Jornal Correio Braziliense

Cidades

Escolas do DF comemoram o Dia Nacional do Livro Infantil

Hoje, aniversário de Monteiro Lobato, também é o Dia Nacional do Livro Infantil. Escolas do DF têm atividades ao longo de todo o ano que levam aos alunos mais novos o universo da leitura

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Hoje, mais do que em qualquer dia, as escolas vão incentivar as crianças a mergulhar no universo da leitura com atividades especiais. A iniciativa se deve ao Dia Nacional do Livro Infantil. A data foi escolhida por ser o aniversário de Monteiro Lobato. Autor predileto de muitos leitores iniciantes, ele faz parte da alfabetização e de projetos que visam despertar a paixão pelos livros, como tantos criados por instituições de ensino de Brasília.

A Escola Parque da 308 Sul desenvolveu o Projeto Corujinha, inspirado no animal símbolo da sabedoria. Ele entrega livros semanalmente a crianças entre 4 e 5 anos. Os alunos são orientados sobre a conservação dos livros e, após a leitura, fazem um desenho que ilustre algum trecho da obra. Além disso, a escola conta com uma estante em cada sala de aula. ;Além da leitura, as atividades proporcionam interação entre os estudantes, desenvolvendo o aspecto oral e emocional das crianças;, observa Maria Valderez, diretora do Jardim de Infância da unidade.

[SAIBAMAIS]Já na Escola Classe 31 de Ceilândia, ao longo do ano, todos os estudantes têm que ir à biblioteca ao menos uma vez a cada duas semanas. ;Além da biblioteca, as crianças têm acesso à geladeira de leitura no recreio. Os livros podem ser levados para casa, mas orientamos a devolução para que outras leiam. Alguns pais trazem materiais para renovar o estoque;, ressalta a vice-diretora, Joelma Gomes.

Há ainda o Chá com Letras, projeto em que os pais participam e alguns autores de obras infantis apresentam as suas histórias. ;Os escritores, vindo até a escola, mostram que, por trás dos livros, tem seres humanos. Todos podem ser contadores de histórias;, comenta o diretor da Escola Classe 31, Francisco de Assis.

Aluna da instituição, Leticia Martins Uchoa, 10 anos, gosta de ler sobre todo tipo de assunto. ;Meu pai e eu lemos juntos. O primeiro livro que li sozinha foi A bailarina, quando tinha 7 anos. Gosto de descobrir palavras novas, faz a gente fluir bem melhor no aprendizado;, observa a menina. Já Pedro Henrique Oliveira Silva, 10, prefere ler pela internet. ;Aprendi a ler aos 5 anos. Os meus livros preferidos são sobre a vida animal. A leitura ajuda a desenvolver habilidades como falar em público e a imaginação;, opina.

Conhecimento


Professora de literatura brasileira e teoria literária, Adelaide de Paula Santos diz que o Dia Nacional do Livro Infantil deve ser visto como uma celebração ao acesso irrestrito das crianças ao conhecimento produzido e acumulado pela humanidade. ;Até o século XIII, a ideia de infância sequer existia, devido aos elevadíssimos índices de mortalidade infantil. Comemorar a produção literária feita exclusivamente para os pequenos é reafirmar a evolução da nossa humanidade;, afirma.

Adelaide de Paula pondera que, apesar das as polêmicas que envolvem a personalidade de Monteiro Lobato, é inegável a importância dele para a literatura infantojuvenil brasileira. ;A qualidade do texto de Monteiro Lobato se impõe ainda hoje. E sua fórmula autêntica com pitadas de brasilidade imprime verdade à sua produção literária. O ;era uma vez; é substituído por ;As férias no Sítio da vovó;, uma aventura real e acessível a nossas crianças.;

Aos 60 anos, Mariana Lima é professora da Escola Classe 10 de Ceilândia e autora de três livros infantis. Ela conta que a maior dificuldade é encontrar editoras que aceitem publicar sem que o escritor tenha que arcar com os custos. ;Ainda assim, tenho o privilégio de publicar dois livros fazendo contrato com as editoras. Desde criança, sou apaixonada pelas letras e publicar livros é a realização do meu sonho;, destaca.

*Estagiárias sob supervisão de Renato Alves


Para saber mais

O sítio mais famoso do Brasil

Nascido em 1882, em Taubaté, em São Paulo, Monteiro Lobato foi alfabetizado pela mãe, o que despertou cedo o interesse pela escrita. Inspirado em sua infância passada na biblioteca do avô, o Visconde de Tremembé, criou sua obra mais famosa, O Sítio do Pica-Pau Amarelo. Nela, são narradas as histórias dos moradores do sítio.

Além das histórias infantis, o escritor se destacou pelos contos, como Ideias de Jeca Tatu e Urupês, que trazem a visão tida do caipira brasileiro. Escreveu também fábulas, como O Cavalo e o Burro, A Coruja, A Águia e O Corvo.

Personagem da notícia


A pequena escritora

Era uma vez uma menina chamada Manuella Alves. Ela levava uma vida normal, até ter de enfrentar um monstro feroz: câncer. No começo ele se escondia, até que uma médica inteligente o achou dividido em pedacinhos que entraram no sangue da pequena. Ele assumiu outro nome: leucemia. Manu foi levada a uma floresta mágica chamada Hospital da Criança, cheia de bravos guerreiros com uma missão: derrotar os monstros. Mesmo sem entender muito bem, ela se preparou para a luta.

A batalha durou dois anos, até que um dia um passarinho entrou pela janela do quarto anunciando ;O monstro se foi!”. A leucemia havia sido derrotada. Manu sabia que a guerra seguia para outros. Decidiu então contar histórias para dar força a eles. Aluna da Escola Classe 31 de Ceilândia, Manuella, 9 anos, quer ser escritora.