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Correio Braziliense

Saiba quem são os vices nas chapas dos candidatos ao Buriti

Além de atrair votos na chapa, o número dois na disputa do principal cargo do Distrito Federal pode substituir o chefe do Buriti em diversas situações. Um dos desafios, o de tornar-se conhecido da população, começa durante a campanha


postado em 18/08/2018 07:00 / atualizado em 18/08/2018 09:56

Depois de intensas negociações para fechar alianças e composições partidárias, os candidatos ao Governo do Distrito Federal definiram quem estará ao lado deles nas eleições como vice. A maioria dos escolhidos são nomes pouco conhecidos do eleitorado em geral e precisarão se apresentar à população durante a campanha. Evangélicos, empresários, presidentes de partido, ativistas e servidores públicos figuram entre aqueles que têm a função de agregar votos. Se eleitos, eles deverão substituir o governador em situações eventuais e no caso de o chefe do Palácio do Buriti deixar o cargo.

Fidelidade e companheirismo são palavras centrais no discurso desses concorrentes. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) buscou um nome de confiança para a vaga na chapa. O socialista rompeu com o vice-governador, Renato Santana (PSD), por atritos que começaram em 2016. Desde então, recebe críticas do ex-aliado, hoje apoiador da candidatura de Rogério Rosso ao GDF, também do PSD.

Desta vez, o escolhido de Rollemberg foi o engenheiro civil Eduardo Brandão (PV). Ex-secretário de Meio Ambiente, ele é aliado de longa data do governador. “Tenho uma relação com o Rodrigo de muitos anos. Só não estivemos juntos quando fui candidato a governador em 2010. Existe uma afinidade grande e uma vontade de construir um projeto para Brasília”, afirma. Ele acredita que poderá contribuir em áreas de execução e no diálogo com o meio político, caso a chapa seja eleita.


Afinidade

O meio evangélico se consolidou no cenário político como fonte de muitos votos e tem tradição de eleger diversos representantes, principalmente parlamentares. Rosso foi buscar nesse segmento Egmar Tavares (PRB), que adotou o discurso em defesa da família e dos valores cristãos. Tavares é pastor da Assembleia de Deus Madureira e está na igreja desde o fim dos anos 1970. Ele concorreu a deputado federal e distrital. “Fui candidato algumas vezes. Venho tentando consolidar uma candidatura há algum tempo. O meu nome surgiu como vice na coligação pensando justamente no setor evangélico. A procura era por alguém que fosse conhecido e tivesse uma trajetória política”, conta.
 
O presidente regional do Avante, Paco Britto, disputará as eleições ao lado do candidato do MDB ao GDF, Ibaneis Rocha. O empresário do setor de construção e de assessoria tributária diz que a escolha se deu pela afinidade em questões de programa e pelo peso do Avante na disputa proporcional. “Foi uma escolha dos partidos da nossa composição. Essa coligação veio por causa das propostas que temos e pelo trabalho forte do Avante com deputados federais e distritais. Vamos lançar 48 nomes para distrital e 16 para federal”, justifica Britto.

O ex-delegado da Polícia Civil e ex-distrital Alírio Neto (PTB) chegou a esboçar uma candidatura ao Palácio do Buriti no começo das negociações, mas fechou com Eliana Pedrosa (Pros). Alírio também é presidente regional do PTB. A chapa, que tem apoio da família Roriz, foi uma das primeiras a divulgar o nome do vice, em junho.

O grupo de Alberto Fraga (DEM) tentou buscar um vice fora da aliança estabelecida com PR, PSDB e Democracia Cristã (DC). Uma das esperanças era fechar com um nome do PP, que se aliou a Ibaneis. Sem sucesso, a opção foi lançar o presidente interino do PR no DF, Alexandre Bispo. Ele acredita que o trabalho ao lado de Jofran Frejat, que desistiu da disputa, pode auxiliar na campanha. “Depois que as alianças com outros partidos terminaram, o meu nome foi escolhido para manter esse trabalho que fizemos nos últimos três anos ao lado do Frejat”, disse.


Puro-sangue

Seis dos 11 pré-candidatos ao Executivo local nesta eleição optaram por lançar chapas puro-sangue, com candidatos a governador e a vice da mesma sigla. É o caso do PSol, que divulgou a chapa completa com Fátima Sousa como postulante a governadora e a conselheira tutelar Keka Bagno como vice, ainda em maio. “Queríamos um nome que fosse complementar ao da Fátima, que viesse dos movimentos sociais e que fosse jovem e mulher”, conta Keka. O partido recusa o termo vice e prefere trabalhar com a ideia de cogovernadoria. “Se eleitas, seremos duas pessoas governando, dividindo todas as responsabilidades”, explica.

Pelo Novo, o médico e especialista em gestão de saúde Erickson Blun faz a estreia na política como vice do herdeiro da rede de lanchonetes Giraffa’s, Alexandre Guerra. “Sempre fui executor e trabalho há muito tempo como gestor. Acho que posso ser um grande apoio para colocar em prática o plano de governo do Alexandre Guerra”, reforça.

O candidato a vice do general da reserva Paulo Chagas (PRP), Adalberto Monteiro, conta que buscava alianças com outros partidos para fechar o nome do número dois da chapa. “Eu estava negociando vice e senador. O general resolveu me convidar. Não passava pela minha cabeça, mas serei um vice leal. O mais discreto possível. Vou procurar dar a minha contribuição”, diz Monteiro, também presidente regional da sigla.
 
No PT, que não fez coligações para esta eleição, a escolhida para compor a chapa encabeçada pelo economista Júlio Miragaya foi a agricultora Cláudia Farinha. Ela exerceu a função de gerente de área na Secretaria de Agricultura e assessorou o distrital Chico Vigilante.

Candidato a vice pelo PCO com Renan Rosa como candidato a governador, Gilson Dobbin explica que a legenda escolhe os nomes para a majoritária pela experiência. “Os nomes são aqueles com mais tempo de trabalho dentro do partido. Eu tenho 30 anos de militância e de ação no PCO. Atendo a essa característica”, detalha o analista legislativo. Outro fator levado em conta foi a disposição para tocar a campanha com foco na defesa do ex-presidente Lula.

O PSTU, que lançou o professor da rede pública Antônio Guillen ao GDF, optou por escolher como vice Eduardo Zanatta, outro nome da educação. Formado em letras pela UnB, Zanatta também leciona na rede pública e é militante de movimentos sociais.


Desconforto

Em abril, durante sessão solene da Câmara Legislativa em comemoração aos 58 anos de Brasília, Renato Santana fez duras críticas a Rollemberg. Além de afirmar que errou ao compor com o governador e apontar falhas da gestão, ele o chamou de preconceituoso. Santana disse que foi perseguido por ser negro e de Ceilândia. O atual chefe do Buriti negou as acusações.


O que diz a lei

O artigo 92 da Lei Orgânica estabelece algumas funções para o vice-governador. Cabe a ele “substituir o governador em sua ausência ou impedimento e lhe suceder no caso de vaga”. O texto também define que, em caso de impedimento do governador e do vice, o presidente da Câmara Legislativa e o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios assumirão os cargos. O vice precisa morar no Distrito Federal e não pode deixar a capital por mais de 15 dias sem autorização da Câmara Legislativa.

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