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Correio Braziliense

PM que matou homem em Ceilândia é indiciado por homicídio qualificado

Para a Polícia Civil, sargento se contradisse nos depoimentos prestados. Imagens de câmeras de segurança mostram que ele e a vítima se conheciam e estavam bebendo em frente a uma distribuidora em Ceilândia


postado em 12/06/2018 00:10 / atualizado em 12/06/2018 21:24

Momentos antes do crime, a vítima (de mochila, à esquerda) e o policial militar bebiam juntos em frente a uma distribuidora de bebidas(foto: PCDF/Divulgação)
Momentos antes do crime, a vítima (de mochila, à esquerda) e o policial militar bebiam juntos em frente a uma distribuidora de bebidas (foto: PCDF/Divulgação)

O policial militar Paulo Roberto Figueiredo, suspeito de matar a tiros Rafael Barbosa dos Santos, 32 anos, será indiciado pela Polícia Civil por crime de homicídio duplamente qualificado. O delegado à frente das investigações, André Luís Leite, afirmou, nesta segunda-feira (11/6), que as provas e testemunhas indicam que não houve assalto, como alegado pelo militar. 

 

O crime aconteceu na última quarta-feira (6/6), em Ceilândia Norte. A versão inicial era de que dois homens teriam tentado assaltar Paulo Roberto. O sargento teria reagido, matado um deles com ao menos cinco tiros e fugido da cena do crime. No local, no entanto, os agentes encontraram o carro do policial com três portas abertas, além de uma arma: o revólver .40 que pertencia ao militar. Para os investigadores, é possível que o PM estivesse acompanhado. 

 

As imagens das câmeras de segurança reforçaram a teoria de que Paulo Roberto estaria mentindo, segundo a Polícia Civil. Elas mostram o suspeito e a vítima abraçados, bebendo em frente a uma distribuidora. "Na primeira versão, quando foi ouvido no hospital, ele alegou ter sido vítima de um assalto. Posteriormente, ele retificou esse discurso e falou que Rafael estava com ele no veículo. Ele também mentiu em relação à presença de mais um indivíduo, que teria fugido com a arma da vítima", detalhou o delegado.

 

 

Segundo o depoimento mais recente de Paulo Roberto, ele e Rafael teriam parado perto de uma delegacia por volta das 6h para urinar. O sargento declarou que, nesse momento, teria visto um volume na cintura do amigo que julgou ser uma arma. "Foi uma versão frágil. E a cena do crime mostra completamente o contrário do que ele falou. Para a polícia, não houve assalto, houve homicídio doloso", declarou André Luís. 

 

Testemunhas relataram à polícia que os dois discutiram no interior do veículo, supostamente porque Rafael queria ir para o trabalho e o militar queria continuar no local. A vítima, que não tinha antecedentes criminais, teria desembarcado do veículo e sido atingida pelo primeiro disparo. Outros quatro foram efetuados em seguida. Ainda de acordo com testemunhas, o tiro na perna que resultou na hospitalização do militar teria sido causado por acidente. Paulo Roberto será interrogado mais uma vez e submetido a novos exames periciais. As investigações têm até 5 de julho para serem concluídas.

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