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Correio Braziliense

Com livros e artesanato, Feira do Livro movimenta leitores e escritores

Na 34ª edição, a feira do livro traz mais de 340 mil volumes e projeta negócios na ordem de R$ 5 milhões


postado em 09/06/2018 17:32

Arlyton Santos: primeira visita ao evento, aos 27 anos, e a pretensão de se tornar escritor(foto: Ricardo Daehn/ D.A. News, Correio Braziliense )
Arlyton Santos: primeira visita ao evento, aos 27 anos, e a pretensão de se tornar escritor (foto: Ricardo Daehn/ D.A. News, Correio Braziliense )
 
 

A regularidade no interesse da funcionária pública Cátia Cristóvão, 51 anos, pela Feira do Livro de Brasília mais uma vez se confirma, quando ela passeia entre os 68 estandes do evento montado no Pátio Brasil Shopping. "Gosto da feira, desde que era no Pavilhão de Exposições do Parque. Tenho paixão pelo livro físico, que resiste à era do digital e da leitura em aparatos eletrônicos. Aliás, vi muitos jovens e crianças, coisa que me surpreende, em se tratando do tempo deles", observou Cátia, com dois volumes adquiridos, debaixo do braço: Deusa do amor (romance de P.C. Cast) e 100 anos da Revolução Russa.

 

Cátia Cristóvão esteve entre os 200 mil leitores estimados pela organização do evento (foto: Ricardo Daehn/ D.A. News, Correio Braziliense )
Cátia Cristóvão esteve entre os 200 mil leitores estimados pela organização do evento (foto: Ricardo Daehn/ D.A. News, Correio Braziliense )

 

Com mais livros comprados, logo de cara, na entrada do evento, que chega à 34ª edição, o operador de telemarketing brasiliense Arlyton Santos, 27 anos, tomava parte, primeira vez. “Se surgir dinheiro, ainda volto”, brincava o jovem, já com cinco volumes comprados. “O preço ajuda”, justificou ele que atualmente vem apostando em clássicos que levam a assinatura de Humberto de Campos e de Jane Austin. “Quero desfocar, quando leio. Tento me desprender da internet e do apelo virtual”, comentou ele, disposto a incrementar o vocabulário, diante da pretensão de ser escritor. “Gosto de ler de tudo, desde os 15 anos. Naquela época, larguei a leitura de quadrinhos”, conta.

 

Com visitação diária entre 10h e 22h, a feira, que segue até 17 de junho, carrega a previsão de negócios da ordem de R$ 5 milhões, com a visitação de 200 mil interessados e pela oferta de mais de 340 mil títulos. A disponibilidade de produtos artesanais reforça o apelo de público. Sob o estandarte de internacional, o evento trará participação de três autores uruguaios: Fabián Severo, Raul Larrosa e Andrés Echeverría.

 

Debates, apresentações musicais, rodas de prosa, contação de histórias, saraus e palestras incrementam a programação. Amanhã (domingo, dia 10 de junho), por exemplo, duas atrações chamam a atenção: além da participação de Lázaro Ramos, que desenvolverá o tema A viagem da caixa mágica, às 16h; a escritora Dad Squarisi terá o auditório do evento para a apresentação da aula-espetáculo Os deuses e a Língua Portuguesa. Às 19h, ao lado de Henrique Rodrigues e Pedro de Almeida, o autor Cristóvão Tezza estará no painel Prêmio Literário: Um trampolim para o futuro.

 

Os pais Robson Aguiar e Evilânia Soares paparicaram o filho Murilo, na primeira vez em que foi à feira(foto: Ricardo Daehn/ D.A. News, Correio Braziliense )
Os pais Robson Aguiar e Evilânia Soares paparicaram o filho Murilo, na primeira vez em que foi à feira (foto: Ricardo Daehn/ D.A. News, Correio Braziliense )

 

 

Apostar no futuro, com investimento em livros, foi justamente a opção do casal Robson Aguiar, servidor público de 38 anos e de Evilânia Soares, estudante de design, aos 33, que compareceram à feira com o filho Murilo, de oito meses. “Viemos em outras edições, mas estamos mais entusiasmados, por ser a primeira vez com o Murilo”, comentou o pai. Logo na passagem pelo primeiro estande, o olhar atento e as mãos inquietas de Murilo confirmavam o potencial de futuro leitor. “Viemos para mostrar os bichinhos dos livros, repassar as experiências sensoriais oferecidas por alguns títulos e ainda nos preparar para melhor contar histórias”, comentou Evilânia. Ter oportunidades para todos os gostos — “ter livros bacanas e de preço bom”, como disse a mãe — foi fator para o envolvimento de Robson e Evilânia.

Robson lembrou da falta de todo este acesso, quando, no Ceará, era criança. “Mais perto da alfabetização é que tive contato com livros”, reforçou. Dispostos a gastar cerca de R$ 120 em títulos, o casal não escondia as preferências pessoais: ele queria buscar literatura e textos com dados históricos, já ela, biografias. “Mas ainda queremos ler mais sobre política, até para fugir de tanta profusão de fake news”, complementou.



 


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