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Correio Braziliense

Adasa aposta em cenário otimista para Descoberto e Santa Maria

Técnicos da Adasa projetaram quatro situações para os reservatórios do Distrito Federal antes de o governo determinar o fim do racionamento. As hipóteses variam entre a seca do Descoberto e a queda a 20%


postado em 05/05/2018 07:00

Construção de estrutura para captação no Lago Paranoá: investimento contra a crise hídrica (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Construção de estrutura para captação no Lago Paranoá: investimento contra a crise hídrica (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Após o anúncio do fim do racionamento a partir de 15 de junho, a Agência Reguladora de Águas (Adasa) apresentou os cenários desenhados pelos técnicos para o reservatório do Descoberto, responsável por 52% do abastecimento do Distrito Federal. Entre as quatro hipóteses, a mais drástica prevê que, em outubro de 2018, o espelho d’água possa secar. Nesse contexto, será necessário que a população volte a consumir o recurso nos parâmetros anteriores à crise hídrica: 147 litros por pessoa por dia — atualmente, está em 129 l/pessoa/dia. As simulações levaram em conta que o sistema Corumbá IV não estará em operação.

Contudo, a Adasa estima que o cenário mais pessimista não deva ocorrer. O fato de o Descoberto estar com 91% de seu volume anima os técnicos. No ano passado, no mesmo período, o nível estava em 56%. Os investimentos em novas captações — como o Bananal e o Lago Paranoá — e na diminuição das perdas do sistema, que chegam a um terço de tudo o que é produzido pela Caesb, dão garantia de que não faltará água nas torneiras do brasiliense e que, a princípio, não há hipótese de novo racionamento.

Entretanto, medidas restritivas não foram descartadas pelo diretor presidente da Adasa, Paulo Salles. Segundo ele, a agência continuará apostando na gestão dos recursos hídricos, cuidando das autorizações para captação e monitorando os agricultores. Na bacia do Descoberto, por exemplo, os produtores agrícolas continuarão com restrições. Com o fim do racionamento, eles terão seis horas diárias para molhar as plantações. Atualmente, são três horas diárias (veja quadro).

A Adasa reforçou que o fim do rodízio não significa o abandono das medidas de contenção de consumo. A Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), por exemplo, poderá captar mais água do que durante o racionamento,  entretanto, a quantia ainda é inferior à do período anterior à crise hídrica. A autorização de captação está em 3,2 mil litros por segundo. Com o fim dos cortes, passará para 4,3 mil l/s. Paulo Salles ressaltou que a decisão pelo fim do rodízio foi uma forma de não penalizar ainda mais a população. “Se o racionamento fosse mantido até o fim do ano, logicamente, teríamos mais água no reservatório, mas teríamos trazido um sacrifício muito grande”, disse.

O período chuvoso fez com que a Barragem do Descoberto alcançasse mais de 91% da capacidade: margem para encarar a estiagem(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
O período chuvoso fez com que a Barragem do Descoberto alcançasse mais de 91% da capacidade: margem para encarar a estiagem (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

Conscientização 

Dos quatro cenários, a Adasa aposta no que permite o fim do racionamento a partir de junho e que aumenta gradativamente o uso de água pelos agricultores. Nesse contexto, o reservatório do Descoberto chegará a 20% em outubro, quando voltam as chuvas no Distrito Federal. Em uma situação em que a restrição à agricultura continue severa, mas sem o racionamento desde junho deste ano, o nível do reservatório ficaria em 27%. Se o rodízio fosse mantido até dezembro, o volume ficaria em 45%.

Segundo o presidente da Adasa, os gráficos foram elaborados com base nas questões climáticas e nas vazões. O que animou os técnicos foi o regime de chuvas de 2017/2018, mais abundante do que em 2016/2017. Entretanto, o volume de precipitações ainda é 23% inferior à média histórica do período.

A expectativa do governo, porém, é de que a nova estratégia de uso do recurso funcione e que a população colabore fazendo a sua parte. Paulo Salles reforça a necessidade de consumo consciente. “Temos de manter a população alerta e ciente de que temos de poupar muita água, usando-a de maneira responsável, pois nós não sabemos o que acontecerá no próximo período chuvoso”, alerta.

Por esse motivo, será necessário ficar atento à curva de acompanhamento do Descoberto, que traz um valor de referência para a barragem a cada mês. Segundo Salles, caso o comportamento do reservatório fique abaixo do esperado, novas ações restritivas poderão ser tomadas.
"Temos de manter a população alerta e ciente de que temos de poupar muita água, usando-a de maneira responsável", afirma Paulo Salles, presidente da Adasa (foto: Bárbara Cabral/CB/D.A Press)

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