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Correio Braziliense

Poluição em Brasília: quatro pontos da capital têm ar crítico

Levantamento do Instituto Brasília Ambiental aponta quatro regiões com grandes quantidades de poluentes atmosféricos, onde o cenário só piora


postado em 05/05/2018 07:00 / atualizado em 09/05/2018 14:43

Morador do centro de Taguatinga, Ualisson reclama do
Morador do centro de Taguatinga, Ualisson reclama do "pó preto": "Piora na seca, mas é o ano todo" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A Rodoviária do Plano Piloto, a Fercal e a comunidade Queima Lençol são os piores lugares para respirar no Distrito Federal. Estudo do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) mostra que a quantidade de poluentes atmosféricos nessas regiões, consideradas sensíveis, aumentou em 2017 em relação a 2016. Mas, de acordo com especialistas, a medição de impurezas do ar nas localidades está incompleto e a situação pode ser ainda pior. Diferentemente do que determina o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o GDF não mede, por exemplo, a emissão de gases, só de partículas em suspensão.

Além disso, a detecção dessas partículas também está defasada. De nove estações de monitoramento, apenas quatro funcionam: na Rodoviária do Plano Piloto, na Fercal I, na fábrica de cimento Ciplan (ao lado de Queima Lençol) e no Zoológico. A estação de Taguatinga, na Praça do Relógio, também considerada uma região sensível, foi retirada depois de danificada em um acidente de carro, em 2016. Foram desativados, ainda, equipamentos na L2 Norte, na W3 Sul, Fercal II e em Queima Lençol.

Os dados sobre o aumento da poluição atmosférica estão no Relatório de Qualidade do Ar de 2017, elaborado pelo Ibram. Para que a qualidade da atmosfera seja considerada boa, o índice de material particulado geral (PTS) deve ser de, no máximo, até 80 microns por metro cúbico; para ser considerada regular, 240; e inadequada, 375.
 
Na estação da Ciplan, a pior medida registrada, a média anual de PTS subiu de 429,74 para 478,81 (11,4%). Segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) do MMA, a qualidade do ar na área é “má”. Na Fercal, o PTS aumentou de 144,66 para 152,4 (5,3%), e na Rodoviária do Plano, de 104,53 para 107,51 (2,8%). Nas medições feitas em Taguatinga entre 2005 e 2012, a qualidade do ar ficou entre regular e inadequada, com 200,61 PTS em 2005, caindo para 152,74 em 2008, e subindo para 254,62 em 2012.
 
Em nota, a Ciplan respondeu, em nota, que a "estação de monitoramento da qualidade de ar instalada pelo Ibram fica dentro do estacionamento da Ciplan ao lado da rodovia DF 205 somente por uma questão de manutenção e conservação da própria estação, sendo uma rodovia de fluxo intenso por onde passam diariamente milhares de veículos automotores provenientes de estradas de terra, de fábricas de asfalto e pré-moldados, produtores rurais e os mais diversos tipos de usuários".
 
Garantiu ainda que a empresa trabalha com "a mais moderna tecnologia disponível no mundo para o controle de emissões de gases e material particulado atendendo assim a legislação ambiental, o respeito aos seu colaboradores e a comunidade que reside no seu entorno".
 

Família de Queima Lençol: crianças sofrem com a poluição de fábrica(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Família de Queima Lençol: crianças sofrem com a poluição de fábrica (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Doenças


Quem mora em Queima lençol convive com a poeira ldas explosões da Ciplan e com a fumaça da fábrica. A universitária Juliana Soares de Oliveira, 27 anos, conta que a filha, de 4, foi internada com bronquite asmática, e o sobrinho, de 6 meses, também sofre com as partículas. “Minha filha ficou 24 horas internada. A roupa no varal, os móveis, tudo fica sujo”, conta.
 
Médica alergista, Marta Guidacci destaca que, na seca, as doenças respiratórias crescem. A poluição, mesmo em casa, é um agravante. “O gás carbônico do carro na garagem e o gás de fogão pioram a saúde. Além da fumaça veicular vinda da rua ou das partículas e poluentes das fábricas.”
 
Professor de engenharia de energia da Universidade de Brasília (UnB), Augusto César de Mendonça Brasil atesta que o DF não tem estações de monitoramento de qualidade do ar suficientes para uma estimativa precisa da poluição. “Os relatórios disponíveis são baseados no material particulado geral. Isso não nos dá um recorte completo. Na Rodoviária (do Plano Piloto), podemos ter um índice de gás carbônico elevado e PTS baixo, e não saberemos”, comenta.

Gerente de monitoramento da qualidade ambiental e gestão dos recursos hídricos do Ibram, Carlos Henrique Rocha admite que a cobertura do monitoramento da qualidade de ar no DF é ruim. Ele ameniza, porém, as medidas da estação da Ciplan. “O equipamento fica na fábrica e apresenta um valor mais elevado. Vamos transferi-lo para próximo da escola da região”, diz. “Infelizmente, não conseguimos impleatar no DF uma rede automática com medição de gases. Não temos parâmetros para dizer como estão esses poluentes. Estamos atrasados em relação a grandes estados, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, por exemplo.” 

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