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Correio Braziliense

Após morte de funcionário, comerciantes da Praça do Bicalho fazem protesto

As lojas e casas da região estão com faixas e panos pretos como forma de luto. Populares pedem mais policiamento no local


postado em 06/06/2018 19:00 / atualizado em 06/06/2018 21:55

Aproximadamente 100 lojas e casas estão com faixas e panos pretos como forma de protesto(foto: Arquivo Pessoal)
Aproximadamente 100 lojas e casas estão com faixas e panos pretos como forma de protesto (foto: Arquivo Pessoal)
 
Comerciantes e moradores da Praça do Bicalho colocaram, na tarde desta quarta-feira (6/6), faixas e panos pretos nas entradas das lojas e residências como uma forma de luto e protesto contra a morte do funcionário do Mercado Três Irmãos, baleado na noite de ontem após um assalto no estabelecimento onde trabalhava há 17 anos. Mais de 100 lojas aderiram ao protesto. O supermercado amanheceu fechado. 

Alexsandro Vieira da Silva, 31 anos, era caixa do local. Após sofrer o assalto, ele foi atrás do suspeito, com um revólver na mão.  Porém, de acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal, o assaltante conseguiu pegar a arma e atirar contra o Alexsandro. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu antes de chegar ao hospital. Outro comerciante, Paulo Sérgio da Silva, 45, foi atingido na perna, mas passa bem.

Os investigadores acreditam que esta foi a dinâmica do crime, mas as imagens de segurança não foram suficientes para determinar se o assaltante de fato atirou com a arma da própria vítima. A perícia vai esclarecer este ponto. 

O crime chocou populares, que sentiram a necessidade de se organizarem para pedir por segurança. "Entramos em contato com o Batalhão de Taguatinga para saber como ficará a segurança daqui pra frente na Praça do Bicalho. A gente se depara frequentemente com situação de insegurança, violência, tiro para todos os lados. Em nome de Alexsandro e de todos que sofrem com esta falta de policiamento estamos buscando respostas", declarou a publicitária Odaíse Amorim Reis, 37 anos, dona de um escritório de comunicação na região. 

Por conta dos assaltos rotineiros, os comerciantes alegam que não se sentem tranquilos para trabalhar. É o caso da Tatiany Máximo, 44, que tem uma loja de chocolates a poucos metros do Mercado Três Irmãos. "Já fui assaltada, assim como todos os comerciantes da região. É exceção achar alguém que não tenha passado por isso. É um trauma, um risco de vida que eu já tive que passar cinco vezes", lamentou. 
 
O major da Polícia Militar Michello Bueno afirmou que o policiamento na área será reforçado. "A população deve sempre acionar ao Batalhão para trabalharmos em conjunto. Porém, o grande desafio que hoje enfrentamos são as reincidências, ou seja, criminosos com diversas passagens voltando às ruas", destacou. 

O assalto ao Supermercado Três Irmãos está sendo investigado pela 17ª DP (Taguatinga Centro). De acordo com o delegado-chefe da unidade, Joás Rosa de Souza, a suspeita é de que o homem flagrado nas câmeras de segurança não agiu sozinho. "Acreditamos que tenham duas pessoas ou mais na ação. As testemunhas já começaram a ser ouvidas". O delegado destaca a importância de não reagir a assaltos. "Mesmo acreditando que está em vantagem, não se deve reagir.  A vítima não sabe se o assaltante tem apoio de outras pessoas", concluiu. 

Alexsandro deixou dois filhos, um de 8 anos e um de 12, e a mulher. O velório está marcado para esta quinta-feira (7/6), `ss 10h, na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga. 

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