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Correio Braziliense

Umidade do ar chega a 23% no DF e Inmet emite alerta amarelo

Período de estiagem pode provocar diversos problemas de saúde. Por isso, os cuidados devem ser redobrados


postado em 03/07/2018 18:22 / atualizado em 03/07/2018 19:52

Período de estiagem em Brasília inicia com umidade relativa abaixo de 30%(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Período de estiagem em Brasília inicia com umidade relativa abaixo de 30% (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
O inverno chegou a Brasília há menos de um mês, em 21 de junho. Além das baixas temperaturas, o tempo seca castiga os moradores da capital e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta amarelo. O aviso mostra perigo potencial, quando a umidade relativa está entre 30% e 20%. O valor mais baixo, 23%, foi aferido hoje, nas regiões de Águas Emendadas, em Planaltina, e Ponte Alta, no Gama. A área central de Brasília registrou índice pouco mais alto, de 25%.

O alerta foi decretado há uma semana e atinge toda a região Centro-Oeste, além de pontos em São Paulo, Rondônia e Minas Gerais. A queda nos índices de umidade é normal durante o inverno, mas tende a piorar por causa da ação humana no meio ambiente. O desmatamento contribui significativamente para os baixos níveis e, consequentemente, para a ocorrência das queimadas.

No ano passado, Brasília sofreu um dos mais rigorosos períodos de seca da história, foram 120 dias sem chuva. A estiagem de 2017 ficou atrás somente da de 2010, que registrou 130 dias de seca; e 1963, o marco histórico de 164 dias de estiagem. Os baixos percentuais de umidade aliados ao clima frio podem ocasionar diversos problemas de saúde. Idosos, crianças e pessoas alérgicas são as mais afetadas pela seca.

Cuidados redobrados

Cerca de 60% do corpo de um adulto é composto por água e, sem a devida reposição, a desidratação é certeira. Em casos leves, os sintomas podem englobar dor de cabeça, tontura e sede, entretanto, nas ocorrências mais graves, o problema pode levar à morte. As recomendações são: maior ingestão de líquidos, mínimo seis copos de água por dia; evitar a exposição ao sol, sobretudo nos períodos de maior incidência dos raios solares (10h às 17h); umidificar o ambiente; usar roupas com tecidos mais leves e claros; evitar banhos quentes prolongados, além de fazer a hidratação da pele e olhos.

Os olhos, que são parte sensível do corpo, sentem bastante os efeitos da estiagem. Pessoas que já apresentam alguma enfermidade são as maiores vítimas da seca, como Rodrigo Rocha, 38 anos, que além da miopia, tem propensão a outros problemas oculares. “Eu uso óculos há 25 anos, no mínimo, meu principal problema era a miopia, até a fase adulta. Quando comecei a investigar, descobri que tinha outros problemas. Precisei fazer uma cirurgia para evitar o descolamento de retina, que está afinada. O procedimento agiu como uma solda nos locais que estavam com maior risco”, explica o empresário. 

Para aqueles que têm doença ou disfunção ocular, a seca pode agir como um fator de agravamento. Rodrigo precisa ter cuidados específicos durante o período sem chuvas. “Eu trabalho o dia inteiro em frente ao computador e durante a seca, é inevitável sentir os olhos ressecados e irritados. Então, eu tento diminuir o tempo de exposição à tela. Minha médica recomendou que eu trocasse minha cadeira de lugar, para ficar afastado do ar-condicionado, além de incluir o uso de um lubrificante três vezes ao dia”, comenta.
 
Para evitar o desenvolvimento de doenças nos olhos, ou ainda, de piorar o quadro de quem sofre com alguma enfermidade, Marcos Ferraz, oftalmologista e especialista em glaucoma e catarata da Oftalmed, dá dicas de como prevenir os efeitos negativos da seca. Confira os principais trechos da entrevista:

Quais são os principais problemas que ocorrem no período de seca?
O problema mais comum é a síndrome do olho seco, que pode acometer qualquer pessoa, mas idosos e mulheres na menopausa são mais suscetíveis, por causa das alterações hormonais que ocorrem nesse período. Outro grupo que pode sofrer mais são os portadores de doenças oculares como o glaucoma, que fazem uso de medicamento tópico por longos períodos. Esses colírios utilizados para combater essas doenças podem aumentar o ressecamento do olho, deixando-o mais vulnerável na seca.

Quais são os sintomas?
Os olhos ficam vermelhos, podem arder ou coçar, ou ainda apresentar a sensação de areia nos olhos. Além da seca, este período do ano é propício ao desenvolvimento de problemas alérgicos, por causa do aumento de pólen liberado pelas árvores e pelo uso de agasalhos que ficam guardados por muito tempo, acumulando poeira e outros resíduos.

Como prevenir e tratar os problemas que aparecem com a seca?
São necessárias revisões periódicas junto ao oftalmologista, pois é muito comum que o paciente que já sofreu a síndrome dos olhos secos, desenvolva repetidamente o problema durante a estiagem. Nesses casos, é recomendado o uso de lágrimas artificiais, de preferência, aquelas que não tenham preservantes, pois essas substâncias se depositam sobre a superfície ocular. Nos casos de alergia, como a conjuntivite alérgica ou alergia ocular, os olhos ficam inchados e vermelhos. Orienta-se que o paciente nunca faça uso de medicação sem a prescrição médica, sobretudo os pacientes que já tenham algum problema de saúde e faça uso de colírios com corticóide. O medicamento pode gerar infecções fúngicas ou bacterianas e esses problemas podem levar à cegueira.
 
* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

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