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Correio Braziliense

Vídeo: pedidos de justiça marcam missa de 7º dia de Jéssyka Laynara

A jovem de 25 anos foi morta a tiros pelo ex-namorado e PM, Ronan do Rego. Familiares e amigos convocam a comunidade a participar de protesto contra o feminicídio, marcado para sábado (12)


postado em 10/05/2018 23:40 / atualizado em 11/05/2018 00:51

Durante a missa de 7ª dia de Jéssyka, familiares prestaram homenagens e dedicaram canção para jovem(foto: Bruna Lima/Esp. CB/D.A.Press)
Durante a missa de 7ª dia de Jéssyka, familiares prestaram homenagens e dedicaram canção para jovem (foto: Bruna Lima/Esp. CB/D.A.Press)
 
"Todo amor que eu sinto vai ser a força para lutar por justiça.” Para Adriana Maria da Silva, 39 anos, mãe de Jéssyka Laynara da Silva Souza, a força que vem do amor não machuca nem tira vidas. “Vou lutar pela minha Jéssyka e em nome de tantas outras que sofrem ou sofreram como ela”, afirmou durante a missa de sétimo dia da filha, realizada na Paróquia Bom Jesus, em Ceilândia nesta quinta-feira (10/5).
 
 

Saudade e amor foram os sentimentos presentes no olhar de cada um dos familiares e amigos que acompanharam a celebração em homenagem à jovem de 25 anos. Ela foi assassinada a tiros pelo ex-namorado e policial militar Ronan Menezes do Rego, 27, na sexta-feira passada (4/5). 

Ao final da missa, a tia Regiane Cristina da Silva, 38, prestou homenagem em nome da família. “Ela amanhecia com um sorriso radiante, mesmo que as coisas não estivessem bem. Batalhava e nunca desistia. Tenho certeza que estará sempre viva nos nossos corações. Quando lembro de tudo o que você foi e fez, minhas forças se renovam. É essa lembrança que faz com que todos lutem por justiça”, disse emocionada. 

Djasmi de Melo da Silva, 40, lembrou da sobrinha por meio de uma música que cantou diante das mais de 300 pessoas que compareceram ao local. “Hoje, eu entendo porque ela me pedia para eu cantar essa música que diz: 'Espírito Santo vem clamar por mim, só Deus sabe a dor que estou sentindo'. Realmente ela sofria sozinha. Só Deus sabia. Agora, ela descansou de tudo que passou calada”, lamentou. 

Madalena Honorata da Silva, 77, levava no olhar a tristeza de ter presenciado a morte da própria neta. “Quando vi, ele (Ronan) já estava com a arma apontada, e eu só gritei para a Jéssyka correr. Ela levou um tiro no peito e eu saí gritando por socorro. Depois disso, apagou tudo”, relembrou. Apesar da dor, Madalena disse que agora ela está bem. “A missa passou conforto. Ela descansou, mas o coração está apertado e vai demorar muito para melhorar. Ela era minha neta, minha filha, minha amiga.” 

Do lado de fora da igreja, os familiares da jovem aproveitaram para se reunir e pedir para que a comunidade compareça ao protesto contra o feminicídio organizado por eles. A marcha está marcada para este sábado, às 16h. O ponto de partida será a casa vítima, na EQNO 15 do Setor O, em Ceilândia. Os participantes caminharão até a Avenida Leste da cidade. Na volta, passarão pela Via Oeste e retornarão ao ponto de partida, onde pretendem montar um jardim em homenagem à jovem.
 
 

A equipe do Correio foi recebida pela família na casa de Jéssyka, onde aconteceu o crime. A tia Marislane da Silva, 49, e a avó Madalena narraram a dinâmica do assassinato. 
 
 

Relembre o caso


Por volta das 14h da última sexta-feira, Ronan foi à casa de Jéssyka e matou a ex-namorada com cinco tiros. Segundo parentes, o PM perseguia a jovem por não aceitar o fim do relacionamento de seis anos que tiveram. Quando chegou, Ronan e Jéssyka discutiram. Um dos primos dela chegou a tomar a arma do militar e Ronan disse que iria embora. Contudo, ele retornou instantes depois e efetuou os disparos.

Depois de deixar a cena do crime, Ronan foi a uma academia na região e atirou contra o professor de educação física e amigo de Jéssyka Pedro Henrique da Silva, 29. Quatro tiros atingiram o jovem no tórax e na mão. Ele ficou internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas passou por cirurgia e recebeu alta nesta quinta-feira (10/5). 
 
Na noite dos crimes, Ronan se entregou à polícia acompanhado de uma advogada. Ele foi preso em flagrante e conduzido ao Complexo Penitenciário da Papuda. A Justiça determinou a detenção do militar por tempo indeterminado. A princípio, ele responderá pelos crimes de feminicídio e tentativa de homicídio qualificado. 

O comandante da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Marcos Antônio Nunes, garantiu que Ronan será expulso da instituição. "Abrimos um processo apuratório. Se for identificado algum problema mental ou psicológico, tudo será encaminhado aos médicos e psicólogos da corporação", afirmou, em coletiva realizada na última segunda-feira (7/5).
 

Violência frequente


Agressões contra Jéssyka eram constantes, segundo familiares e amigos. Além dela, Ronan teria ameaçado um rapaz com quem a vítima saiu após o término do relacionamento. Duas semanas antes de ser assassinada, Jéssyka enviou mensagens a uma amiga dizendo ter sido espancada pelo namorado. A violência aconteceu depois de o agressor ter lido conversas registradas no celular da jovem.

"Ele me bateu muito, de espancar mesmo. Ele me deu uma coronhada que rasgou a minha cabeça. Sangrou tanto que eu coloquei uma fralda, que encharcou e começou a pingar. Tive de colocar uma toalha, para você ter noção. Eu fiquei coberta de sangue. Depois que ele viu que o corte não parava de sangrar, continuou me batendo. Foi tanto murro, tanto chute. Eu nunca apanhei tanto", disse Jéssyka na gravação. Ela também contou à amiga que não pretendia denunciar o PM e que a família não sabia da situação. 

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