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Correio Braziliense

Transexual dá palestra educativa a empregados de pastelaria

A mulher foi vítima de ofensas e agressões físicas por parte de funcionários da empresa, mas abriu mão da indenização para promover o diálogo


postado em 27/08/2018 22:00 / atualizado em 27/08/2018 23:24

Natalha falou sobre questões de gênero, como violências e direitos(foto: TJDFT/Divulgação)
Natalha falou sobre questões de gênero, como violências e direitos (foto: TJDFT/Divulgação)

Após ser vítima de ofensas e agressões físicas por parte de empregados de uma pastelaria na Rodoviária do Plano Piloto, uma mulher transexual fez uma palestra educativa sobre a violência de gênero para 40 funcionários da empresa. A medida foi decorrente de acordo homologado no 6º Juizado Cível de Brasília. 

Natalha do Nascimento havia entrado com um processo contra a pastelaria por danos morais, alegando que  passava diariamente em frente ao local, a caminho do trabalho, e sofria ofensas verbais pelos funcionários da empresa, que a xingavam com expressões relativas à identidade de gênero.
 
Afirmou ainda que, depois de reiteradas agressões, resolveu questionar o comportamento dos funcionários, o que resultou em confusão e violência física por parte de um dos trabalhadores. Natalha pediu indenização no valor de R$ 20 mil. 

A pastelaria, por outro lado, demitiu o agressor, mas defendeu que a autora do processo não contava com documentos que comprovassem os danos físicos e que a punição contra o funcionário já havia sido tomada. As duas partes chegaram, então, a um acordo, em que, em vez da indenização, Natalhapromoveria um diálogo sobre diversidade de gênero e difundiria valores como respeito, generosidade e desconstrução da violência.

A palestrante abordou aspectos biológicos e comportamentais dos transgêneros e da sociedade, falou sobre modelos sociais, atendimento ao público, direitos, violência aos desiguais, e incentivou denúncias contra atos discriminatórios. "Sempre acreditei que a educação é a ferramenta mais potente no combate à violência, sem gerar violência. Respeito não tem preço", afirmou Natalha. 

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