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Correio Braziliense

Polícia busca origem de explosivo encontrado com jovem em Ceilândia

Polícia tenta identificar a origem dos explosivos encontrados com um jovem de 20 anos, em Ceilândia. Suspeita-se que o acusado faça parte de uma quadrilha especializada em arrombamento de caixas eletrônicos no Distrito Federal


postado em 11/07/2018 06:00

A dinamite estava escondida na loja do pai do acusado, em Ceilândia: artefato sem autorização legal(foto: PCDF/Divulgação)
A dinamite estava escondida na loja do pai do acusado, em Ceilândia: artefato sem autorização legal (foto: PCDF/Divulgação)
Após prender um jovem em flagrante com explosivos sem autorização legal na loja do pai, em Ceilândia, a Polícia Civil investiga se o acusado faz parte de uma quadrilha especializada em arrombamento de caixas eletrônicos em Brasília. Erick Roberto Diniz de Oliveira, 20 anos, era monitorado pelos policiais desde o mês passado e acabou detido com uma banana de dinamite. “Ele disse que, quando estava preso, contraiu uma dívida com um colega na cadeia e, para quitar, precisava guardar o material. No entanto, a suspeita é de que ele esteja mentindo para proteger um grupo responsável por detonar terminais de autoatendimento em estabelecimentos bancários”, disse o delegado adjunto da 24ª Delegacia de Polícia (Setor O, Ceilândia), Zander Pacheco.

A polícia ainda não sabe como Erick conseguiu os explosivos, mas, de acordo com Zander, os próximos passos da investigação serão voltados para a identificação de possíveis comparsas do jovem a fim de indicar a origem da dinamite. Erick tem histórico criminal. Ele cometeu a maioria dos delitos quando adolescente. À época, foi apreendido por tráfico de drogas, associação criminosa, porte de arma de fogo, roubo e homicídio.

No Distrito Federal, o órgão responsável por fiscalizar a utilização de explosivos é a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), do Exército Brasileiro. O departamento tem o auxílio da Divisão de Controle de Armas, Munições e Explosivos (Dame), da Polícia Civil, para supervisionar a compra dos artefatos em Brasília. “Geralmente, os explosivos são usados por pedreiras e mineradoras, que precisam de um certificado de registro do DFPC para adquirir os artefatos”, informou o delegado da Dame Paulo Renato Fayão.

Segundo ele, cada pedreira e mineradora deve monitorar as suas dinamites, desde o momento em que elas chegam aos estoques até a utilização. “O responsável por supervisionar a quantidade de artefatos nos estoques das próprias empresas pode não dar baixa em um explosivo e desviar esse produto. Dessa forma, acaba na mão de criminosos”, alerta Paulo Renato.

Legislação 

Fayão acrescentou que, na maioria das vezes, os explosivos roubados são usados para o arrombamento de caixas eletrônicos. Os dados mais recentes desse tipo de crime, levantados pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, são do ano passado. Entre janeiro e outubro, a pasta registrou 18 ocorrências. Em 11, os autores conseguiram acesso ao dinheiro. Em 2016, a secretaria contabilizou 36 casos. “Houve uma redução, mas a prisão desse assaltante indica a existência de quadrilhas especializadas em Brasília”, frisou.

Além disso, o delegado enfatizou que o roubo de dinamites não acontece, necessariamente, no Distrito Federal. “Temos de olhar para todo o país. Os grupos criminosos são interestaduais. Pode acontecer de os caminhões que levam os explosivos para as pedreiras e mineradoras serem interceptados no meio do caminho”, concluiu.

Segundo a DFPC, desde 2016, o órgão tenta “um aprimoramento na legislação, no trato com explosivos, contando com a colaboração dos próprios usuários”, e também busca “ações e procedimentos que venham prover tranquilidade e segurança em relação ao controle de fiscalização”.



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