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Correio Braziliense

A uma semana do fim do racionamento, especialista alerta: o perigo é agora

Estudiosos criticam a falta de políticas de longo prazo para assegurar a perenidade dos reservatórios


postado em 09/06/2018 08:00 / atualizado em 08/06/2018 23:21

Plataforma flutuante instalada no Lago Paranoá custou R$ 386 mil(foto: Caesb/Divulgação)
Plataforma flutuante instalada no Lago Paranoá custou R$ 386 mil (foto: Caesb/Divulgação)
Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, Brasília recebeu uma série de eventos que tentaram mostrar que, mesmo com o fim do racionamento de água na sexta-feira, é importante não deixar que a conscientização chegue ao fim. Diálogos e debates propostos pelo governo e pela sociedade civil falaram não só sobre água, mas também de lixo urbano, cerrado e animais silvestres. Na quinta-feira, a Câmara Legislativa recebeu integrantes do Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama), evento ocorrido em março e sediado pela primeira vez na capital federal. O objetivo da comissão foi debater a crise da água e a validade do racionamento.

A presença dos integrantes do fórum na Casa foi requerida pelo presidente da Câmara, deputado Joe Valle (PDT), e teve como objetivo emitir sugestões que visem solucionar de forma sistêmica a crise hídrica. Cinco propostas foram indicadas pelos representantes dos movimentos sociais:  preservação dos biomas, educação ambiental efetiva, investimentos para a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), um programa de “cidades sensíveis à água” e gestão popular da água.

Um dos organizadores do Fama, o ativista Thiago Ávila disse que o evento levou o debate sobre o racionamento à Câmara Legislativa. “O rodízio é desigual e covarde, fazendo o pobre sofrer mais”, reclamou. “Mesmo com a medida chegando ao fim, acreditamos que agora começa o desafio para vencer a crise da água. Tivemos uma solução paliativa. É hora do trabalho comunitário, das assembleias populares e das atividades nas escolas, para assim criar a solução sistêmica”, acrescentou. O fim do racionamento deve ocorrer em 15 de junho.

Diálogo contínuo 

Entre especialistas, a visão é de que o tema da água começa a ser esquecido pelos governantes e pela sociedade. O ecossociólogo Eugênio Giovenardi afirmou não ter visto mais ações estruturais para serem desenvolvidas a longo prazo, após a realização dos fóruns Mundial e Alternativo da Água. “Temos dezenas de projetos sendo feitos por grupos sociais. Faltam ações sistemáticas que se relacioname umas com as outras”, criticou.

A execução dessas soluções, segundo o especialista, ainda não está totalmente na mão da sociedade civil, dependendo muito da ação dos governantes. “Não basta suspender o racionamento, precisamos de programas. Nós, como sociedade civil, podemos diminuir o consumo de água, ao passo que o governo tem que aumentar a oferta, a partir de sistemas de captações que sejam inteligentes”, defendeu.

Investimento

Ontem, a Caesb colocou em funcionamento plataforma flutuante para estudar sistemáticamente a qualidade da água do  Paranoá. O investimento foi de R$ 386 mil, vindo de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O equipamento está instalado próximo à Ermida Dom Bosco.

O uso do aparelho “é indispensável devido à utilização da água do reservatório para consumo humano”, escalreceu a Caesb, por meio de nota. A captação na região teve início em outubro de 2017, com a inauguração da Estação de Tratamento de Água do Lago Norte. São retirados cerca de 700 litros de água por segundo, que são somados a mesma quantidade retirada do ribeirão Bananal, próximo ao Parque Nacional de Brasília. A utilização dos recursos  dos dois reservatórios tem contribuído para a alta no nível dos reservatórios do Descoberto e de Santa Maria, os dois principais do Distrito Federal.

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