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Correio Braziliense

PM que afirmou ter sido assaltado será investigado por homicídio

Polícia Civil descarta a possibilidade de latrocínio. Segundo o delegado, os dois se conheciam e beberam juntos antes do crime


postado em 07/06/2018 16:45 / atualizado em 07/06/2018 18:02

Para investigadores, cena do crime é incompatível com versão de latrocínio(foto: Reprodução)
Para investigadores, cena do crime é incompatível com versão de latrocínio (foto: Reprodução)
O policial miltiar que atirou e matou Rafael dos Santos Barbosa, 32 anos, é investigado por homicídio. A cena do crime e a forma como a vítima foi morta - com tiros a curta distância na cabeça e no pescoço - levaram os investigadores da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro) a descartarem a versão do policial militar de que teria reagido a um assalto. O crime aconteceu na manhã de quarta-feira (6/6), na QNM2, no Centro de Ceilândia.   
 
O delegado-chefe da 15ª DP, André Leite, afirma que vítima e autor moravam na mesma rua, se conheciam, e beberam juntos antes do crime. "Temos imagens deles saindo juntos do último bar em que estiveram. De alguma forma deve ter havido uma dicussão que culminou com os disparos", suspeita. 
 
O PM foi ferido por um tiro na perna e está hospitalizado. Assim que receber alta, deverá ser submetido a exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML) para que os peritos tracem o trajeto da bala no corpo dele. "Trabalhamos com a hipótese de um tiro acidental. A única arma na cena do crime era a do policial. Também não havia outros cartuchos no local", explica André Leite. 
 
De acordo com o delegado, Rafael Barbosa não tinha antecedentes criminais e trabalhava em um comércio. Após a notícia ser veiculada, conhecidos dele, indignados, compareceram à delegacia espontaneamente para contestar a versão de que ele seria criminoso. Ele era casado e deixou um filho de cerca de 2 anos, segundo André Leite.

O policial suspeito de ter matado Rafael também é casado e tem filhos. Segundo Leite, o militar costuma abordar as pessoas sozinho, de madrugada e, nessas abordagens, disparar para o alto. Ele também já foi enquadrado na Lei Maria da Penha. "Temos 30 dias para concluir o inquérito. Vamos esperar a chegada do laudo do local do crime e, confirmando a linha de investigação, ele será responsabilizado por homicídio e levado á Justiça", finalizou o delegado.
 
A Polícia Militar informou, em nota, que "ainda é muito prematuro informar quais serão as providências cabíveis nesse caso". "A PMDF aguarda as investigações da Polícia Civil para iniciar qualquer procedimento administrativo. Informamos, ainda, que o policial já estava no serviço administrativo", finaliza o texto.

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