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Correio Braziliense

2 mil pessoas marcham por Jéssyka Laynara e contra o feminicídio

Jovem de 25 anos foi morta a tiros pelo ex-namorado e policial militar Ronan Menezes do Rego. O policiamento do protesto, que normalmente é realizado pela PM, foi feito pela Polícia Civil


postado em 12/05/2018 16:18 / atualizado em 12/05/2018 19:10

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
Oito dias após a morte de Jéssyka Laynara da Silva Souza,assassinada pelo ex-namorado e policial militar Ronan Menezes do Rego, a família da jovem sofre com a saudade e lamenta o crime que interrompeu a vida da mulher de 25 anos. Segundo a Polícia Civil, cerca de 2 mil pessoas participaram de uma marcha em protesto contra o feminicídio organizada pelos familiares de Jéssyka, no Setor O, em Ceilândia neste sábado (12/5), .

O grupo saiu da casa vítima, na EQNO 15, e caminhou até a Avenida Leste da cidade. Os participantes também passaram pela Via Oeste, e retornaram ao ponto de partida, onde montaram um jardim em homenagem à jovem de 25 anos. A avó de Jéssyka, Madalena Honorato da Silva, 77, pediu mais respeito às mulheres. “Existem muitas "Jéssykas" espalhadas por aí, sofrendo as mesmas agressões. Essa covardia não pode continuar”, frisou.

Madalena presenciou o momento em que Ronan disparou contra Jéssyka, e pede que a justiça seja feita contra o assassino da neta. “A dor é enorme. Ele tirou a vida da minha neta sem nenhum motivo. Espero que ele pague pelo que fez”, comentou.

Ainda tentando assimilar a perda da sobrinha, Regiane Cristina da Silva, 38, espera que o crime contra mulheres deixe de ser algo comum. “A Jéssyka não foi a primeira, e infelizmente não será a última. Muitas perdem a vida por covardia. Mas isso não é normal. As mulheres não podem se calar”, destacou. 
 
O policiamento do protesto, que normalmente é realizado pela PM, foi feito pela Polícia Civil, com apoio do Corpo de Bombeiros e do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). O Correio questionou a PMDF sobre o motivo da ausência de policiais militares no protesto. A corporação informou não foi acionada para realizar o balizamento no local, e completou dizendo que "lamenta imensamente a morte da jovem e que repudia toda e qualquer forma de violência".
 
 
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Durante a marcha, os presentes usavam uma camisa com as frases "Não à violência contra a mulher. Basta de feminicídios. Nem uma a menos". "O nosso grito é para tentar impedir que mais casos como o da Jéssyka acontecam. Pedimos que as mulheres que sofram agressões procurem ajuda antes que seja tarde demais. Não podemos aceitar que esse crime continue", disse a tia da jovem Djasmin de Melo, 40.

Também estiveram presentes na marcha familiares de Pedro Henrique da Silva, 29. No mesmo dia em que Ronan matou Jéssyka, o PM disparou quatro vezes no professor de educação física. Depois de ficar internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Pedro passou por cirurgia e recebeu alta nesta quinta-feira (10/5). O primo do professor, Lucas Leonardo Dias, 23, ficou horrorizado com o crime. “Foi um ato de puro egoísmo. É uma tristeza saber que existem pessoas assim, que tratam os outros como objeto. As mulheres precisam de mais respeito”, disse.

Relembre o caso


Na sexta-feira (4/5), Ronan apareceu na casa de Jéssyka e matou a ex-namorada com cinco tiros. A família contou que o PM perseguia a jovem por não aceitar o fim do relacionamento de seis anos que tiveram. Horas antes do crime, Ronan e Jéssyka discutiram. Um dos primos dela chegou a tomar a arma do militar e Ronan disse que iria embora. Contudo, ele retornou instantes depois e efetuou os disparos.

Depois disso, o PM foi a uma academia na região e atirou contra o professor de educação física, e amigo de Jéssyka, Pedro Henrique da Silva, 29. Quatro tiros atingiram o jovem no tórax e na mão. 

Na noite dos crimes, Ronan se entregou à polícia acompanhado de uma advogada. Ele foi preso em flagrante e conduzido ao Complexo Penitenciário da Papuda. A Justiça determinou a detenção do militar por tempo indeterminado. A princípio, ele responderá pelos crimes de feminicídio e tentativa de homicídio qualificado.

O comandante da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Marcos Antônio Nunes, garantiu que Ronan será expulso da instituição. "Abrimos um processo apuratório. Se for identificado algum problema mental ou psicológico, tudo será encaminhado aos médicos e psicólogos da corporação", afirmou, em coletiva realizada na última segunda-feira (7/5).

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