Publicidade

Correio Braziliense

Depois de 'Faroeste Caboclo', 'Eduardo e Mônica' também vai virar filme

Dirigido pelo brasiliense René Sampaio, o mesmo de 'Faroeste caboclo', longa sobre outra canção de Renato Russo está em gravação na cidade


postado em 10/06/2018 08:00 / atualizado em 10/06/2018 10:17

Conhecido por atuações em novelas e minisséries, Gabriel Leone (esq.) será Eduardo. Com carreira internacional consolidada, a atriz Alice Braga (dir.) interpreta Mônica(foto: Globo/Renato Miranda e Henrique Manreza/Divulgação)
Conhecido por atuações em novelas e minisséries, Gabriel Leone (esq.) será Eduardo. Com carreira internacional consolidada, a atriz Alice Braga (dir.) interpreta Mônica (foto: Globo/Renato Miranda e Henrique Manreza/Divulgação)
Após conquistar o país por meio da música, o casal mais famoso de Brasília vai ganhar as telas do Brasil. Estão na cidade o elenco “estrangeiro” e grande parte das equipes técnica e de produção de Eduardo e Mônica, o filme. Eles ficam no Distrito Federal e no Entorno por quase dois meses gravando as cenas do longa-metragem, que será lançado no próximo ano, com um orçamento de R$ 9 milhões e financiamento garantido. Falta definir só atores e figurantes brasilienses. O processo termina esta semana.

Diferentemente de obras cinematográficas produzidas recentemente na capital, como Polícia Federal (2017), destsa vez o Brasil verá apenas a Brasília dos cidadãos comuns, garantem os responsáveis por Eduardo e Mônica. A cidade, além de cenário, será personagem da trama romântica. Os monumentos e o universo político darão lugar às quadras residenciais e comerciais, aos parques, aos bares e a quem habita e frequenta esses lugares, desconhecidos da maioria dos brasileiros.

O pessoal da pré-produção chegou a Brasília em fevereiro, para, entre outras coisas, definir os pontos de locação. Um deles é a região da Chapada dos Veadeiros (GO), onde parte da equipe passou o fim de semana. Também vão servir como cenários o Setor Militar Urbano (SMU), o Hospital das Forças Armadas (HFA), a Universidade de Brasília (UnB), o Parque da Cidade — lugar onde, na canção escrita por Renato Russo, Eduardo e Mônica se encontraram, ela de moto e ele, de “camelo” (gíria brasiliense para bicicleta) —, entre outros.

Missões árduas 

À frente da obra está o brasiliense René Sampaio, 43 anos, o mesmo diretor de Faroeste caboclo (2013), outra canção de Renato Russo adaptada para o cinema. Mas, enquanto Faroeste lembrou a Brasília do fim dos anos 1970 (veja Para saber mais) — quando Renato escreveu a música —, Eduardo e Mônica vai retratar 1986 (leia Memória), ano em que o álbum Dois, da Legião Urbana, foi lançado, trazendo, entre outras, a canção que fala dos encontros e desencontros do improvável casal.

René Sampaio sabe que, assim como em Faroeste caboclo, tem a árdua tarefa de surpreender com a adaptação de uma história já conhecida, sem desagradar ao enorme e exigente fã-clube da Legião Urbana. “Toda adaptação é sempre um diálogo entre a obra original e a visão de um outro artista. O público pode se surpreender com a maneira que decidimos contar essa história tão brasiliense, mesmo já tendo conhecimento profundo dos personagens”, adianta o diretor.

Os atores Gabriel Leone e Alice Braga, ela com 35 anos e ele, com 24, têm a missão de dar vida aos apaixonados protagonistas. Recentemente, o global Leone, que está no ar em Onde nascem os fortes, interpretou Miguel, na novela Velho Chico, e Gustavo, na minissérie Os dias eram assim. Sobrinha de Sônia Braga, Alice é conhecida pela carreira internacional, tendo participado de filmes como Eu sou a lenda (2007), com Will Smith, e Elysium (2013), com Matt Damon. Na tevê, interpreta o papel principal da série norte-americana A rainha do sul, sobre uma poderosa narcotraficante do sul da Espanha.
 
Cartaz provisório de Eduardo e Mônica, o filme(foto: Gávea Filmes/Divulgação)
Cartaz provisório de Eduardo e Mônica, o filme (foto: Gávea Filmes/Divulgação)
 

Aval da família

Boa parte dos integrantes das equipes técnica e de produção trabalhou com René Sampaio em Faroeste caboclo, que manteve a parceria com o Iesb para criar uma base de Eduardo e Mônica em uma das unidades da faculdade. “Um longa envolve muita gente. De contratações diretas, por volta de 200 pessoas, entre equipe e elenco. Teremos, também, uns 900 figurantes mais toda infraestrutura de alimentação, transporte, confecção de cenografia, segurança”, detalha Bianca de Felippes, dona da produtora Gávea Filmes, parceira de René nos dois longas.

“Temos todo o apoio e a confiança para desenvolver o trabalho do Eduardo e Mônica. Estamos novamente empenhados em fazer um grande filme a partir da obra do Renato, que leve Brasília mais uma vez para todo o Brasil, a partir de um olhar muito particular de quem tem uma relação muito íntima com a cidade”, ressalta Bianca de Felippes.

Um dos segredos de Eduardo e Mônica, o filme, é a trilha sonora, a cargo do também brasiliense André Moraes, 41. Figura conhecida no mercado cinematográfico, ele compôs trilhas para mais de 30 filmes, como Lisbela e o prisioneiro (2003), Meu tio matou um cara (2004) e Assalto ao Banco Central (2011). Apaixonado por rock, André costuma ter como parceira em suas obras fora das telas a banda de heavy metal Sepultura. Filho do cineasta Geraldo Moraes e irmão do diretor e ator Bruno Torres, o músico tem ainda no currículo a direção-geral do longa-metragem Entrando numa roubada (2015).

Sucesso de vendas

Na obra de Guel Arraes, André Moraes resgatou Você não me ensinou a te esquecer, sucesso de Fernando Mendes nas rádios AM nos anos 1970, e criou um arranjo para a voz de Caetano Veloso. Sucesso nas rádios novamente, o CD da trilha vendeu mais de 100 mil cópias.
 
O diretor René Sampaio, no Parque, um dos sets de filmagem:
O diretor René Sampaio, no Parque, um dos sets de filmagem: "Público pode se surpreender" (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )

 

Cidade cinematográfica

Lançado em 2013 e com Ísis Valverde como Maria Lúcia, a protagonista, Faroeste caboclo, assinado por René Sampaio, levou 1,5 milhão de espectadores às salas de cinema do país e abocanhou prêmios mundo afora. Escrito por Marcos Bernstein e Victor Atherino, com consultoria de Paulo Lins, o roteiro ambienta a rotina violenta de quadras do Plano Piloto e, principalmente, da periferia de Brasília, entre 1979 e 1981. A saga de João de Santo Cristo começou a ser filmada em 2011. Serviram de cenário a UnB, o Parque da Cidade, a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes, o Lago Paranoá e algumas superquadras. Já Ceilândia foi retratada por meio de uma cidade cinematográfica erguida no Jardim ABC, bairro da Cidade Ocidental (GO), na divisa de Goiás com o DF. A comunidade recebeu a equipe por quatro semanas.
 

Brasília e o Brasil em 1986

Com José Sarney na Presidência da República, em 1986, o Brasil vai da euforia à depressão. O Plano Cruzado naufraga, a inflação dispara. A crise financeira é o estopim para o quebra-quebra nas imediações da Rodoviária do Plano Piloto, em novembro, no episódio conhecido como Badernaço. Administrado por José Aparecido de Oliveira, penúltimo dos governadores biônicos, o Distrito Federal tem oito regiões administrativas e 1,4 milhão de habitantes. A Câmara Legislativa inexiste, assim como os condomínios horizontais, Águas Claras, Sudoeste, Estrutural e Itapoã. Brasília ocupa o terceiro lugar no ranking das cidades com mais casos de aids no Brasil. O rock embala as festas em casas e em boates, como a recém-inaugurada Zoom, no Gilberto Salomão. As bandas brasilienses Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude ganham o cenário nacional. Xuxa estreia o seu Xou na tevê. Liderada por Maradona, a Argentina ganha a Copa do Mundo pela segunda vez. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade