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Correio Braziliense

Indefinições em alianças nacionais influenciam nas eleições do DF

Lideranças locais aguardam definições das Executivas nacionais a fim de decidir quem estará na disputa para cargos no Buriti, na Câmara Legislativa e no Congresso. As candidaturas devem estar fechadas até 15 de agosto


postado em 18/05/2018 06:00

Há meses, o governador flerta com o PSDB. Apesar do distanciamento em razão de embates entre as siglas em outras unidades da Federação, Rollemberg não desistiu da alianç(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Há meses, o governador flerta com o PSDB. Apesar do distanciamento em razão de embates entre as siglas em outras unidades da Federação, Rollemberg não desistiu da alianç (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


A indefinição relativa às alianças de presidenciáveis como Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), a lacuna deixada pelo ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (PSB) e a insistência do PT na candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vão além da corrida para o Palácio do Planalto. No Distrito Federal, os pré-candidatos ao Palácio do Buriti aguardam a decisão do cenário geral para amadurecer coligações com a certeza de que serão avalizadas pelas Executivas nacionais.

Por causa das seguidas derrotas de Lula na Justiça, o PT-DF está no limbo. Sem o ex-presidente nos comícios da capital, caciques da sigla temem o baixo apoio do eleitorado. Preferem, então, apostar as fichas em candidaturas menos arriscadas, como para deputado federal e distrital. Por ora, apenas o bancário aposentado Afonso Magalhães se colocou à disposição para concorrer ao GDF. Em busca de um nome de maior expressão, lideranças assinaram um documento, no qual pedem que a deputada federal Erika Kokay entre no páreo, pois outros nomes “não empolgaram a militância”.

Após a divulgação da carta, entretanto, a parlamentar e presidente regional da legenda reafirmou o projeto de reeleição à Câmara dos Deputados. Petistas também encontram dificuldades para formar alianças em razão das remotas chances de Lula — preso na Polícia Federal, em Curitiba, há pouco mais de um mês — participar da corrida presidencial. Até agora, o PT-DF não conseguiu fechar acordo com partidos de centro-esquerda. Por isso, correntes internas pedem a extensão do prazo para a apresentação de propostas de coligação — a estimativa, baseada no calendário nacional, era de que os planos fossem entregues até o último dia 11.

Base ou oposição


Uma das pré-candidaturas que dependem do fechamento de alianças nacionais para decolar é a do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), ao Senado. O partido dele está entre dois caminhos. Na via de sua preferência, integraria a frente de centro-direita encabeçada por Jofran Frejat (PR), desde que tivesse a garantia de um palanque eleitoral ao presidenciável Ciro Gomes (PDT). Isso será possível se o PR liberar os diretórios estaduais para apoiar os candidatos mais convenientes em cada região ou se o partido consolidar o apoio nacional a Ciro. Nacionalmente, porém, a preferência do PDT é por uma aliança de centro-esquerda, com partidos como o PSB — no DF, o governador Rodrigo Rollemberg tentará a reeleição. Nesse caso, um representante pedetista teria lugar na chapa do chefe do Buriti.

As duas opções desagradam parcelas dos filiados ao PDT-DF, que preferiam a candidatura de Joe Valle ao Executivo local. Eles não aprovam, por exemplo, a união a nomes que integram a chapa de Frejat, como o deputado federal e pré-candidato ao Senado Alberto Fraga (DEM). Mas consideram que as rusgas sejam ainda maiores com Rollemberg, pois o partido deixou a base aliada em outubro de 2017 e tem feito oposição ao socialista, desde então.

Jofran Frejat pretende encontrar o presidente nacional do PR, Valdemar Costa Neto, para checar qual será a postura da sigla no país, uma vez que não detém candidato próprio ao Planalto. “Em outras ocasiões, ficamos livres para apoiar as candidaturas convenientes”, relembrou Frejat.

Além do PDT, Rollemberg considera alianças com PSDB e Rede. No caso da aliança com tucanos, o governador pensa que denominadores comuns, como os estados do Espírito Santo e São Paulo, onde as relações são amistosas, podem aproximar as siglas. Com a Rede, a relação é antiga. Em 2014, o PSB deu espaço para Marina Silva concorrer à Presidência da República. A aliança garantiria o pré-candidato ao Senado Chico Leite em sua chapa.

Briga de egos


O grupo liderado por Rogério Rosso (PSD) e Cristovam Buarque (PPS), integrado ainda pelos pré-candidatos ao Buriti Alírio Neto (PTB) e Izalci Lucas (PSDB), está alinhado às negociações nacionais. Na corrida presidencial, as siglas apoiam a candidatura de Geraldo Alckmin. Cristovam, por exemplo, vai elaborar o plano de governo para a educação do presidenciável. A consolidação regional, contudo, esbarra em briga de egos. No desfecho mais recente, Cristovam propôs a fusão de seu grupo ao de Frejat, em busca da unidade da oposição. O movimento desagradou Alírio. O ex-distrital garantiu que, caso a possibilidade seja concretizada, buscará novas composições ou até uma chapa puro-sangue do PTB.

Antes disso, o petebista e Izalci estavam longe do consenso sobre a cabeça de chapa. Nenhum deles pretende abrir mão da disputa, porque aparecem tecnicamente empatados em pesquisa encomendada pelo grupo. Quando observados outros critérios, o cenário permanece incerto: o tucano proporciona mais tempo de tevê ao grupo durante a propaganda eleitoral gratuita e Alírio conta com a estrutura da legenda, além do apoio explícito da nacional à candidatura.

Há meses, o governador flerta com o PSDB. Apesar do distanciamento em razão de embates entre as siglas em outras unidades da Federação, Rollemberg não desistiu da alianç(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Há meses, o governador flerta com o PSDB. Apesar do distanciamento em razão de embates entre as siglas em outras unidades da Federação, Rollemberg não desistiu da alianç (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Articulações


Confira a influência da corrida presidencial no jogo político na capital e quais candidatos do DF podem ser beneficiados a depender das composições nacionais

Ciro Gomes (PDT), ex-governador do Ceará 

Rodrigo Rollemberg (PSB) — Desde que o ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa abriu mão da candidatura, as negociações entre socialistas e pedetistas ganharam força. Em caso de apoio ao presidenciável, o PSB pedirá, em troca, o apoio do PDT aos candidatos a governos estaduais, como o chefe do Palácio do Buriti

Joe Valle (PDT) — Pré-candidato ao Senado, o pedetista pretende concorrer na chapa encabeçada por Jofran Frejat (PR). O partido do distrital integra a lista daqueles que consideram apoiar a candidatura presidencial do PDT para evitar a implosão do centro. Nesse caso, Frejat estaria livre para abrir as portas a Joe, com a garantia de um palanque para Ciro no DF

Outros candidatos do PDT — Caso frustrados outros planos, o PDT pode apostar numa candidatura própria ao GDF. O partido, entretanto, teria dificuldades em encontrar um nome de peso, pois a principal liderança na capital, Joe Valle, garantiu que não pretende entrar no páreo em razão de problemas pessoais


Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governador de São Paulo 

Izalci Lucas (PSDB) — O deputado federal busca o apoio nacional do partido para alavancar a candidatura ao Palácio do Buriti. Correligionário de Alckmin, seria o responsável natural pelo palanque eleitoral do tucano. A condição, entretanto, depende das alianças firmadas pela sigla a nível nacional nos próximos meses

Alírio Neto (PTB) — Presidente de uma das primeiras siglas a firmar aliança com Alckmin, Roberto Jefferson busca viabilizar o apoio do tucano a Alírio.  Seria uma espécie de retribuição pelo apoio nacional ao presidenciável

Rodrigo Rollemberg (PSB) — Há meses, o governador flerta com o PSDB. Apesar do distanciamento em razão de embates entre as siglas em outras unidades da Federação, Rollemberg não desistiu da aliança. Os trunfos 
seriam os denominadores comuns, como São Paulo e Espírito Santo,  onde socialistas e tucanos são próximos


Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente da República

PT — Com a insistência na candidatura do ex-presidente Lula, preso há pouco mais de um mês e inelegível pelos termos da Lei da Ficha Limpa, o Partido dos Trabalhadores enfrenta dificuldades na formação de alianças e para conseguir nomes de peso para a disputa de governos estaduais. No DF, apenas o bancário Afonso Magalhães se colocou à disposição da sigla. Nesta semana, lideranças pediram, em carta aberta, que a deputada federal Erika Kokay entre no páreo. Pela segunda vez desde as eleições diretas no DF, a tendência é de que o partido concorra com uma chapa puro-sangue

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