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Correio Braziliense

Brasiliense quer criar lar de acolhimento a pessoas LGBT expulsas de casa

Objetivo da Casa Rosa é oferecer apoio e orientação, principalmente psicológica, a pessoas que foram expulsas de casa por causa de preconceito; projeto precisa de doações


postado em 08/05/2018 15:50 / atualizado em 08/05/2018 15:55

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

 
Ofensas, violência, preconceito, expulsão de casa e até assassinato, infelizmente, fazem parte da realidade de muitas pessoas LGBT. Segundo uma pesquisa da Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal), Um olhar sobre a população LGBT no Distrito Federal, os registros de denúncia do disque 100, relativos a 2016, mostram que 24% dos casos violentos a LGBT ocorreram dentro de casa. Ao perceber a vulnerabilidade desse grupo, o técnico de enfermagem Marcos Tavares, 50 anos, teve a ideia de construir um lar de acolhimento a pessoas LGBT no Distrito Federal, a Casa Rosa, local onde vítimas poderão ter, além de um lugar para dormir, acesso à alimentação e, principalmente, apoio psicológico. 

Marcos é homossexual e teve a sorte de sua família sempre ter apoiado sua orientação. "Tive apoio e carinho, mas eu via meus amigos tendo problemas com os pais. Isso me chocava", lembra. Marcos oferecia sua casa para seus colegas que eram expulsos de casa pelos seus pais por causa da orientação sexual. Até que um certo dia, seu pai o questionou: "Por que você não cria uma lar de acolhimento para eles no quintal da nossa casa?". O técnico de enfermagem e seu pai, então, começaram a construção de um projeto que, futuramente, abrigaria vítimas de preconceito e daria a oportunidade para que elas pudessem ser quem quisessem. Porém, as obras foram interrompidas por conta do falecimento de seu pai. "Sofri muito com a morte dele e, então, parei de construir. Mas, no ano passado, decidi voltar com o projeto", anima-se.

O objetivo da Casa Rosa é oferecer acolhimento, assistência psicológica, social e jurídica para pessoas LGBT. "Nós temos um grupo de psicólogos e advogados voluntários da OAB que irão orientá-los". No entanto, a estadia não é permanente. Segundo Marcos, a ideia é que a pessoa fique no local de 2 a 6 meses, segundo orientação da Justiça. 

Patrícia Zapponi, 42 anos, voluntária e diretora jurídica da futura Casa Rosa, explica que o espaço também oferecerá cursos de capacitação profissional e preparatórios para os que tiverem interesse em ingressar na universidade. "Queremos ajudar as pessoas a serem quem elas quiserem ser." Rafael Berredo, 28 anos, é psicológo e fará parte da equipe responsável por atender os acolhidos. Em um primeiro momento, o objetivo é aconselhar, orientar e tentar minimizar o sofrimento, com atendimentos semanais. "Uma equipe de psicológos voluntários ainda está sendo montada para ajudar essas pessoas", explica Rafael.
 
Apesar de o projeto estar bem adiantado, para construir a Casa Rosa, em Sobradinho I, no fundo do lote onde mora, Marcos precisará de aproximadamente R$ 45 mil. E conta com ajuda de doações. Até o momento, foram arrecadados, por meio de três bazares, R$ 7 mil. "Nós levantaremos um muro que dividirá o lote da minha casa com a Casa Rosa e, apenas essa obra custará cerca de R$ 20 mil". Além disso, segundo Marcos, a ideia é que o espaço tenha parcerias e voluntários para manter a casa em funcionamento. 

Apoio

Em 21 de abril, a equipe da Casa Rosa conseguiu acesso ao camarim da cantora Preta Gil e do vocalista Xand da banda Aviões do Forró, que se apresentaram no dia do aniversário de Brasília, na Esplanada dos Ministérios. Os artistas fizeram vídeos em apoio ao espaço e pediram doações. 
 
 
 
  

Serviço

Para ajudar a Casa Rosa a sair do papel, há uma vaquinha online, que estará disponível até agosto. Os interessados também podem conhecer mais sobre o projeto na página oficial, no Facebook.

Contatos 

Marcos Tavares: (61) 99220-3745
Hamsés Gomes: (61) 98194-7521 
 
*Estagiária sob supervisão de Ana Letícia Leão.

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