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Correio Braziliense

Sete escritoras do DF se inspiram pelo que veem e vivem na capital federal

Grupo se uniu para criar um selo editorial brasiliense, com o intuito de abrir espaço para a produção literária local. Elas lançam o projeto na noite de quarta-feira, no Beirute


postado em 07/08/2018 06:00 / atualizado em 07/08/2018 21:47

As sete integrantes do Maria Cobogó: elas se manifestam por meio da escrita e inspiradas pelo que veem e vivem na capital(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
As sete integrantes do Maria Cobogó: elas se manifestam por meio da escrita e inspiradas pelo que veem e vivem na capital (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


Insatisfeitas com a falta de destaque para o trabalho de brasilienses no ramo literário, sete mulheres moradoras da capital se uniram para lançar um selo editorial, o Maria Cobogó. No início do ano, o grupo se juntou para pensar em um projeto com foco na divulgação da cultura do Distrito Federal no país. Amanhã, a proposta será transformada em realidade: no mesmo dia em que anunciarão oficialmente a criação do coletivo editorial e do site da iniciativa, cada uma delas lançará um livro com o selo do grupo. O evento ocorre no Bar Beirute, na Asa Sul, a partir das 18h.

Com sete olhares diferentes, as criadoras do grupo se manifestam por meio da escrita e inspiradas pelo que veem e vivem na capital do país. Algumas nasceram em Brasília, outras não. Mas elas contam que, independentemente da origem de cada uma, sempre se sentiram abraçadas pela cidade. As integrantes relatam que o Maria Cobogó reflete a força das mulheres brasileiras, representadas pelo nome Maria, e como complemento, a palavra cobogó faz referência à cidade.

As criadoras do grupo reconhecem que não fazem parte de um movimento novo, mas assumiram a missão de colocar Brasília com destaque no universo da literatura nacional. A divulgação dos trabalhos ocorrerá por meio de eventos na cidade, feiras literárias em outras unidades federativas e pela venda de livros no site e nas redes sociais do Maria Cobogó.

Elas contam que têm projetos ainda para este ano e que há grandes chances de publicarem obras de gêneros variados de escritores brasilienses. Contudo, a proposta inicial é usar o selo como uma forma de divulgar as obras das integrantes. O coletivo contará com um conselho que analisará cada um dos livros publicados.

Para a jornalista Ana Maria Lopes, 70 anos, integrante do coletivo, o Maria Cobogó serve para mostrar que Brasília tem uma voz literária forte. “Quando conversamos, identificamos as mesmas angústias, desejos, dificuldades com relação ao trabalho de ser escritora no DF, mas sabemos que temos uma literatura de excelente qualidade aqui”, avalia. “Você tem escritores premiados que não decolam, porque parece haver muros que impedem essa visibilidade. E essas pessoas não conseguem ultrapassar o eixo Rio—São Paulo, onde o fazer literário é muito mais forte”, completa Ana Maria.

Ainda segundo ela, o processo de criação do gupo ocorreu sem dificuldades, de forma lúdica e agradável. “Quando se edita, você gasta, sua muito e tem pouco retorno. Queremos que a parte intelectual da escrita seja mais reconhecida. Cada uma pegou as expertises que tinha e juntou nesse processo único”, explica a jornalista.

Experiências comuns


Os interesses em comum, a paixão pela literatura e as dificuldades enfrentadas no processo de publicação de livros por meio de editoras levou a ideia adiante. O sonho de todas, além de publicar, é dar visibilidade à cidade que viram crescer. Com o intuito de dar novos ares à literatura da capital federal e do Centro-Oeste, as sete escritoras se juntaram e abriram espaço para interessados em ampliar a divulgação da produção brasiliense. Por estar em fase inicial, as idealizadoras ainda não definiram como será o processo de publicação. Os livros, no entanto, serão vendidos pelo site à medida que forem lançados.

O fato de ser composto apenas por mulheres foi por acaso, mas a coincidência provocou um sentimento de confiança e fortaleceu a parceria entre elas, segundo as integrantes. Na visão da arquiteta Claudine Duarte, 56, a iniciativa provocou encorajamento. “Brasília tem uma literatura de altíssima qualidade, mas não tem visibilidade nenhuma ou qualquer espelhamento em relação ao país. Eu era uma escritora oculta, mas tomei coragem para me expor e me tornar protagonista da minha escrita”, relata.

A atriz Solange Cianni, 61, nasceu no Rio de Janeiro e chegou a Brasília aos 14 anos. O amor pela arte e a liberdade encontrada no grupo e na escrita serviram como motivação para se juntar às amigas — e recém-conhecidas — e investir na proposta. “A arte deve ser assim. A liberdade me atraiu muito e a possibilidade de vender o livro, também. Geralmente, somos a última pessoa a ver a obra nas editoras”, lamenta.

Ela acrescenta que, desde o anúncio do lançamento do selo, muitas pessoas interessadas se manifestaram para saber como participar ou publicar com o grupo. Ela conta que essa possibilidade ainda não está disponível. Caso isso mude, o único critério adotado durante a avaliação editorial será o primor pela qualidade do conteúdo. “No momento, estamos focando apenas nos nossos livros, mas pretendemos abrir para publicação de outros escritores, de livros infantis, contos, crônicas. Nosso diferencial será a liberdade e o atendimento, que será praticamente individualizado”, explica.
 

Símbolo

Mesmo originários do Recife, os cobogós se tornaram parte da arquitetura de Brasília. Feitos de cimento, argila ou cerâmica, esses elementos se popularizaram não só pela originalidade, mas por permitirem, de forma decorativa, a ventilação e a iluminação dos ambientes. A palavra “cobogó” deriva dos sobrenomes dos engenheiros que criaram a peça: Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis.

Programe-se

Lançamento do selo Maria Cobogó, do site 
do coletivo e de livros das sete integrantes
Bar Beirute, 109 Sul, Bloco A1, Loja 2/4
Amanhã, a partir das 18h
Entrada gratuita. Classificação livre

Obras

Confira a lista de livros publicados pelo selo Maria Cobogó, à venda amanhã:

» A árvore voadora (infantil)
Alessandra Roscoe
32 páginas, R$ 35

» Mar remoto (poemas)
Ana Maria Lopes
120 páginas, R$ 30

» Branca de leite (infantil)
Christiane Nóbrega
40 páginas, R$ 30

» Desencontos (minicontos)
Claudine M. D. Duarte
112 páginas, R$ 30

» Meu reverso (poemas)
Maria Elisa Mattos
160 páginas, R$ 35

» Amor concreto (crônicas)
Márcia Zarur
64 páginas, R$ 45

» Clodoaldo pé descalço (infantil)
Solange Cianni
24 páginas, R$ 30

Haverá desconto para quem comprar os sete livros, além de um kit para quem adquirir todos os livros infantis ou adultos das escritoras.

Agenda

Veja por onde o grupo Maria Cobogó estará nos próximos dias:

» Livre! Festival Internacional de Literatura e Direitos Humanos
12 de agosto, às 14h
Parque Ecológico dos 
Jequitibás, em Sobradinho

» Jornada Literária do DF
14 de agosto, às 9h30
Teatro Sesc Newton Rossi, em Ceilândia

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