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Correio Braziliense

Médica de Águas Claras conta a emoção de fazer parto em pleno voo

A pediatra Fabrícia Carvalho ajudou a venezuelana Yusmary Nal a dar à luz a pequena Alai, durante voo entre Boa Vista e Brasília


postado em 03/07/2018 16:47 / atualizado em 03/07/2018 17:23

Fabrícia (E) e as duas socorristas que fizeram o parto posam com a recém-nascida Alai Guadalupe(foto: Arquivo pessoal)
Fabrícia (E) e as duas socorristas que fizeram o parto posam com a recém-nascida Alai Guadalupe (foto: Arquivo pessoal)
A pediatra Fabrícia Carvalho, 40 anos, acreditava que faria mais uma viagem como outra qualquer quando entrou no Airbus A320 que a levaria de Boa Vista a Brasília. O voo, no entanto, foi longe de trivial. Após a decolagem, às 3h15, Fabrícia dormiu, mas foi acordada pela voz do comandante, que perguntava se havia algum médico a bordo. A moradora de Águas Claras, logo se prontificou, sem saber que estava prestes a ajudar uma mãe a dar à luz. 

"O comissário de bordo me informou que havia uma mulher grávida e que estava passando mal, com muita dor. Levantei, tranquila, achando que fosse apenas uma dor normal da gravidez", lembra Fabrícia, ao Correio. "Aí, quando eu cheguei, olhei para a mulher e, na hora, percebi que ela estava em trabalho de parto. Havia estourado a bolsa e ela estava com contrações."

A paciente inesperada era Yusmary Nal, venezuelana de 36 anos que estava no sétimo mês de gestação e acabou tendo a filha, a pequena Alai Guadalupe, em pleno voo 4675, da Latam. Tudo aconteceu no último dia 27, mas as cenas continuam vivas na mente de Fabrícia.

"Ela (Yusmary) se apertava na poltrona. "O chefe de cabine perguntou se conseguíamos levá-la para a cozinha do avião, mas, quando tirei a legging dela, a criança estava coroando (com parte da cabeça para fora). Só consegui terminar de tirar a criança e dar para a mãe", conta a pediatra.

Com o kit de primeiros socorros da tripulação, Fabrícia e duas socorristas cortaram o cordão umbilical e envolveram a criança em lençóis, entregando em seguida a recém-nascida nos braços da mãe. Fabrícia relata que a experiência, além de surpreendente, foi emocionante. Há mais de 15 anos a pediatra não fazia um parto.

Mudança de rota

Como o voo direto para Brasília ainda levaria duas horas, o capitão avaliou que seria melhor mudar a rota do voo. Em 55 minutos, o aeronave pousou em Manaus, onde uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) aguardava pela bebê e pela mãe.
 
Por conta da mudança de itinerário, os demais passageiros desceram em Brasília às 7h30. Em nota, a Latamconfirmou a situação e esclareceu que a mãe e a criança passam bem. Além disso, ressaltou que estão "prestando a assistência necessária à passageira".
 

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