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Correio Braziliense

Nova taxa de descarte de entulhos faz preço das caçambas dobrar

Além do custo cobrado para despejar materiais, ausência de mais unidades de recebimento de entulho também é apontada como causa do aumento de preços


postado em 13/07/2018 14:21 / atualizado em 13/07/2018 14:21

Hoje, o material só pode ser descartado na Unidade de Recebimento de Entulho, na Estrutural(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press)
Hoje, o material só pode ser descartado na Unidade de Recebimento de Entulho, na Estrutural (foto: Iano Andrade/CB/D.A Press)
 
No último mês, quem precisou alugar contêineres para despejar entulhos teve uma surpresa desagradável: o aumento do preço, que, em muitos casos, chegou a dobrar em relação ao que era cobrado anteriormente. As caçambas são as mesmas, mas foram as mudanças na Política Nacional de Resíduos Sólidos que impactaram de forma tão brusca no valor. Uma das principais é a cobrança de taxa de manejo do entulho, em vigor desde 15 de junho.
 
O Serviço de Limpeza Urbana informa que, desde essa data, começou a ser cobrado o preço de R$ 14,26 por tonelada para resíduos limpos, ou seja, aqueles que não são misturados, como só tijolos. Já para caçambas em que não há separação, o valor sobe para R$ 26,91 a tonelada. 
 
Para quem necessita desses contêineres, o aumento foi brusco: "Isso nos afetou muito. O valor do aluguel aumentou de R$ 130 para R$ 330, e foi repentino. Achei essa mudança abusiva, até porque não podemos descartar os materiais em qualquer lugar, então somos reféns dos valores", analisa André Luiz Teixeira, comprador da Fogaça Construtora e Incorporadora.
 
Hoje, o despejo só pode ser realizado na Unidade de Recebimento de Entulho (URE), localizada na Estrutural, no local do antigo Aterro do Jóquei — conhecido como Lixão. E essa concentração também é apontada como prejudicial na hora de custear esses serviços, opina Eber Rossi, presidente da Associação das Empresas Coletoras de Entulho do DF (ASCOLES/DF).
 
"Criou-se o clima de que tudo precisa ser descartado no local definido pelo governo, mas o ideal é que houvesse cerca de cinco ou seis lugares para receber esses resíduos e facilitar a logística, reduzindo o preço final porque haveria concorrência e diminuiria o trajeto. Trazer contêineres de longas distâncias tem um custo", afirma Rossi. 
 
O diretor adjunto do SLU, Paulo Celso dos Reis, argumenta, porém, que sempre houve esses valores, que antes eram pagos pelo contribuinte. "O manejo do entulho da construção civil era custeado com imposto, mas agora a gente transfere essa a taxa da sociedade para a iniciativa privada", justifica. Essa determinação só foi aplicada mês passado, mas está presente na Lei nº 12.305, de 2010, que trata da gestão integrada dos resíduos sólidos.
 

Reciclagem

A mudança de preços entre o descarte de lixos limpos e misturados — de R$ 14,26 para R$ 26,91 — é encarada pelo SLU como uma forma de viabilizar a reciclagem, já que grande parte do entulho despejado é altamente reciclável, mas quando se misturam os materiais, a ação se torna mais difícil.
 
Porém, a Associação das Empresas Coletoras de Entulho alega não ser possível pagar somente R$ 14: “Nós questionamos muito por que existe uma diferença tão grande entre os descartes de lixo? A maior parte do resíduo não é separado, porque quando se faz uma reforma, por exemplo, temos resto de gesso, cerâmica, pedaço de madeira… e é impossível separar o material”, diz.

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