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Correio Braziliense

Em cinco anos, cresce 20 vezes o número de startups instaladas no DF

Momento é de aproveitar a evolução e atrair mais empresários para o setor, que tem a inovação como meta. O Correio conta três histórias de sucesso


postado em 29/05/2018 06:00 / atualizado em 29/05/2018 12:46

O número de startups na capital federal passou de cerca de 20, em meados de 2012, para aproximadamente 400 em 2017. Um salto de 1.900%. Os dados são da Associação de Startups e Empreendedores Digitais do Brasil (Asteps) e refletem o bom momento do setor, que ainda tem espaço para crescer. Uma das principais metas agora é aproveitar a evolução dessas empresas no DF e começar a pavimentar um cenário em que trabalhar no setor seja tão convidativo quanto, por exemplo, fazer concurso público.


“Trabalhamos, agora, para que a remuneração seja tão competitiva quanto a de servidores públicos. Os salários são uma forma de atrair o jovem para uma carreira pública. Existem ótimos profissionais que acabam levados pelo governo e que, nas empresas, poderiam trazer soluções importantes”, defende o presidente da Asteps, Hugo Giallanza.

Promover a cultura das startups é uma das missões da Ei! Comunidade de Empreendedorismo, programa de educação empreendedora da Fundação Assis Chateaubriand, criado para ajudar os participantes a desenvolver características como criatividade, liderança, capacidade de lidar com o risco no mercado e de planejar e gerir projetos.

“Além do desenvolvimento humano, que chamamos de aceleração de pessoas, oferecemos uma experiência empreendedora. Serão 16 semanas com um método que será posto em prática em empresas já consolidadas”, explica a superintendente executiva da fundação, Mariana Borges. Interessados podem saber mais pelo site www.facbrasil.org.br/ei. Conheça a seguir três casos de startups brasilienses que deram certo.

Biotecnologia na produção de cerveja 


 

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
As professoras da Universidade de Brasília (UnB) Nádia Skorupa Parachin, 36 anos, (à esquerda na foto) e Grace Ghesti, 34, criaram a startup Integra. Do ramo da biotecnologia, área em que ambas lecionam, o empreendimento surgiu como uma solução para resíduos industriais. Elas produziram uma levedura — micro-organismo geralmente utilizado na produção de cerveja — geneticamente modificada, capaz de produzir bioplástico de restos de biodiesel.

Ampliaram os negócios e, desde 2015, também produz levedura de alta performance. O produto garante resultados mais eficientes na produção de variados tipos de cerveja. Além disso, a startup é a primeira do Centro-Oeste a conseguir um financiamento de R$ 1 milhão da Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa (Finep). A verba será investida na ampliação desse negócio.

O segredo, segundo Nadia Skorupa, é o cuidado no cultivo do micro-organismo. “As leveduras para alimento não podem ser modificadas geneticamente. Meu doutorado é em fisiologia de leveduras e tenho uma coleção pessoal que utilizo. São 15 anos de trabalho com o insumo. Já trouxe algumas utilizadas no Japão”, conta.

Na última quinta-feira, a empresa fechou uma parceria para operar na Universidade Católica de Brasília até ter a capacidade de montar a própria unidade de operação. A gestão de negócios da startup é feita pela Circle, empresa especializada em encontrar e dar suporte a grupos com soluções inovadoras.

Alta performance

» A Integra surgiu em 2012, para modificar geneticamente micro-organismos e usar resíduos agroindustriais com o objetivo de produzir valor agregado. A startup usou, por exemplo, engenharia metabólica para desenvolver uma levedura que consome glicerina, principal resíduo do biodiesel, e produz bioplástico. A mais nova empreitada é o tratamento da levedura, dessa vez sem alterações em sua estrutura-base, para produção de cerveja. O produto garante um sabor mais próximo do esperado, rende mais e tem menor chance de contaminação.

Serviços conectados na saúde 


 

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Com um grupo de amigos, Gustavo Meneghetti criou uma startup para solucionar o problema de quem não tem dinheiro para pagar um plano de saúde. O aplicativo Convir conecta médicos e clínicas dispostos a cobrarem mais barato por uma consulta ou exame a quem precisa dos serviços. O profissional ou o estabelecimento de saúde pagam uma taxa de R$ 45.

Meneghetti explica que a plataforma não cobra nenhuma taxa atrelada ao preço da consulta. O serviço inclui uma agenda com horários disponibilizados pelo médico e notificações para o paciente, com 24 horas de antecedência, para que ele confirme a presença, e no dia da consulta, para que ele não se esqueça de comparecer. “Esse processo de agenda automatizada reduz as ausências em cerca de 30%”, afirma.

No mercado há dois meses, o aplicativo conta com cerca de mil pacientes e 20 profissionais de saúde, entre médicos, dentistas, psicólogos e outros. “A empresa tem uma escalabilidade alta e já está dando retorno. Com o mesmo serviço, atingimos várias pessoas, oferecemos o serviço sem aumentar os nossos custos e temos investidores interessados. A Apple começou em uma garagem e também somos dessa concepção. Começamos com baixo investimento para agregar muito valor”, explica.

Médicos para todos

» Pensado para o brasileiro que não tem acesso a um plano de saúde, precisa de um médico e amarga nas filas do sistema público, o aplicativo Convir promete ligar pacientes a médicos de maneira dinâmica e eficiente. Mais do que isso, voltado para a população de baixa renda, reúne um corpo de profissionais que cobra menos pela consulta ou por exames. A plataforma da startup também permite que os profissionais de saúde preparem uma agenda e disponibilizem horários para os pacientes.


Tradução simultânea em múltiplos canais


(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
Referência internacional quando o assunto é tradução simultânea, o mineiro radicado em Brasília Ewandro Magalhães, 54 anos, traçou uma longa trajetória como intérprete, agregando e produzindo conhecimento na área, até se tornar chefe de interpretação na startup Kudo, em Nova York. A empresa criou um aplicativo de conferências virtuais que se destaca por viabilizar justamente o serviço de tradução simultânea durante as ligações.

A reportagem entrevistou Ewandro usando a plataforma e explorando outros serviços disponíveis pelo programa, que pode rodar tanto em um computador quanto em um smartphone. A trajetória do empreendedor começou de forma incomum, como funcionário público da Câmara dos Deputados. “Socorri o então presidente da Casa, Ibsen Pinheiro, durante uma reunião com o príncipe consorte da rainha da Inglaterra, Phillip. Depois, pedi demissão e fundei minha própria agência de tradução, que geri por 17 anos”, recorda.

Ewandro deixou a agência para estudar tradução simultânea nos Estados Unidos. Trabalhou na Casa Branca, no Fundo Monetário Internacional (FMI) e na Organização das Nações Unidas (ONU) antes de ser convidado pelo CEO da Kudo, Fardad Zabetian, a assumir o cargo na startup. “Não considero que seja o fim da interpretação presencial. Viemos para atender determinadas circunstâncias. Em uma conferência de emergência ou em uma situação de desastre natural, as pessoas não vão ter que se deslocar de última hora para uma determinada região”, exemplifica.

Escala global

» A Kudo é uma plataforma similar a programas como o Skype, mas que usa a nuvem para transmitir dados durante conferências. Tem como principal característica a possibilidade de uso de interpretação simultânea durante os encontros virtuais. Nesse caso, o intérprete também se conecta ao aplicativo e se integra à reunião a partir de outro canal, e pode estar em qualquer parte do mundo. O produto é voltado para reuniões empresariais e grandes conferências.

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