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Correio Braziliense

Familiares e amigos se despedem de Rubens Leal, colaborador do Correio

Misto de indignação e tristeza marcam velório de Rubens Leal, morto no domingo passado. Amigos lembram a generosidade e a alegria do revisor


postado em 15/05/2018 13:03 / atualizado em 15/05/2018 16:06

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
Com um misto de indignação e profunda tristeza, familiares, amigos e colegas de trabalho de Rubens Bonfim Leal foram ao Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, na tarde desta terça-feira (15/5), despedir-se do colaborador do Correiobrutalmente assassinado no último domingo, aos 35 anos. O velório de Rubens começou às 12h e terminou por volta de 15h, quando ocorreu o sepultamento.

Logo no começo do velório, às 12h, dezenas de pessoas já se reuniam na Capela 3 do cemitério para prestar homenagem a Rubens. "Aceitar sua perda está sendo muito difícil. Nós morávamos juntos e, todas as noites, ele vinha conversar comigo. Vou sentir falta dessa companhia", contou João Vitor Alcântara, 16 anos, sobrinho de Rubens, que trabalhava no Correio como revisor havia um ano. "Fui o primeiro a saber da morte do meu tio. No momento, fiquei sem reação. Foi um choque muito grande", completou o jovem.

(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
Na capela, muitos não conseguiram segurar as lágrimas. Apesar da comoção, quem ficava ao lado do caixão do cearense encontrava forças para demonstrar o quanto Rubens era querido e admirado. Foi o caso da estudante de educação física Renata Chavier, 33: "Nós nos conhecemos há sete anos. Não importava o horário, ele estava sorrindo e brincando. O Rubens se permitia viver, independentemente da situação". Ela levou um buquê de rosas brancas. "Com essas flores, eu quero que ele tenha paz, onde quer que esteja. Ele sempre trouxe alegria", contou.

Amiga de Rubens há uma década, a executiva de vendas Jaquelaine Silva, 42, disse que ainda não conseguiu assimilar a perda de Rubens. "Do jeito que tudo aconteceu, é muito revoltante saber que ninguém fez nada para impedir. A tristeza é enorme", comentou. Para ela, a principal lição que Rubens deixou durante os anos de amizade foi a alegria de viver. "Ele era único. Tinha um alto astral enorme. Era impossível ficar triste na sua companhia. Mesmo com sua simplicidade, conseguia ser uma luz para todas as pessoas", acrescentou.
 
A prestatividade de Rubens com a família era uma das qualidades mais admiradas pelos conhecidos. Devido ao estado de saúde do pai, Pedro Leal Santos, 71, Rubens o acompanhava nas consultas que ele precisava fazer devido a um câncer na face. O zelo era o mesmo com a mãe, Francisca Bonfim, 67. Durante o velório, os dois não saíram do lado do caixão, e foram os mais consolados. De tão emocionados, nenhum deles conseguiu falar com a reportagem. Nessa segunda-feira (14/5), inclusive, Rubens iria com os pais a Goiânia para uma das consultas de Pedro.
 
Às 14h30, o padre Mário Bandeira, da Paróquia Divino Espírito Santo, do Guará 2, compareceu à capela para fazer uma missa em homenagem a Rubens. Era nessa igreja que o cearense cantava, sempre nas liturgias. 

Um dos momentos de maior comoção aconteceu quando o caixão foi fechado. Depois de verem Rubens pela última vez, as quase 200 pessoas presentes na capela não conseguiram evitar as lágrimas. 

Um coral da igreja em que Rubens se apresentava cantou músicas durante todo o cortejo. Na caminhada até o local onde o cearense seria enterrado, a melodia cristã era o único som: em silêncio, e com flores nas mãos, familiares, colegas de trabalho e amigos seguiam o carro que o transportava.   
 
A pedidos da mãe de Rubens, os presentes rezaram mais uma vez. Bastante comovida, Francisca disse algumas palavras ao filho antes de o caixão ser enterrado. Com palmas, todos se despediram de Rubens. 

Mesmo depois do enterro, o cortejo permaneceu no local. Muitas flores, de diferentes cores, foram depositadas em cima do túmulo. Amigos e familiares aproveitaram o momento para prestar as últimas homenagens ao revisor, com textos e músicas. Em um deles, o tradutor William Tomaz, 32, fechou o seu discurso com um desabafo. "Rubens, presente!". 

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