Erika Manhatys*
postado em 30/06/2018 06:15
Nascida em 2 de agosto de 1925, na cidade de Belmonte, sul da Bahia, Nayde formou-se em letras em sua terra natal, onde também iniciou a carreira no magistério, ensinando latim. Em 1963, deixou Salvador para morar em Brasília. Pouco tempo depois, formou-se em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB). O curso possibilitou que ela se tornasse uma das primeiras colunistas femininas do Correio Braziliense. Dessa forma, Nayde conciliou as duas paixões e virou setorista de educação no jornal.
No período em que trabalhou no Correio, fez grandes amigos e ensinou muitos outros jornalistas, como Liana Sabo, colunista de gastronomia do jornal. ;O jornalismo brasiliense perde uma pessoa de muito valor. Ela foi a primeira repórter especializada em educação no Correio Braziliense. Devido à experiência em sala de aula, ela era muito didática;, comenta. ;Quando eu cheguei ao jornal, Nayde trabalhava lá. Ela foi a responsável por muitas coisas que hoje eu sei. Eu perco mais do que uma colega de trabalho, perco uma amiga. Nayde pediu que deixassem um bilhete a mim e a outra amiga, avisando-nos sobre seu falecimento. É uma perda inestimável;, lamenta Liana.
Nayde também amava as artes, a leitura e as viagens. ;A minha tia era uma leitora voraz, assinante do jornal até pouco tempo. Ela amava ir aos festivais de cinema e artes. Lembro de ir com ela, por várias vezes, ao Festival de Cinema de Brasília. Ela viajou muito, conheceu muita coisa, era uma mulher muito inteligente, culta. Ela discutia qualquer assunto, assistia às partidas de futebol e, apesar de ter hábitos muito discretos, amava ir a shows e festas;, relembra a sobrinha Cristina de Abreu Silveira.
Segundo Cristina, a tia ajudava mais de 20 instituições de caridade. ;Há cerca de 20 anos, ela teve câncer de mama e se preocupou em deixar cartas registrando a vontade de ajudar a família, de como seria feita a partilha dos bens. Também pediu que nós continuássemos ajudando as organizações sociais com as quais ela contribuía;, diz.
A jornalista sofreu um problema cardíaco em agosto de 2017, quando precisou fazer uma cirurgia para a colocação de um marcapasso. Na operação, Nayde teve uma parada cardiorrespiratória e ficou internada. A saúde ficou instável desde então. Em 7 de junho, a jornalista sofreu um derrame e voltou a ser internada mais uma vez. Vinte dias depois, teve falência de órgãos. O corpo de Nayde será velado hoje no Cemitério Campo da Esperança, a partir das 10h. O sepultamento será às 15h.
* Estagiária sob supervisão de Guilherme Goulart