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Correio Braziliense

Celebração mundial relembra importância da doação de leite humano

Hoje é o Dia Mundial da Doação de Leite Humano. Saiba por que é importante continuar com a prática


postado em 19/05/2018 07:00

Fernanda com a filha Julia: solidariedade em primeiro lugar(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Fernanda com a filha Julia: solidariedade em primeiro lugar (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Para quem não entende a importância, é apenas um potinho com leite, mas quem recebe esse potinho sabe muito bem o que significa: solidariedade e vida. Doar leite humano é um ato que alimenta esperanças, sonhos e gratidão. E é com o intuito de incentivar essa ação que o Dia Nacional/Mundial da Doação de Leite Humano, comemorado hoje, além de conscientizar a amamentação, busca promover reflexão a respeito da importância que o leite materno traz ao desenvolvimento do bebê.

No Distrito Federal, segundo dados apresentados pela coordenadora do Banco de Leite Humano de Brasília (BLH), Miriam Santos, há em média 435 novas doadoras por mês, somadas com as ativas são cerca de mil lactantes que cooperam com o BLH, responsável por coletar mensalmente, por intermédio de 15 bancos e de 13 postos de coleta, 1.350 litros do alimento (o ideal seria uma média de 1.500 litros). “No mês de abril conseguimos coletar 1.540 litros, o que deveria ser o mínimo de cada mês. Com esse número conseguimos atender crianças das UTIs neonatais da rede pública. O ideal seria atender qualquer bebê das maternidades, inclusive privadas”, aponta.

Para tentar ampliar essa meta, Miriam explica que a Secretaria de Saúde trabalha em conjunto com as maternidades privadas, oferecendo capacitação para os profissionais para aumentar a quantidade de postos de coleta e bancos de leite nessas unidades. “A missão é fazer com que mais crianças recebam esse leite.”

Brasília carrega um título importante, é conhecida como a capital de doação de leite materno. Miriam acredita que isso acontece em função da quantidade coletada,  capaz de atender todos os bebês que mais precisam. Além do trabalho em conjunto. A parceria com o Corpo de Bombeiros, por exemplo, completa 30 anos em 2019. “O primeiro banco foi inaugurado há 40 anos, se tornou uma tradição em Brasília. O reconhecimento é resultado desse trabalho todo e da conscientização. A mãe que doa, distribui esperança e contribui para que esses bebês carentes de alimento se recuperem mais rápido e voltem para casa nos braços dos pais”, conclui.
 
A estudante de psicologia Fernanda Rocha, 20, é doadora de leite humano há cerca de um mês. Ela conta que começou a doar uma semana após o nascimento de sua bebê, Julia, agora com um 1,5 mês de vida. Fernanda produz em grande quantidade, o que estava provocando pedras nos seios. Foi quando uma tia indicou que ela procurasse um BLH para fazer doações.

Além de ter aprendido a massagear os seios para tirar as pedras, Fernanda também aprendeu a fazer a ordenha manual para colher o leite. “Pegaram o meu contato e toda segunda-feira eles mandam alguém para buscar.”

Para fazer a coleta do leite, é preciso que a doadora esteja usando máscaras no rosto, lave as mãos até os cotovelos, lave os seios e faça a ordenha manual. Fernanda conta que mesmo sabendo do processo de pasteurização que o leite passa, é importante seguir as orientações corretamente.

A moradora de Águas Claras se sente aliviada e realizada. “Dói muito ficar com esse leite que a Julia não mama. Eu tive um primo que o bebê dele nasceu prematuro e ficou na UTI por três meses e tomava apenas 3ml de leite. Então um bebê, como esse do meu primo, sobrevive com apenas um vidro desse que eu doo. É vida!”

Beatriz Gomes, 23, é mãe do Omar, de 2 meses e 7 dias de idade. Beatriz conta que, ao nascer, Omar ficou no Centro de Tratamentos Intensivos para bebês e, no primeiro dia, precisou tomar leite do banco de leite. Lá, ela conheceu outras mães que ainda não tinham produção suficiente para os bebês, na maioria prematuros, e precisavam tomar o leite do banco. No centro, Beatriz, que é hiperlactante, ou seja, tem uma grande produção, foi orientada por uma enfermeira a fazer as doações. Até os 45 dias de vida de seu bebê, ela doava de um a dois potes por dia, ou seja, entre 11 e 12 frascos de 300ml por semana. Agora, faz a doação de cerca de três frascos.

De acordo com a moradora de Santa Maria, é essencial que as doações sejam feitas para ajudar na luta diárias dos bebês que buscam pela sobrevivência. “Muitas mães têm receio, porque elas acham que se doar vai faltar para o bebê delas, mas é totalmente o contrário. Quanto mais doa, mais tem. Mesmo para mães que têm pouca produção, é bom doar porque vai aumentar.”

Mamaço

Hoje, às 15h, acontece o “mamaço”, no shopping Conjunto Nacional. Além de reunir mães que amamentam, o evento inicia a campanha Aqui Tem Vida, de arrecadação de frascos de vidro. Além disso, o shopping vai receber uma roda de conversa sobre a importância da amamentação e workshop que debaterá os mitos e verdades da alimentação durante a gravidez.
 

14 Passos para doar


1. Procure tirar o leite em um lugar limpo e tranquilo da casa.

2. Use potes de vidro com tampa plástica.

3. Ferva os potes por 15 minutos e deixe que sequem sobre um pano limpo.

4. Use uma touca ou um lenço na cabeça.

5. Coloque uma máscara ou amarre uma fralda sobre o nariz e a boca.

6. Lave as mãos e os braços até o cotovelo com bastante água e sabão.

7. Lave as mamas apenas com água.

8. Seque as mamas e as mãos com um pano limpo.

9. Massageie os seios com a ponta dos dedos, com movimentos circulares, e inicie a coleta diretamente no pote.

10. Encha o pote até faltarem dois dedos para completá-lo e, caso seja necessário, recomece uma nova coleta em outro pote higienizado.

11. Identifique o pote com seu nome e a data em que retirou o leite pela primeira vez. Para completar um pote que já está no congelador, faça a coleta em um copo de vidro e, depois, despeje no pote.

12. O leite pode ficar até 10 dias no congelador ou no freezer.

13. Para agendar a coleta, ligue no número 160, opção 4.

14. O Corpo de Bombeiros buscará a doação em sua casa

Fonte: Amamenta Brasília.
 
* Estagiárias sob supervisão de José Carlos Vieira 

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