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Correio Braziliense

Amigos e parentes se despedem de Adriana Castro, vítima de feminicídio

Adriana foi morta pelo marido na manhã de terça-feira, em frente à casa da mãe. Segundo o irmão da vítima, ela era constantemente ameaçada


postado em 09/08/2018 12:13 / atualizado em 09/08/2018 12:44

Cerca de 50 pessoas compareceram ao velório para se despedir de Adriana. Crime ocorreu no Riacho Fundo 2(foto: Alan Rios/Esp.CB/D.A Press)
Cerca de 50 pessoas compareceram ao velório para se despedir de Adriana. Crime ocorreu no Riacho Fundo 2 (foto: Alan Rios/Esp.CB/D.A Press)
"Amor não machuca, quem machuca são as pessoas". Essa era a frase carregada em camisetas de parentes e amigos que estiveram no velório da dona de casa Adriana Castro, vítima de feminicídio aos 40 anos. O corpo foi velado na capela 4 do Cemitério Campo da Esperança em Taguatinga, na manhã desta quinta-feira (9/8).

O crime aconteceu na última terça-feira (7/8), no Riacho Fundo 2. Adriana estava se separando do marido, o policial militar Epaminondas Silva Santos, 51, que era lotado no 8º Batalhão de Polícia Militar (Ceilândia). Por esse motivo, tinha voltado a morar com a mãe.

O militar foi até a casa da vítima, chamou Adriana para conversar na calçada e disparou duas vezes na cabeça dela. Em seguida, se matou. O assassinato aconteceu por volta das 10h e muitos vizinhos ouviram os tiros.

Segundo o irmão da vítima, Marcelo Adson de Castro, 35, Epaminondas tinha dito que queria devolver os livros escolares do filho e, por esse motivo, Adriana abriu o portão para ele. "Ele era agressivo, e não só quando estava bêbado. Mas a Adriana tinha um coração enorme e ficava com pena dele, preocupada." 

O irmão disse ainda que as ameaças eram constantes e que foi preciso que familiares e amigos interviessem para que Adriana saísse da casa em que eles moravam juntos. Segundo ele, Epaminondas não deixava Adriana trabalhar. Marcelo tenta agora ser a força da família, cuidando da mãe e dos sobrinhos. 

A cerimônia de despedida começou às 8h e envolveu sentimentos de dor e revolta pelo feminicídio da mulher conhecida por ser amorosa, religiosa e acolhedora. Cerca de 50 pessoas foram ao cemitério para se despedir. 

Os dois filhos, de 11 e 7 anos, estiveram no local e receberam o apoio de pessoas como Solange Silva, amiga de Di, como era chamada. O filho mais velho viu toda a cena trágica das duas mortes e falou para Solange: "Meu sonho é ela estar num lugar melhor". O garoto recebeu atendimento psicológico no mesmo dia do feminicídio.

Três feminicídios

Em três dias, o Distrito Federal registrou três ocorrências de feminicídio. Além de Adriana, foram vítimas Carla Graziele Zandoná, 37, morta ao cair do terceiro andar do Bloco T da 415 Sul, na noite de segunda-feira (6/8), e Marília Jane de Sousa Silva, 58, assassinada a tiros pelo taxista Edilson Januário de Souto, 61. Até agora, são 19 feminicídios no DF, mesma quantidade para o ano passado inteiro.


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