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Correio Braziliense

Lista: 5 formas de aproveitar a época da seca em Brasília

Dias frios, roupas elegantes e árvores floridas são bons motivos para o brasiliense curtir o período de baixa umidade


postado em 11/06/2018 06:00 / atualizado em 10/06/2018 21:45

A floração, típica desta época do ano, também é propícia para a produção de mel(foto: Carlos Silva/CB/D.A Press - 22/06/2016)
A floração, típica desta época do ano, também é propícia para a produção de mel (foto: Carlos Silva/CB/D.A Press - 22/06/2016)
 
O inverno do cerrado é velho conhecido dos brasilienses. Começa a dar as caras no fim de maio e início de junho, com um frio agradável logo pela manhã. Oficialmente, começa dia 21, mas já vem dando sinais cada vez mais claros. Os moradores tiram os casacos dos guarda-roupas, os jornais alardeiam temperaturas mais baixas que o esperado, recordes, às vezes, mas, em pouco tempo, o calor toma conta, os lábios racham, vêm a rinite e o resfriado, as alergias atacam, ligam-se os umidificadores e… Espera! O período mais seco do ano também traz coisas boas para o brasiliense. A flora na capital sofre uma drástica transformação, e os ipês explodem em cores. Sair do trabalho e encontrar os colegas no happy hour é bem mais agradável.

A reportagem do Correio selecionou uma série de características e atividades que transformam o inverno da capital em uma estação mais agradável à população. Bares faturam de 10% a 20% com bebidas frias como sucos, refrigerantes e cerveja. A taxa de visitação na Água Mineral, que no friozinho de junho cai para 13 mil, salta em seguida, chegando a 29 mil em setembro. O Jardim Botânico também se prepara para uma nova rotina e, com a floração do cerrado, a produção de mel aumenta, garantindo parte da renda da agricultura familiar, que é o setor agrário mais importante.

Estação da moda

Experimentar novos looks é a primeira alternativa que a seca oferece aos brasilienses. Um bom casaco e um cachecol colorido garantem a elegância do início do inverno sem a necessidade de um banho de loja, destaca a coordenadora de design e moda do Iesb, Clarice Garcia. A recepcionista Edna Maria Santos, 38 anos, que mora em Vicente Pires e trabalha no Conjunto Nacional, segue o conselho à risca. O casaco de cor escura e o cachecol vermelho se complementam. “É uma época do ano em que podemos ser mais elegantes. Como preparo a roupa na noite anterior, pois tenho que sair cedo de casa, já penso com antecedência no que vou usar”, conta.

A técnica em saúde bucal Fabrícia Araújo Rodrigues, 25, compensa o escuro do casaco com a cor da bolsa. “Como saio de casa às 6h, sempre está um pouco mais frio, mas, nesta época do ano, posso usar mais camadas de roupa por mais tempo durante o dia”, sorri. “Poder usar variados casacos é uma das coisas boas da seca”, completa.

Clarice Garcia explica o motivo da percepção de elegância que o período proporciona. “Quando você tem um visual mais composto, que pode misturar mais peças, consegue dar mais substâncias para o que está vestindo, diferentemente do verão. O preto é uma cor associada à elegância. Isso vem da década de 1920. É uma construção cultural. Os tecidos usados no inverno também costumam ser mais nobres. Mas, para mim, o sinônimo de elegância é respeitar o clima e a temperatura. Tem a ver com o respeito da função da roupa para além do estilo, de estarmos confortáveis, daquilo fazer sentido no nosso dia a dia. Colocar uma bota no calor parece inadequado”, recomenda.

A genética das cores

Os ipês, tradicionais no cenário brasiliense, começam a florir em junho. Uma esteira de cores pinta o cenário avermelhado do inverno da capital federal de roxo, amarelo, rosa e branco à medida que os meses avançam. Esses pequenos espécimes frondosos mostram a generosidade da natureza em um período de escassez, e contrastam com outras árvores muito maiores, mas que parecem atrofiar ante as adversidades dos quatro meses de estiagem.

Professora de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UnB), Carmen Regina Mendes de Araújo Correia destaca que a beleza mágica dos ipês tem razão científica de ser: a genética. “É um florescimento intenso, que atrai polinizadores, o que é muito importante. Em Brasília, temos espécies nativas de todos os biomas brasileiros. O ipê também ocorre em áreas tropicais. Eles têm uma reserva de substâncias em sua estrutura, que os permite florescer justamente na seca. É uma característica, no entanto, que está mais ligada à genética que ao meio ambiente. Na mata atlântica, eles também começaram a florir”, explica.

Céu limpo, bebida gelada

Francisco Saturnino Júnior e Raíssa Souza: cerveja para driblar a seca(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Francisco Saturnino Júnior e Raíssa Souza: cerveja para driblar a seca (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
 

 

Francisco Saturnino Júnior, 40 anos, é servidor público e mora no Guará. Foi criado em Brasília e se acostumou com a seca. “Nasci em Brasília. Faz parte da minha história”, brinca. A amiga, Raíssa Souza, 24, de Planaltina, também. Para ambos, o inverno brasiliense é a época ideal para o happy hour. “O sabor da diversão se multiplica. Estamos necessitados de líquido, e uma cerveja, na seca, é tudo de bom”, admite Francisco. “É bom estar hidratado. E na seca, é ainda melhor tomar algo bem gelado”, destaca Raíssa. “Principalmente se for uma cerveja trincando”, completa

Os amigos Genildo Souza, 32, Sallya de Oliveira, 34, Daniel Araújo, 36, e Emanuela Bastos, 36, enumeram alguns motivos para se aproveitar o happy hour durante a seca. “Na chuva, é gostoso ficar em casa, vendo Netflix. Na seca, dá muito mais vontade de sair”, afirma Genildo. “Em Brasília, os bares são abertos, e a seca é o melhor momento para aproveitar esses espaços”, completa Sallya. “Mesmo no período mais frio da seca, a sensação de secura incomoda, e é gostoso beber com amigos”, destaca Daniel. “A cidade toda fica mais bonita”, encerra Manuela.

Dono do Beirute, Francisco Marinho conta que, durante a seca, o movimento aumenta à tarde . “As pessoas ficam com mais disposição de sair. Procuram o bar tanto para almoço quanto para happy hour para amenizar a sensação de baixa umidade com uma bebida. A venda de produtos gelados, como sucos, refrigerantes, cerveja e chope, aumentam de 10% a 15%”, conta. Gerente do Libanus, Carlos Henrique Martins Aragão concorda com Francisco. “E à medida que a seca aumenta, as vendas chegam a ficar 20% maiores”, acrescenta.

Floração no cerrado

“A baixa umidade deste período do ano no cerrado interfere na qualidade do nosso mel. Também é nesse período que acontece a maior florada, quando ocorre a produção de mel.” Quem explica é Carlos Alberto Bastos, presidente da Associação Apícola do Distrito Federal. Segundo ele, o setor movimenta cerca de R$ 100 mil por ano, e tende a crescer. “O DF produz 34 toneladas, e o número de produtores tem crescido. Somente nos anos de 2015 a 2017, a nossa associação formou mais de 90 apicultores”, revela.

Apesar de estar em fase de crescimento, a produção de mel na região ainda é pequena. A capital importa 90% do produto consumido na região. O desequilíbrio, porém, é visto por produtores e pelo governo local como uma oportunidade de crescimento. Cláudia Alessandra Gomes, gerente de inspeção da Diretoria de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal e Animal da Secretaria de Agricultura, explica que o GDF tem planos de profissionalizar produtores. “No próximo semestre, vamos iniciar um programa de incentivo a essa cadeia produtiva. A quantidade de produtores e nossa capacidade de produção é muito maior do que temos registrado. Nossa intenção é trazer produtores para a formalidade e capacitá-los”, explica.


Um convite ao mergulho

Socorro Dias, Marisa de Araújo e Soraya Farah gostam de aproveitar a piscina da Água Mineral (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Socorro Dias, Marisa de Araújo e Soraya Farah gostam de aproveitar a piscina da Água Mineral (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

 

O Parque Nacional de Brasília, o Jardim Botânico e até locais mais urbanos, como o Parque da Cidade, tornam-se atrativos na seca. Para as amigas e professoras de ioga Socorro Dias, 46, Marisa de Araújo, 32, e Soraya Farah, 42, vistar a piscina velha da Água Mineral ou caminhar em uma das trilhas da área de preservação está entre as coisas boas da seca. “É um período em que sempre visito o parque. Não chove, o clima está bom, e a água, maravilhosa”, descreve Socorro. “O Parque Nacional é um lugar bonito e agradável, no qual estamos em contato com a natureza e próximos dos animais”, completa.

A chefe do Núcleo de Gestão Integrada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Juliana de Barros, explica que a quantidade de usuários do lugar cresce à medida em que fica mais quente. “Vemos um grande movimento, principalmente à tarde”, destaca.

Diretor executivo do Jardim Botânico, Jeanitto Gentilini, por sua vez, explica que o uso de áreas abertas é um atrativo para os usuários do espaço. “Nesta época, principalmente no começo, temos dias lindos, ensolarados, as árvores ainda estão verdes, e o pôr do sol é bonito. Temos também a floração de muitas árvores do cerrado, cujas sementes são dispersas no auge da seca”, descreve.
 
 

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