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Correio Braziliense

De que lado fica o PDT nas eleições do DF? Rollemberg ou Frejat?

PDT estabeleceu a próxima sexta-feira como data limite para definir seu rumo nas eleições locais. Porém, alianças nacionais podem mudar o jogo


postado em 12/06/2018 11:19 / atualizado em 12/06/2018 12:12

Joe, entre Rollemberg e Frejat: pedetista diz existir tendência em fechar acordo com o grupo de Frejat, mas destaca não ser impossível guinada rumo ao PSB de Rollemberg(foto: CB/D.A Press)
Joe, entre Rollemberg e Frejat: pedetista diz existir tendência em fechar acordo com o grupo de Frejat, mas destaca não ser impossível guinada rumo ao PSB de Rollemberg (foto: CB/D.A Press)
A paciência do pré-candidato ao Buriti Jofran Frejat (PR) parece estar perto do fim com relação à indefinição do PDT de Joe Valle, presidente da Câmara Legislativa e aspirante ao Senado, com quem vem tendo negociações mornas há meses. 

Isso ficou evidente na segunda-feira (12/6), quando Frejat foi entrevistado pelo programa CB.Poder, uma parceria entre o Correio e a TV Brasília, e cobrou uma posição incisiva do parlamentar e demais pedetistas na corrida eleitoral. “Eles precisam dizer ‘eu quero participar’, ‘eu quero entrar’. Porque, se não for assim, não tem como avançar nas conversas”, afirmou. 

A cobrança de Frejat é resultado direto da indefinição que vive o PDT, que ainda não decidiu se compõe com o grupo de Frejat ou se faz uma aliança com o PSB de Rollemberg, como já defendeu abertamente o pré-candidato pedetista à Presidência, Ciro Gomes. Sobre isso, disse Frejat, na segunda-feira: “A expressão de Ciro é de que ‘o PSB era a chave para o entendimento da candidatura dele’. Resta saber se cabe na fechadura. Algumas pessoas do PDT já manifestaram interesse em compor conosco”.
 
 

Fraga e Paulo Octavio no caminho

Na visão de Frejat, a definição é necessária para negociação de espaço na chapa para Joe, que deseja ser senador. Atualmente, as vagas à disputa ao Senado estão ocupadas pelo deputado federal Alberto Fraga (DEM) e pelo ex-vice-governador Paulo Octávio (PP). 

Fraga:
Fraga: "Se ele (Joe) vier, será sem a garantia de uma vaga (ao Senado)" (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
No entanto, os dois não assumem, por ora, a possibilidade de abrir mão das vagas. Para reafirmar a pré-candidatura de Fraga, o DEM lançará, na sexta-feira (15/6), o nome do deputado ao Senado. O ato vai ocorrer em um jantar, no Clube de Oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal. “Retirar a minha candidatura está fora de cogitação. Se ele (Joe) vier, será sem a garantia de uma vaga”, pontuou o parlamentar.

E Paulo Octávio afirmou que não pretende desistir da cadeira, mesmo porque “a candidatura foi colocada pelo partido”. “Continuo firme. Entendo que política é conversa e entendimento. Mas esta é uma decisão que vai além de mim. O PP não ficará sem uma posição majoritária”, disse. Nos bastidores, especula-se a desistência do empresário, que concorreria sub judice, pois renunciou ao mandato de governador à época da Caixa de Pandora e, com base na legislação, pode ter o registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com o recuo, o PP ficaria com a vaga de vice da chapa, abrindo espaço para Joe Valle.

Outro complicador é que parte dos pedetistas rejeita a aliança, porque, conforme ressaltam, seria difícil explicar ao eleitorado uma dobradinha ao Senado ao lado de Alberto Fraga (DEM), cujo posicionamento ideológico vai na contramão da história do partido.

Prazo pedetista

A decisão sobre o rumo do PDT na corrida eleitoral também deve ser comunicada na sexta-feira, prazo estipulado pelo próprio partido. Ainda assim, o gesto será apenas preliminar, posto que as coalizões são fechadas durante as convenções partidárias, previstas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto. Ademais, no fim das contas, as definições nacionais podem respingar nos acordos estaduais, mudando o jogo.

Ao Correio, Joe Valle alegou existir uma tendência em fechar acordo com o grupo de Frejat. Mas destacou não ser impossível uma guinada rumo ao PSB. “A nossa meta é que haja a construção de uma decisão harmônica de partido, sem nenhuma ruptura. O (presidente do PDT, Carlos) Lupi está coordenando isso e levamos em conta as questões nacionais”, comentou. Sobre uma aliança com o PSB de Rollemberg, disse que “em política, tudo é possível”. Contudo, para ele, “a lógica com que tudo foi construído, deixou muito a desejar”. Segundo o distrital, “é preciso haver um gesto”.

Até então, a aliança com Rollemberg é motivo de resistência entre pedetistas. O partido desembarcou da base aliada ao governador em outubro último e declarou independência. À época, os correligionários alegaram que não se sentiam “pertencentes e participantes da gestão”. O pré-candidato ao Planalto Ciro Gomes, entretanto, sempre demonstrou manter uma relação amistosa com o chefe do Palácio do Buriti. Em meio aos impasses, há quem defenda, até mesmo, a candidatura avulsa de Joe ao Senado, como pretende fazer o ex-boxeador Popó na Bahia.

Segundo turno

Em entrevista ao CB.Poder, Jofran Frejat criticou a pulverização de candidaturas de direita. Se as eleições fossem hoje, seis nomes concorreriam neste campo: Alexandre Guerra (Novo), Alírio Neto (PTB), Eliana Pedrosa (Pros), Izalci Lucas (PSDB), Paulo Chagas (PRP), e o próprio ex-secretário de Saúde. “Se começar a dividir e a apresentar vários candidatos, a tendência é haver segundo turno. No segundo turno, fatalmente haverá negociação. Quem tiver a caneta e o poder na mão vai ter uma facilidade muito maior de negociar do que quem estiver fora”, argumentou. Ele garantiu que ainda não desistiu de firmar aliança com alguns destes nomes.

Para o postulante ao Buriti, a composição deveria ser prioridade neste momento, em vez da divisão de cargos.“O objetivo é compor para fazer um governo de coalizão, com todo mundo discutindo e, não, ficar fatiando e negociando. A ideia é termos apoio na Câmara Legislativa, na Câmara Federal e no próprio Senado de gente que esteja compondo porque Brasília não aguenta mais esse tipo de separação”, finalizou.


Os dois caminhos do PDT

Apesar da indefinição do cenário nacional, o PDT classifica como mais prováveis dois caminhos:

» Ao lado de Rodrigo Rollemberg
Caso PDT e PSB fechem aliança a nível nacional, é improvável que a coalizão não se repita no DF. Isso porque, em troca do suporte à campanha do presidenciável pedetista Ciro Gomes, socialistas pedem apoio aos candidatos a governos estaduais, como Rollemberg. Contudo, a possibilidade, dizem integrantes do alto escalão do PDT, faria muitos nomes do partido desistirem de concorrer. Para eles, seria incoerente deixar a base governista e, às vésperas da eleição, restabelecer a parceria entre as siglas.

» Ao lado de Jofran Frejat
Um dos fatores condicionantes para a aliança é a garantia de um palanque eleitoral a Ciro Gomes. Frejat pode garanti-lo aos pedetistas em duas situações: caso o PR libere as Executivas Regionais para os acordos que considerarem benéficos ou a sigla apoie o presidenciável a nível nacional.

Calendário eleitoral

» 7 de abril: Data-limite para a desincompatibilização de cargos e filiação partidária
» 20 de julho a 5 de agosto de 2018: Período em que os partidos estão autorizados a promover convenções para a definição dos candidatos
» 15 de agosto de 2018: Fim do prazo para partidos políticos e coligações registrarem candidaturas
» 16 de agosto de 2018: Início da propaganda eleitoral
» 26 de agosto de 2018: Começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão
» 29 de setembro de 2018: Fim da propaganda eleitoral gratuita veiculada no rádio e na televisão
» 30 de setembro de 2018: Termina o período de exibição de propaganda eleitoral paga
» 7 de outubro de 2018: Primeiro turno das eleições

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