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Correio Braziliense

Memorial em homenagem a 10 pioneiros é inaugurado no Jardim Botânico

Começou a funcionar ontem, no Jardim Botânico de Brasília, o memorial em homenagem a 10 pioneiros que tiveram papel fundamental para a preservação e a valorização do segundo maior bioma da América Latina, que é símbolo da capital federal. São personalidades desconhecidas da maior parte da população e merecem essa lembrança


postado em 06/05/2018 06:25 / atualizado em 06/05/2018 12:03

(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

 
Viver pela terra, pela fauna, pela flora e pela água de uma região é uma missão nobre, e são poucas as pessoas dispostas a aceitá-la. No Planalto Central, dominado pelo cerrado, 10 nomes se destacaram nesse trabalho e, mesmo após a morte, essas pessoas não haviam recebido uma homenagem apropriada por terem dedicado a existência para garantir que a geração atual pudesse desfrutar do rico ecossistema que a rodeia. Em honra a esse trabalho, entrou em funcionamento ontem o Memorial dos Cerratenses, rodeado pelo Jardim Botânico de Brasília

Foram necessários 12 meses de organização, apuração e produção para que a vida de 10 pessoas, desconhecidas por muitos, se tornasse uma biografia digital, que ficará guardada em um totem instalado no Centro de Excelência do Cerrado. As figuras homenageadas são o ator, diretor e autor teatral Ary Para Raios; o escritor e crítico de arte Carmo Bernardes; a parteira Dona Lió, matriarca dos Kalungas; a arte-educadora Laís Aderne; o pajé Sapaim Kamaiurá; o guia da Missão Cruls Viriato de Castro; e os pesquisadores Jeanine Felfili, Linda Caldas, Paulo Bertran e Vanderley de Castro.

O grupo é composto por uma miscigenação de raças, sabedorias e atividades. São pessoas que trabalharam em prol de pesquisa e tecnologia, história, arte e cultura, movimentos sociais e povos tradicionais da região. O idealizador do projeto, o biólogo Rafael Poubel, conta que a ideia surgiu a partir da percepção da falta de conhecimento da população sobre o bioma onde vive. “O cerrado é a nossa casa, ele dá a água que bebemos, e, se cerca de 60% do nosso corpo é água, isso quer dizer que nós somos o cerrado e precisamos conhecê-lo”, explica.

Destacar a biografia de quem viveu pelo bioma seria, para Rafael, um resgate histórico. “Eu nasci em Brasília, mas, na escola, nós só aprendemos a história da nossa terra a partir da construção da capital. Não ficamos sabendo sobre o que tinha aqui antes: um espaço que abrigava índios, vida e muita história, que agora começa a ser resgatada”, conta ele, que é ex-integrante da equipe do Jardim Botânico, área protegida, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema/DF). O projeto é realizado pela Secretaria de Cultura do DF e recebe patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).


Futuros defensores 

O memorial funciona de terça-feira a domingo e também recebe visitas de turmas escolares e universitárias. A bióloga Alba Evangelista, 60 anos, que visitou o lugar durante a inauguração, conta que, além de homenagear o passado, o conhecimento disponível pode ajudar a formar os próximos cerratenses. “O trabalho de educação é como plantar uma semente, você tem que estar lá todo dia, regando, cuidando, para que se torne uma árvore. Projetos como esse ajudam nisso porque você faz uma conexão com o presente, não só com a questão da natureza do cerrado, mas também com a parte cultural e social”, explica. A bióloga acredita que receber um público mais jovem ajudará a mostrar tudo que é perdido quando se destrói o cerrado.
 
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
 
 
“Com o uso econômico das terras, seja com gado, seja com lavouras, você não perde só a biodiversidade, mas também a cultura e todas as vivências que ocorreram ali. A nossa história e a dos nossos antepassados são perdidas junto. Acredito que saber sobre a vida de quem cuidou do cerrado por gerações pode fazer com que as pessoas queiram continuar esse trabalho”, afirma. A coordenadora-geral do projeto, Carina Bini, acrescenta que a expectativa é adicionar a trajetória de mais cerratenses ao memorial, com o objetivo de conscientizar e informar o público da capital federal e de fora dela. “Além do espaço físico, estamos lançando um site, em que todo conteúdo dos totens estará disponível para pessoas de todo o Brasil”, explica.

Significado

O termo é utilizado para designar pessoas que viveram nos cerrados. Entre eles, estão incluídos os povos tradicionais — indígenas, quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, sertanejos e ribeirinhos — e os modernos, como a população do Distrito Federal.
 

» Visite!

O Memorial dos Cerratenses fica no Centro de Excelência do Cerrado, localizado no Jardim Botânico de Brasília, no Setor de Mansões Dom Bosco (SMDB), Área Especial, Lago Sul (entrada pela subida da QI 23). Horário de visitação: de terça a domingo, das 9h às 17h. A entrada custa R$ 5. Idosos, crianças de até 12 anos incompletos e pessoas com deficiência não pagam. Saiba mais: www. memorialdoscerratenses.com. 

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