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Correio Braziliense

Grupo de Cristovam Buarque anuncia adversário de Rollemberg na sexta-feira

Grupo formado por Cristovam Buarque, Rogério Rosso, Izalci Lucas e Alírio Neto, além do PRB, deve anunciar na sexta-feira quem vai liderar a chapa de centro-direita para o Palácio do Buriti e concorrer contra o governador Rodrigo Rollemberg


postado em 09/05/2018 06:00 / atualizado em 09/05/2018 08:57

Sede do Governo do Distrito Federal: centro-direita analisa índices de intenções de votos, rejeição e potencial de crescimento em eventual segundo turno de possíveis candidatos(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Sede do Governo do Distrito Federal: centro-direita analisa índices de intenções de votos, rejeição e potencial de crescimento em eventual segundo turno de possíveis candidatos (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Um grupo formado por ex-integrantes do governo Rodrigo Rollemberg (PSB) e ex-aliados de Jofran Frejat tenta se firmar como alternativa eleitoral. Com pressa para entrar na disputa, o grupo pretende anunciar nesta semana quem vai liderar a chapa. Estão no páreo o deputado federal Izalci Lucas (PSDB), o empresário Wanderley Tavares (PRB) e o ex-distrital Alírio Neto (PTB) como possíveis candidatos ao Palácio do Buriti. Nenhum deles jamais concorreu a cargo majoritário, mas têm apoio de seus partidos para encabeçar uma corrida que conta com outros quatro concorrentes: Rollemberg, que disputa a reeleição, Jofran Frejat (PR), Fátima Sousa (PSol) e Alexandre Guerra (Novo).

Integrado, ainda, pelos pré-candidatos ao Senado Cristovam Buarque (PPS) e Rogério Rosso (PSD), o grupo de centro-direita discute critérios para a escolha do candidato, pois não há, entre eles, um líder natural ou alguém com mais estrutura e chances de enfrentar as urnas. Os próximos dois dias, portanto, serão de diálogo. Devido à similaridade, todos pensarão bem em como vender suas candidaturas na próxima reunião, quando serão considerados tópicos como estrutura partidária, nominatas para deputados distritais e federais e viabilidade jurídica, por exemplo.

Quando se fala em estrutura, o PSDB leva vantagem por ter maior tempo de tevê e mais recursos do fundo eleitoral, uma vez que dispõe de uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados. Há um porém: por ter Geraldo Alckmin como candidato à Presidência da República e, consequentemente, um maior número de postulantes a governos estaduais, o montante será fatiado várias vezes.

Em relação às nominatas, PTB e PRB apresentam opções como espólio eleitoral. O PTB detém cerca de 40 candidatos que disputaram outros pleitos ou indicam potencial de crescimento. O PRB apresenta, nos quadros, dois distritais — Julio Cesar e Rodrigo Delmasso, da base evangélica —, além de nomes ligados a antigos caciques da política local, como Jorginho Argello, filho do ex-senador Gim Argello, condenado na Lava-Jato, que espera herdar o que restou do grupo político do pai, preso há dois anos. O PSDB saiu enfraquecido das disputas internas que levaram a sigla a perder nomes de expressão, como Maria de Lourdes Abadia e Virgílio Neto, ambos filiados ao PSB hoje, além de Robério Negreiros (PSD).

Quanto à segurança jurídica, os três pré-candidatos apresentam dificuldades similares. Izalci é investigado em dois inquéritos. Alírio Neto acabou condenado no STJ por improbidade administrativa neste ano, mas não teve os direitos políticos comprometidos. Wanderley Tavares virou réu em uma ação penal que tramita no Rio de Janeiro. O fato, entretanto, é que não há expectativa de algum deles se tornar inelegível até as eleições.

União


Para o presidente temporário do PSDB/DF, Izalci Lucas, a pesquisa e as recentes conversas demonstraram que “qualquer um dos três pré-candidatos é capaz de vencer”. “O importante é manter o juízo e encontrar o consenso. Não podemos nos dividir. A ruptura não beneficiaria ninguém. Somos a chance do novo. O grupo de Frejat espelha a continuidade dos governos de Arruda e Roriz, e o de Rollemberg, de uma gestão que não deu certo”, argumentou.

A chapa da coalizão conta com os dois nomes predefinidos ao Senado: Cristovam Buarque e Rogério Rosso. Sobram, portanto, duas vagas — cabeça de chapa e vice — para três pessoas. Para evitar desgastes, o deputado federal afirma, de forma recorrente, que não vê problema em abrir mão da vaga. “Discutiremos várias questões para encontrarmos um entendimento comum, com humildade e paciência”, pontuou Rosso.

Por ora, Izalci, Alírio e Wanderley não demonstraram interesse na cadeira no Legislativo. Wanderley, contudo, não fechou as portas para a possibilidade de o PRB ficar com a vaga número dois da chapa, representado pelo irmão, o pastor Egmar Tavares, que conquistou 13.635 votos em 2014, quando concorreu a distrital. Aliados acreditam que seria um cargo estratégico, capaz de atrair uma parcela do apoio da comunidade cristã para o candidato ao Executivo local.

Pela conjuntura, a disputa efetiva pelo Buriti deve ficar entre Izalci e Alírio. A expectativa é de que o remanescente concorra a deputado federal. Os dois, entretanto, terão de tomar a decisão de forma pacífica, uma vez que as respectivas siglas estão unidas em torno da candidatura de Geraldo Alckmin ao Palácio do Planalto.

Enquanto se prepara para o pleito, o deputado federal ainda enfrentará uma disputa interna no PSDB. Izalci convocou para 1º de junho, último dia de seu mandato, a eleição para a escolha do presidente do partido, além dos demais integrantes da Executiva. O resultado da deliberação pode influir diretamente na candidatura dele, seja o fortalecendo, seja enfraquecendo-o.


Disputa pelo Buriti




Memória

Base desidratada
Apesar da oposição ao governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), o grupo de centro-direita conta com antigos aliados do socialista. O chefe do Palácio do Buriti comandou a Secretaria de Turismo na gestão de Cristovam Buarque (PPS), à época, no PT, elegeu-se ao Senado ao lado do parlamentar em 2010 e recebeu dele o apoio nas últimas eleições. O PSD, integrado pelo vice-governador Renato Santana e presidido por Rogério Rosso, compôs a chapa “Somos Todos Brasília”, que o emplacou ao Executivo local e ocupou postos no governo até outubro de 2017.

Pelo PRB, do empresário Wanderley Tavares, o distrital Júlio Cesar chegou a ser líder do governo na Câmara Legislativa, mas abandonou o posto depois da deflagração da Operação Drácon. O partido permaneceu na base aliada até o último dia 13, quando declarou independência.

O rompimento das siglas com Rollemberg começou, oficialmente, em fevereiro do ano passado. Cristovam foi o primeiro a deixar a base do governador, depois de um distanciamento gradual. À época, o senador mostrou descontentamento com a postura do socialista. “Cansamos de tentar e não conseguir participar e, principalmente, influir nos destinos da cidade”, disse. Desde então, as alfinetadas não cessaram. O PSD desembarcou da base depois de constantes embates entre o chefe do Buriti e o vice. De olho nos cargos comissionados, o PRB esperou até o último minuto para abandonar Rollemberg.
 
 

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