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Correio Braziliense

Distribuidoras de gás de cozinha têm prejuízo superior a R$ 3 milhões

Ainda não há previsão de normalização da distribuição de gás de cozinha no DF. Refinarias que disponibilizam o produto operam com capacidade reduzida, o que dificulta a chegada do insumo. Sindicato estima perda milionária


postado em 08/06/2018 06:00 / atualizado em 07/06/2018 22:20

Altair contou com a ajuda de amigos para se alimentar durante paralisação; entre segunda e quarta-feira, 80 mil botijões foram entregues às revendas(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Altair contou com a ajuda de amigos para se alimentar durante paralisação; entre segunda e quarta-feira, 80 mil botijões foram entregues às revendas (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Mesmo depois do fim da greve dos caminhoneiros, o abastecimento de gás de cozinha no Distrito Federal ainda não está normalizado. “Estávamos caminhando para a regularização do serviço, mas tivemos um impacto negativo no início da semana. Há uma limitação enorme para o gás chegar a Brasília, porque as refinarias que disponibilizam o produto estão operando com a capacidade reduzida. Com isso, houve queda no abastecimento às distribuidoras do DF e, consequentemente, aos pontos de revenda e ao consumidor”, afirma Sérgio Costa, presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás LP do Distrito Federal (Sindvargas).

Segundo Costa, entre segunda e quarta-feira, 80 mil botijões foram entregues às revendas. A quantidade é suficiente para suprir quatro dias da demanda regular. Entretanto, a situação é preocupante, pois não há estimativa de quando novos caminhões chegarão ao DF trazendo o gás das refinarias do Sudeste. “Há carretas nas estradas, mas com o problema nas refinarias, não sabemos quando novos carregamentos serão entregues às distribuidoras. O nosso setor está sendo muito afetado. Acredito que ainda teremos um longo período de ressaca por conta da greve”, avalia.
 
 

O desabastecimento atingiu a todas as regiões do DF. Cidades como Planaltina, Guará e Ceilândia foram as mais afetadas, de acordo com o Sindvargas, que estima prejuízo superior a R$ 3 milhões. Com o estoque em baixa, os preços dos botijões aumentaram em alguns pontos de revenda. Para tentar coibir a prática, o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon/DF) tem vistoriado depósitos de gás e punido os locais em que há aumento na margem de lucro sem justificativa.

Até segunda-feira, 79 revendas haviam sido examinadas e sete foram autuadas, localizadas em Águas Claras, Sobradinho e Guará. O valor mais caro encontrado pelos fiscais foi de R$ 150 — antes da greve, o valor máximo de um botijão era de R$ 95. O instituto recomenda ao consumidor, em caso de abusos, guardar a nota fiscal e apresentar no Procon ou em qualquer delegacia.

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Preocupação

Motorista de uma revenda do Cruzeiro, Joel Silva, 63 anos, sente-se constrangido. “Todos os dias vem alguém aqui procurando gás, e eu preciso dizer que não tem. As pessoas acham que nós estamos escondendo, mas a verdade é que têm chegado poucos botijões. E, quando chega, acaba rápido”, relata. Na noite de quarta-feira, o depósito onde Joel trabalha recebeu 500 recipientes. Todos foram vendidos antes do meio-dia de ontem. “Não sabemos quando teremos mais botijões”, queixa-se.

Para os consumidores, a apreensão é a mesma. Desempregado, Altair Carvalho, 47, tem de recorrer à ajuda de familiares para não ficar sem se alimentar. “Se eu não tivesse esse amparo, teria que comer em restaurantes. Mas, sem emprego, como conseguiria dinheiro para pagar as refeições? Teria que ficar alternando. Almoçaria dia sim, dia não”, conta. Altair tenta comprar um botijão há quase uma semana, mas reclama dos preços.

O advogado Rubem Assis, 54, se deparou com um ponto de revenda na Cidade Estrutural que cobrava R$ 140 pelo botijão. Ontem, ele comprou um recipiente por R$ 80, no Guará 2. Apesar de ter conseguido um botijão, ele lamenta pelas pessoas que ainda estão sem gás. “Não aconteceu apenas comigo. A greve mostrou o quanto somos dependentes do serviço dos caminhoneiros. O meu medo é de que outra greve aconteça. O trauma pode ser ainda maior”, reclama.

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