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Correio Braziliense

Homem morto por PM em faixa de pedestre é enterrado em Planaltina

Francisco Jean Ferreira, 39, foi morto após levar um tiro na cabeça. Disparo foi efetuado por policial militar aposentado. Os dois haviam discutido em uma faixa de pedestres


postado em 09/06/2018 09:13 / atualizado em 09/06/2018 12:08

Francisco Jean Ferreira morreu na noite de quarta-feira (6/6), após passar 11 dias na UTI(foto: Fabiano Nery/Divulgação)
Francisco Jean Ferreira morreu na noite de quarta-feira (6/6), após passar 11 dias na UTI (foto: Fabiano Nery/Divulgação)

 
Amigos, colegas de trabalho e parentes se reúnem no Templo Ecumênico do Cemitério de Planaltina para o último adeus a Francisco Jean Ferreira, 39 anos, baleado na cabeça por um policial militar em 27 de maio após discussão em uma faixa de pedestre da cidade.
 
Francisco morreu no hospital, na quarta-feira (6/6), 10 dias após ser baleado na cabeça por um disparo efetuado pelo policial militar da reserva Rubens Pereira do Nascimento, 52. No momento do crime, Jean estava com os dois filhos, e a esposa, Gabriele Alves de Lima, 26, que também ficou ferida. Gabriele levou um tiro no joelho e precisou ser internada no Hospital Regional de Planaltina (HRP). Em 1º de junho ela recebeu alta e se locomove com o auxílio de muletas. 
 
A companheira do jardineiro ficou ao lado do corpo do marido o tempo todo. "Sem meu marido aqui, nada vai ser igual. Eu espero que a justiça seja feita e que essa pessoa seja presa", desabafou Gabriele, ao Correio

Ela contou como a discussão começou. Jean atravessava a faixa de pedestre com a companheira e os dois filhos, de 10 e 4 anos, quando o militar avançou. "Ele disse que lá não existia faixa, voltou na contramão e começou a discutir com meu marido. Até que eles brigaram. O Jean foi baleado, caiu, mas ainda teve forças para se levantar. A minha única preocupação era com os meus filhos e com ele. Só  fui ver que também estava baleada quando cheguei ao hospital", ressaltou. 
 
Muito abalada, Gabriele não aceitava a morte de Francisco. Chorando, ela pedia para o companheiro não ir embora. A mulher precisou ser amparada, e deixou o cemitério carregada em uma cadeira.
 
Amigos, colegas de trabalho e parentes compareceram ao funeral do jardineiro(foto: Isa Stacciarini/CB/D.A Press)
Amigos, colegas de trabalho e parentes compareceram ao funeral do jardineiro (foto: Isa Stacciarini/CB/D.A Press)


As crianças que estavam com Jean e a mãe também participaram da despedida do pai. Um dos filhos, bastante emocionado, não controlou as lágrimas. "Eu quero o papai. Ele foi no aniversário da minha irmã. Ele tem que ir no meu", gritou o filho mais novo.
 
Cunhado do jardineiro, José Ailton de Jesus, 57 anos, se lembra da dedicação dele. "Ele era um companheiro, uma pessoa trabalhadora, preocupada com o serviço e os filhos. Dedicava muito a família e nunca deixou de dar assistência às crianças. Era um rapaz dedicado, honesto e trabalhador", destacou. 

Skate

Emocionado, o grupo de skate que Jean atuava também compareceu para despedir do amigo. Com o skate na mão, eles pediam por justiça. Um deles era o auxiliar administrativo Myller Santos, 32 anos. "Ele era uma pessoa voltada para o esporte, para o skate e a família. Tinha o projeto do skate como esporte e organizava campeonatos para tirar os meninos da rua. Nunca se meteu em briga e deixa um legado de amizade, trabalho e família", ressaltou.

Investigações

O policial militar tinha porte de arma, e levava uma pistola calibre .380. O objeto foi recolhido dois dias após a discussão. Segundo o delegado Pedro Moraes, chefe da 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), o PM deve responder por homicídio. A Polícia Civil, no entanto, ainda não pediu o indiciamento de Rubens porque agentes ainda investigavam o que poderia ter ocorrido no dia da briga. 
 
“Tínhamos quatro versões sobre o caso, sendo que duas eram mais verossímeis, que eram a narração do policial e da Gabriele. Como ele também veio até a delegacia por vontade própria entregar a arma, não quisemos ser precipitados”, explicou.

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