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Correio Braziliense

Câmeras de vigilância nas ruas do DF começam a ser reativadas

Dos 451 equipamentos posicionados em diferentes regiões administrativas, 205 estão em atividade; bem mais do que em janeiro, quando apenas 70 estavam ligados. O governo deve contratar empresa para instalar outros 315, que estão encaixotados


postado em 06/05/2018 06:38 / atualizado em 06/05/2018 08:49

As câmeras do 'Big Brother Brasília' estão presentes em todo o DF, mas funcionam apenas em seis regiões(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
As câmeras do 'Big Brother Brasília' estão presentes em todo o DF, mas funcionam apenas em seis regiões (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

 
Quase cinco meses após o Correio denunciar que cerca de 85% das câmeras de videomonitoramento da capital federal não funcionavam, a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF) divulgou que, de lá para cá, esse número caiu para 55%. Segundo a pasta, dos 451 equipamentos posicionados em diferentes regiões, 205 estão em atividade em Brasília, Ceilândia, Recanto das Emas, Taguatinga, Riacho Fundo, Águas Claras e Areal. O projeto de segurança, iniciado na gestão passada, foi interrompido em 2014 por falta de pagamento e, em meados de 2017, o Governo de Brasília cancelou o contrato com a empresa escolhida. 

Em 26 de dezembro, o Poder Executivo local selecionou outra firma para executar o serviço: a Seal Telecom Comércio e Serviço de Telecomunicações Ltda., contratada por R$ 1,68 milhão. De acordo com o secretário de Segurança Pública, Cristiano Barbosa Sampaio, o processo de instalação das câmeras foi dividido em duas etapas: a primeira, em andamento, para colocação de cabos de fibra óptica e ativação dos equipamentos já posicionados; a segunda, com edital prestes a ser divulgado, para contratação da empresa que cuidará da instalação e da manutenção dos 315 ainda encaixotados. Adquiridos na gestão passada, os equipamentos custaram R$ 26 milhões aos cofres públicos.

A SSP-DF informou, em janeiro, que os 451 aparelhos existentes voltariam a fazer gravações até março. No entanto, apesar do aumento de 30% na quantidade de câmeras em funcionamento, ainda não há prazo para o término da ativação das restantes. O secretário Cristiano Sampaio afirma que prefere mostrar os resultados do projeto a apresentar perspectivas. “Não temos como divulgar esse calendário porque uma empresa assumiu um trabalho que outra havia começado. Apesar de termos uma expectativa realista, prefiro trabalhar com resultados”, reforça.

Sensação de insegurança

Subgerente de um comércio no Sudoeste, Evaldo Aparecido da Costa, 35 anos, se sente inseguro perto de onde trabalha. Em relação à presença de câmeras em algumas áreas do DF, Evaldo diz que não vê muita diferença para a segurança do pedestre. “Não acho que elas me protejam tanto. Quando acontece algo, só temos como recorrer às portarias e à polícia, que nem sempre atua”, lamenta. A percepção de Wilderlan Oliveira, 25, é semelhante. Autônomo, ele vende refeições à noite. Apesar de notar rondas de carros da PM, sente-se inseguro principalmente após a meia-noite.

“Minha segurança tem muito a ver com a questão do horário e do meu conhecimento da região. Sobre as câmeras, vejo que, para os motoristas, elas são muito mais rigorosas. Acho que poderiam procurar medidas mais efetivas para garantir a segurança da população”, observa. Segundo Antonio Flávio Testa, sociólogo pela Universidade de Brasília (UnB), o desconforto e o medo em áreas urbanas são crescentes. Ele observa que, assim como os equipamentos de vigilância têm efeito sobre o comportamento de potenciais criminosos, a percepção da insegurança também molda os hábitos da população, principalmente quando há sensação de impunidade. “O comportamento das pessoas muda radicalmente por causa disso. Elas adotam práticas preventivas, evitam locais isolados. Os dois lados são atingidos: o criminoso tenta se precaver da vigilância, e o cidadão comum, da gana dos criminosos”, compara. 

Colaboração em debate

Para Nelson Gonçalves, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e pesquisador de segurança pública, um dos principais obstáculos enfrentados hoje em dia, no DF, é a falta de trabalho conjunto entre os órgãos competentes. “As instituições não conversam umas com as outras. Não há diálogo. Tudo aquilo que foi dito sobre integração da segurança pública no Distrito Federal não passou de propostas”, critica. Ainda segundo ele, a diminuição dos índices de criminalidade, favorecida pelo uso de câmeras, depende de uma resposta mais “rápida e efetiva” aos problemas identificados pela rede de monitoramento. “Se a administração pública for capaz de dar retornos imediatos para a sociedade, o sistema certamente gerará impacto positivo em relação à sensação de insegurança das pessoas”, comenta.

“Mas, se ele simplesmente gravar imagens e o indivíduo potencialmente criminoso não perceber ações do Estado, ele continuará cometendo crimes; logo, o sentimento de falta de proteção não diminuirá”, avalia. O secretário de Segurança Pública, Cristiano Barbosa Sampaio, discorda da afirmação sobre a falta de integração dos órgãos da pasta. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros, o Departamento de Trânsito e as polícias militar e civil têm acesso às imagens de videomonitoramento e promovem trabalhos distintos com o objetivo de prevenir e analisar ocorrências em todo o DF. “Cada instituição procede de uma forma. Os trabalhos são integrados e temos um centro, onde os órgãos atuam, que permite a interoperabilidade e uma integração efetiva. Claro que isso pode melhorar. Se acharmos que não pode, estamos abraçando o retrocesso. Mas esse é um trabalho que fazemos todo dia”, defende.

Ver galeria . 8 Fotos O sistema de monitoramento eletrônico que vigia a capital federal desde os anos 2000, apelidado de Big Brother Brasília, e que teve o auge em 2014, com a Copa do Mundo, sofre com o sucateamento. Das 453 câmeras, apenas 70 funcionam atualmente. Ou seja, quase 85% dos equipamentos estão desativados por falta de pagamento e problemas no contratato com a empresa responsávelMinervino Junior/CB/D.A Press
O sistema de monitoramento eletrônico que vigia a capital federal desde os anos 2000, apelidado de Big Brother Brasília, e que teve o auge em 2014, com a Copa do Mundo, sofre com o sucateamento. Das 453 câmeras, apenas 70 funcionam atualmente. Ou seja, quase 85% dos equipamentos estão desativados por falta de pagamento e problemas no contratato com a empresa responsável (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )


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