abril, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro proporciona um programa diferente para crianças e jovens autistas. Hoje, a partir das 10h, no Cine Brasília, os músicos fazem um concerto inclusivo, com ajustes na iluminação e na intensidade sonora do local, para que as crianças possam aproveitar o momento sem incômodos. Pessoas com autismo são dotadas de aspectos sensoriais que fazem com que muitas sensações sejam percebidas de uma vez. Um desses traços é a hipersensibilidade à audição e à luz, que, em muitos casos, pode levar o autista ao estresse. Essa é a terceira edição do evento, que tem entrada gratuita.

Maestro regente e titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, Cláudio Cohen ressalta que o concerto é a forma de eles levarem música de qualidade a outros públicos que em geral não têm acesso a esse tipo de espetáculo ou convivem com poucas opções. “Queremos levar a mensagem da música, que é algo que conforta. Devido a uma série de restrições e exigências quase, não se tem produtos culturais para esse público. E a música é um fator importantíssimo, que traz melhorias à saúde”, reforça.

Diferentemente dos concertos tradicionais, que exigem concentração e silêncio do público, hoje as crianças poderão conversar e explorar livremente o espaço. “Durante as edições anteriores do evento, notamos que as crianças são muito receptivas e até interagem, gostam muito da música. É gratificante, porque recebemos manifestações de carinho depois da apresentação. Ganhamos muitos abraços das crianças e jovens”, comenta Cohen. Na ocasião, profissionais voluntários e capacitados estarão disponíveis para dar suporte às crianças e acompanhantes.

Antulio Ferreira da Silva, 43 anos, pai de Pedro Gabriel Ferreira Marques, 13, diagnosticado com Síndrome de Asperger aos 8 anos, aponta que iniciativas como a da Orquestra Sinfônica é de suma importância para as crianças autistas. “Existem muitas dificuldades de encontrar condições em locais de lazer para eles. Sinto falta de lugares adaptados”, frisa. Para o morador do Setor O, se houvesse mais divulgação a respeito do autismo, consequentemente, haveria mais leis para beneficiar essas pessoas. “O Concerto vai ser muito bom para as crianças e fará bem à saúde delas”, assegura.

A dona de casa Rosângela Alves, 43 anos, é mãe da pequena Júlia, 7, que foi ao concerto no ano passado. A moradora do Guará conta como ficou feliz ao ver a filha interagir e se divertir durante o evento. “O autismo dela é moderado. A Julia tem algumas dificuldades e não interage muito. Então, senti uma enorme alegria quando a vi sorrir e até brincar com as outras crianças”, recorda. Rosângela afirma que o ambiente adaptado e a música auxiliam a criança a se sentir mais à vontade. “Eventos como esse deveriam existir com mais frequência. É lindo, mas uma vez por ano é pouco. A sociedade e o governo precisam estar mais conscientizados com relação às necessidades dos autistas”, aponta.

Diagnosticada com a síndrome aos 8 anos, Amanda de Sá Paschoal, hoje com 26, defende que iniciativas inclusivas deveriam estar presente em todos os lugares. “Isso faz parte da acessibilidade, dos direitos humanos. Assim como há rampas para quem usa cadeira de rodas e Libras para surdos, deveria haver adaptações para autistas. Não é o autista que precisa se modificar para ter acesso. Se algo for um impedimento para que ele tenha acesso à atividade, a arte ou o que for, é preciso que a instituição repense a forma como ela oferece esse bem, porque não está sendo acessível”, critica.

A iniciativa

“O projeto teve início há cerca de quatro anos com um evento inclusivo na Catedral de Brasília. Repetimos o concerto e tivemos um grande público”, conta Cláudio Cohen. O maestro propôs, então, uma orquestra adaptada para o público, que em geral não tem acesso a esse tipo de evento devido às limitações que possui. “Assim nasceu o concerto todo dedicado aos autistas. Este é o terceiro ano que fazemos em abril, em comemoração ao mês da conscientização sobre o autismo.”

No repertório, além de clássicos da música popular brasileira, como Luiz Gonzaga e Raul Seixas, e da música erudita, estão presentes também trilhas sonoras de grandes sucessos do cinema, como Star Wars, Super-Homem e Batman.

* Estagiária sob a supervisão de Margareth Lourenço (especial para o Correio)


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade