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Correio Braziliense

Crise hídrica: sete cidades do Entorno do DF podem ficar sem água em 2018

Relatório da Saneago revela que 66 cidades goianas podem ter o abastecimento de água afetado durante o período de estiagem deste ano


postado em 03/07/2018 19:00 / atualizado em 03/07/2018 19:55

(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)
(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)
 
Duas semanas após o racionamento de água chegar ao fim no Distrito Federal, o fantasma da crise hídrica seguiu para território goiano. Um relatório da Companhia Saneamento de Goiás (Saneago) feito a pedido do Ministério Público Estadual de Goiás (MP/GO) revelou que 66 cidades goianas podem ter o abastecimento de água afetado durante o período de estiagem deste ano. Sete dessas ficam no Entorno do DF.

Cidade Ocidental, Cristalina, Formosa, Planaltina (GO), Luziânia, Novo Gama e Valparaíso de Goiás fazem parte da lista. Juntas, as cidades abrigam mais de 700 mil pessoas. Os reflexos da crise hídrica no território goiano se intensificaram em setembro de 2017, quando a região metropolitana de Goiânia sofreu com falta de água devido à seca prolongada. Cidades como Goiânia, Aparecida de Goiás e Anápolis também aparecem no relatório de risco. 

Em março de 2018, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), assinou um decreto, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), declarando situação de emergência nas Bacias do Rio Meia Ponte e do Ribeirão João Leite, principais fontes para abastecimento da Grande Goiânia. O alerta vale por 290 dias e dá permissão ao governo de estabelecer medidas de restrição do uso dos recursos hídricos. É semelhante aos publicados no Diário Oficial do DF no fim de 2016, que acabaram levando ao racionamento de água na capital federal. 
 
O promotor Delson Leone, do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MP/GO explica que o relatório técnico foi solicitado para identificar municípios que podem sofrer com a crise hídrica ainda este ano. O objetivo é antecipar ações que diminuam os impactos da estiagem. “Acabamos de entrar no período de seca e os mananciais já sofrem com reduções de vazão. Temos que encontrar, junto a sociedade e o Governo, alternativas para reduzir os impactos da crise”, informa. Uma delas, segundo o promotor, pode ser até mesmo o racionamento de água em Goiás. 

Corumbá IV não resolverá todos os problemas


Na crise da água no DF, a captação de recursos do Lago Corumbá sempre foi colocada pelos governantes como a solução para os problemas de abastecimento hídrico nas próximas décadas. Enquanto isso, na escassez goiana, o reservatório - que fica totalmente no estado vizinho - só abastecerá três cidades: Luziânia, Valparaíso e Novo Gama. 

O Sistema Produtor Corumbá IV, que tem previsão de entrar em operação assistida até dezembro deste ano, fornecerá, em um primeiro momento, 2,8 mil litros de água, divididos igualmente entre DF e Goiás. A obra é planejada desde o começo dos anos 2000, mas foi paralisada diversas vezes por problemas como superfaturamento de peças. A expectativa é que cerca de R$ 575 milhões sejam gastos na obra, divididos igualmente entre os governos de Goiás e do Distrito Federal. 

“Não há motivo de alarde”


A reportagem procurou a Saneago, que informou que, no momento, não existe  risco de desabastecimento de água tratada em Goiás. A companhia informou que o relatório solicitado pelo MP/GO é de finalidade técnica, e tem como objetivo apresentar ações planejadas pela Saneago para reforçar o abastecimento e atenuar os efeitos do período de estiagem. 

“A Saneago explica à população que não há motivo de alarde, mas que, por se tratar de período de estiagem, a orientação é para o uso consciente das reservas domiciliares de água tratada”, informou, em nota. 

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