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Correio Braziliense

Candidatos ao Buriti se preparam para campanha na televisão e no rádio

O horário eleitoral gratuito começa na próxima sexta-feira. Os políticos que disputam o Palácio do Buriti e suas equipes concebem a estratégia com o objetivo de explorar esse espaço e se organizam para apresentar as propostas


postado em 26/08/2018 08:00 / atualizado em 25/08/2018 20:31

(foto: Arte/CB/D.A Press)
(foto: Arte/CB/D.A Press)
Gravações em estúdio, imagens de campanha nas ruas, candidatos em meio aos eleitores, cenas familiares e depoimentos de aliados: vale tudo para turbinar a propaganda na televisão. A transmissão dos programas eleitorais começa na próxima sexta-feira e as equipes se preparam para a exibição. Apesar de alguns políticos questionarem a importância da TV em tempos de redes sociais, a maioria dos candidatos e dos especialistas aposta nessa exposição para conquistar o eleitorado — especialmente diante das restrições orçamentárias das campanhas.

A estratégia para a estreia na televisão é mantida em segredo pelos marqueteiros e a maioria dos candidatos só vai finalizar o programa que vai ao ar na sexta-feira na véspera da transmissão das inserções. A meta é evitar vazamentos e causar surpresa na primeira apresentação aos eleitores. Mas equipes das campanhas adiantaram à reportagem alguns pontos que serão explorados pelos candidatos ao Buriti.

O deputado federal Alberto Fraga, do DEM, é o político com maior tempo de televisão. Ele terá 1 minuto e 50 segundos para apresentar propostas ou responder a críticas de adversários. Nos programas, vai exibir realizações como secretário de Transporte — ele comandou a pasta durante o governo de José Roberto Arruda. “Tenho muitas realizações e quero mostrar isso aos eleitores, falar da minha experiência no Executivo. O espaço na TV ainda é preponderante nas eleições. Espero que os outros candidatos apresentem propostas, porque de promessa o povo já está cansado”, conta Fraga. Ele gravou vídeos ao lado do ex-secretário de Saúde Jofran Frejat. O material já está sendo disseminado entre os eleitores, mas deve ser usado novamente na propaganda da televisão. “Ele é um excelente cabo eleitoral”, comenta Fraga.

Candidato do MDB ao Buriti, o advogado Ibaneis Rocha considerou o tempo de 1 minuto e 44 segundos de propaganda eleitoral na tevê e no rádio “razoável para a exposição de ideias”. A gravação do primeiro programa ocorreu na casa do emedebista. “Temos que tirar um pouco da plástica do material de campanha. Nos dois ou três primeiros momentos, pretendo me apresentar, mostrando de onde sou, quais trabalhos desenvolvi. Nos próximos, vou mostrar minhas propostas. Enquanto os outros candidatos precisarão se justificar, dedicarei o tempo apenas ao detalhamento das propostas”, disse.

Rogério Rosso, do PSD, terá 1 minuto e 38 segundos para apresentar projetos de melhoria para o Distrito Federal. A equipe do deputado federal licenciado faz mistério com relação ao programa de estreia, na semana que vem. “Estamos fazendo pesquisas qualitativas, analisando o cenário, para definir essa estratégia. O fato é que as pessoas estão muito desinteressadas e vamos precisar driblar esse pessimismo dos eleitores”, conta Arthur Bernardes, vice-presidente do PSD-DF.

A coordenação da campanha do governador Rodrigo Rollemberg também evita dar detalhes sobre como pretende explorar o espaço na televisão. “Nossa estratégia geral é mostrar o que a gente fez e o muito que ainda faremos. O formato ainda não foi definido”, explica Rollemberg, que terá 1 minuto e 14 segundos na propaganda da televisão e do rádio.

O petista Júlio Miragaya terá 1 minuto e 10 segundos para enfrentar o desafio de se tornar conhecido entre o eleitorado. Assim como tem feito na campanha de rua, ele pretende divulgar muito a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nos programas eleitorais, vamos falar muito sobre a questão da deterioração do serviço público e sobre como isso afeta a vida das pessoas, com ausência de médicos nos postos e nos hospitais, escolas degradadas e delegacias fechadas. Vamos explicar ao público que nosso pacote de medidas inicial de governo é oferecer um serviço público de qualidade”, conta Miragaya. “Vamos ainda mostrar que o Lula é o candidato à Presidência que tem as melhores propostas para o Brasil voltar a crescer com distribuição de renda”, acrescenta.

A ex-deputada distrital Eliana Pedrosa (Pros) também faz mistério sobre o enfoque do programa de televisão, que terá ao todo 49 segundos. A reportagem apurou que a candidata vai estrear no horário eleitoral com um discurso sobre família, reforçando a imagem de mulher e mãe. Ela deve gravar em casa, ao lado dos netos. Segundo a assessoria de Eliana, a segunda-feira da candidata está reservada para a produção dos primeiros programas.

Recall


Fátima de Sousa, do PSol, terá apenas 9 segundos, e pretende usar o tempo para mostrar ao eleitorado sua experiência com ensino e gestão. “Um dos principais objetivos da propaganda na televisão será despertar a curiosidade a respeito da Fátima, para que as pessoas busquem mais informação sobre ela, já que a Fátima não tem o recall dos outros candidatos”, explica Lincoln Macário, coordenador de comunicação da campanha. “Vamos mostrá-la como alguém que, apesar de não ter ocupado cargos eletivos, tem uma grande experiência com gestão governamental, especialmente nas áreas de educação e saúde”, acrescenta Lincoln. A candidata a vice da chapa, Keka Bagno, também aparecerá nos programas. “Não temos uma vice decorativa, como muitos candidatos, mas alguém extremamente capacitada.”

Paulo Chagas (PRP) terá 8 segundos. O general da reserva conta que a equipe de campanha ainda não definiu a estratégia para a propaganda na TV, mas a proximidade de Chagas com Jair Bolsonaro (PSL) será explorada. “Vou me inspirar no Enéas para achar uma solução. Ele também tinha pouquíssimo tempo de TV e, com apenas uma frase, se tornou conhecido”.

Alexandre Guerra (Novo), Renan Rosa (PCO) e Antônio Guillen (PSTU) terão apenas quatro segundos. O candidato do Novo pretende juntar  apoiadores para a aparição no primeiro programa. Segundo a equipe de Guerra, a ideia é mostrar a proposta do partido e chamar os espectadores para conhecer as propostas nas redes sociais. Guillen reconhece as dificuldades de apresentar propostas em tempo tão exíguo. “Não vamos ter tempo para falar muito, explicar ideias ou apresentar frases de destaque. Vai ser tipo um bottom. Vamos usar ‘Antônio Guillen para governador’”, conta.


Tempo

A distribuição dos horários é feita de acordo com a legislação eleitoral. A lei estabelece que os espaços devem ser repartidos entre os partidos políticos e as coligações levando em conta os seguintes critérios: 90% são divididos proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados e 10% são distribuídos igualitariamente entre todos.

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