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Correio Braziliense

UniCeub chega aos 50 anos e prepara programação para comemorar marca

Uma das primeiras instituições de ensino superior da cidade, hoje com 22 mil alunos, precisou se reinventar para atender a demanda da capital federal


postado em 14/05/2018 06:00

(foto: Arquivo UniCeub)
(foto: Arquivo UniCeub)

A cidade estava ainda alguns anos distante de completar a primeira década quando ganhou uma das pioneiras instituições de ensino superior. O convite inicial era para que se formasse uma escola de educação básica, mas João Herculino de Souza Lopes, então deputado federal, e Alberto Péres decidiram investir em uma universidade. Em 3 de maio de 1968, era inaugurado o Centro de Ensino Unificado de Brasília (Ceub), hoje centro universitário.

Reitor do UniCeub e filho de João Herculino, Getúlio Américo Moreira Lopes conta que a criação da instituição veio por uma necessidade da própria capital. “Brasília ainda tinha essa carência no ensino superior. As pessoas trabalhavam de dia e a UnB só funcionava em cursos diurnos e com poucas vagas, já difícil de entrar naquela época”, relata.

No começo, o foco eram os cursos noturnos. “Abrimos com direito, pedagogia, economia, geografia, história, letras, contabilidade e administração. Foram cerca de 1,1 mil vagas, logo preenchidas”, diz o reitor. Nos dois primeiros anos, não havia sede própria, e as aulas eram ministradas em colégios da cidade, como Nossa Senhora de Fátima, Santa Rosa, Dom Bosco e Santa Doroteia.

Pouco tempo depois, a demanda pelos cursos levou à expansão da instituição. “O meu pai e Alberto Péres eram muito empreendedores e foram atrás disso. A Asa Norte não tinha quase nada. Então, conseguiram comprar aquele terreno ótimo (707/907 Norte) por um preço razoável. Antes de inaugurar, em 1970, já não cabia o número de alunos pensados e foi preciso fazer mais um prédio. Isso mostra que eles realmente atingiram em cheio a necessidade da cidade”, explica. A inauguração da sede ocorreu em 1971, com a presença do então ministro da Educação, Jarbas Passarinho.

 

Em 1971, a sede foi inaugurada, com a presença do ministro Jarbas Passarinho(foto: Arquivo/CB/D.A Press )
Em 1971, a sede foi inaugurada, com a presença do ministro Jarbas Passarinho (foto: Arquivo/CB/D.A Press )
 

 

 

Crescimento 

Da relação de aprovados divulgada pelo rádio às ligeiras listas de selecionados disponíveis on-line, muita coisa mudou nas últimas cinco décadas. Hoje, são cinco unidades — além da Asa Norte, Setor Comercial Sul, duas em Taguatinga e Saída Sul —, que recebem cerca de 22 mil alunos de graduação e pós. “A intenção agora é complementar o câmpus de Taguatinga, que nós aumentamos recentemente”, diz o reitor.

 


Diante da proliferação de instituições privadas de ensino superior em Brasília e no país inteiro, o desafio do centro universitário é manter o nível do ensino ofertado, um diferencial diante da concorrência massiva. Outro objetivo que perpassa as ações institucionais é a preparação dos alunos para as mudanças constantes do mercado de trabalho. Parcerias com empresas do setor privado permitem que os estudantes de alguns dos cursos tenham acesso ao mundo do trabalho com mais agilidade.

 

Os fundadores, João Herculino e Alberto Péres, com Ari Cunha(foto: Tadashi Nakagomi/CB/D.A Press)
Os fundadores, João Herculino e Alberto Péres, com Ari Cunha (foto: Tadashi Nakagomi/CB/D.A Press)
 

 

Inovação

Estar atento às demandas do mercado de trabalho exige também a atualização da maneira de ensinar. A implantação da Educação a Distância (EAD) é um dos exemplos. O objetivo do centro universitário hoje é oferecer esse tipo de modalidade apenas quando apresentar um ganho, e conectada com a proposta institucional. Isso porque o fato de os alunos estarem conectados não significa que eles saibam compreender o que está sendo ensinado. “Aprender é a organização do pensamento por meio das informações que ele recebe. Quando ele pega essas informações e só repete, ele não está aprendendo”, afirma o diretor Acadêmico do UniCeub, Carlos Alberto da Cruz. “As trilhas não podem ser facilitadoras para a conclusão do trabalho. Elas têm que ser reflexivas.”

Por meio das chamadas disciplinas institucionais, obrigatórias nos currículos de todas as graduações ofertadas pela instituição — língua portuguesa, sociologia, ética e empreendedorismo —, o centro universitário pretende preencher as lacunas existentes entre o ensino médio e o superior. “Se a gente dá a pergunta e a resposta, ele vai sair do ensino superior como sai do ensino médio, com muitas informações, mas sem a capacidade de entender e seguir na educação continuada aprendendo. Nós estamos capacitando o aluno para assumir a responsabilidade de fazer a síntese do conteúdo que lê. Isso é muito difícil para ele, mas é esse aluno que a gente quer no mercado de trabalho, que tenha condições de absorver as demandas e entender que precisa se posicionar em termos de resolução de problemas”, finaliza o diretor Acadêmico.

 

 

Em 1973, sediou o festival de música(foto: A. Dorgivan/CB/D.A Press)
Em 1973, sediou o festival de música (foto: A. Dorgivan/CB/D.A Press)
  

 

Debate sobre o futuro

 

Na quarta e na quinta-feira, o UniCeub promove, para a comunidade acadêmica do centro universitário, o evento Campus do amanhã,  parte das comemorações dos 50 anos de fundação. O objetivo é discutir,  com a presença de especialistas internacionais, novos caminhos para a educação e o uso de ferramentas tecnológicas e inovadoras na área, no Centro Internacional de Convenções de Brasília (CICB).

No primeiro dia, a jornalista americana Esther Wojcicki, referência na plataforma Google for Education, fala sobre novas propostas de ensino. Ela defende mais autonomia aos alunos, em uma relação com professores que se paute por confiança e colaboração. Já o futurólogo dinamarquês Peter Kronstrom apresentará novos caminhos e modelos para a educação no futuro.

Na quinta-feira, o pesquisador Luciano Meira discorre sobre novas estratégias na sala de aula por meio da utilização da gamificação. Logo depois, o palestrante e humorista Murilo Gun fala sobre empreendedorismo na educação e no mercado de trabalho. O evento comemorativo reunirá profissionais da educação e é aberto a professores e alunos do UniCeub, além de convidados.

 

Em 1979, o prédio do segundo grau(foto: Arquivo CB/D.A Press)
Em 1979, o prédio do segundo grau (foto: Arquivo CB/D.A Press)
 

 

 

100 mil 
Número estimado de profissionais formados pelo UniCeub até hoje

750
Número de professores no quadro da instituição atualmente

40 
Cursos de graduação oferecidos pelo centro universitário

1970
Ano em que foi inaugurado o primeiro câmpus, na Asa Norte

20 mil
Quantidade aproximada de alunos na graduação hoje

 

 

Cinco perguntas para

Getúlio Américo Moreira Lopes, reitor do UniCeub 

 

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 

 

Que pontos do trabalho desenvolvido nesses 50 anos o senhor destacaria?

O projeto hoje é consolidado, mas está sempre se fazendo, não pode parar, tem de estar à frente, despontando. O UniCeub sempre se preocupou com isso e foi muito ligado à comunidade, com respostas prontas, sempre presente. Nós começamos a funcionar em 1968. A ideia inicial era fazer um colégio, e chamaram meu pai, João Herculino de Souza Lopes (deputado federal), para isso, em 1967. Ele não topou a ideia, mas sugeriu fazer uma universidade.

Quando o senhor olha para esses 50 anos, consegue resumir qual é a missão do UniCeub hoje?

Integrar a nossa comunidade, com alunos capazes de serem reflexivos, alunos que sejam cidadãos e éticos, que somem à coletividade, como elemento agregador, com o objetivo de fazer a comunidade crescer, e crescer bem e forte. Isso é o que tentamos fazer. São 50 anos nessa perspectiva. Desde que meu pai começou, ele colocou cidadania e ética como os principais objetivos e fundamentos para crescermos, e em uma cidade melhor.

Como foi a evolução até se tornar também oficialmente centro universitário?

Em 1998, nós nos tornamos centro universitário. E foi isso o que nos deu também autonomia. Porque o centro universitário tem autonomia de criar a maioria dos cursos, o que nos possibilitou uma grande expansão. Conseguimos chegar à área de saúde, à de engenharia e aumentar a nossa oferta.

O país vive uma crise. Como enxerga esse momento e, na sua visão de cidadão e da área em que atua, de que forma é possível sair dessa situação?

Realmente, é uma crise muito complicada. O Brasil perdeu valores e nós temos feito o máximo para incentivar a cidadania, a ética. Quando vem uma crise dessas, ninguém fica de fora, todos sofremos. Tivemos que tomar novas atitudes para captar alunos, mas sem perder a qualidade. E a educação é o único caminho para conseguirmos mudar, mas, para isso, é preciso um programa de Estado. Não pode ser algo feito aqui ou ali. Precisamos de um investimento de 20 anos, que comece nas bases e que acompanhe o aluno até chegar à faculdade. Se isso fosse feito, em 20 anos nós conseguiríamos mudar o país.

É um desafio dar respostas para as mudanças que ocorrem no mundo do trabalho hoje? O relacionamento com empresas ajuda em uma resposta mais ágil?

 

Sim. Ajuda muito, a resposta delas é sempre muito interessante para a gente. Quando os alunos vão para estágios, eles trazem para nós um retorno que vai nos atualizando e nos faz discutir o que vamos mudar. Então, nossos projetos pedagógicos vão sendo ajustados conforme isso vai acontecendo, a fim de preparar os estudantes para essas novas realidades. 

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