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Correio Braziliense

Júlio Miragaya sai em defesa de Lula e critica gestão de Rollemberg

O candidato do PT ao Palácio do Buriti também foi questionado sobre as denúncias de corrupção na gestão de Agnelo Queiroz (PT) e propôs um diálogo maior com o funcionalismo para melhorar a situação da saúde pública no DF


postado em 28/08/2018 21:38 / atualizado em 29/08/2018 11:35

Com um bottom em defesa de Lula, Miragaya deu continuidade à estratégia petista de considerar uma perseguição política a prisão do ex-presidente(foto: Minervino JUnior/CB/D.A.Press)
Com um bottom em defesa de Lula, Miragaya deu continuidade à estratégia petista de considerar uma perseguição política a prisão do ex-presidente (foto: Minervino JUnior/CB/D.A.Press)

O economista Júlio Miragaya (PT) adotou uma tática clara no debate promovido pelo Correio Braziliense com sete candidatos ao Governo do Distrito Federal: defesa do partido e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seguiu à risca a estratégia petista de dar uma conotação de perseguição política ao caso do tríplex do Guarujá (SP), em que Lula cumpre pena em Curitiba de 12 anos e um mês de prisão. "Nós temos hoje um presidente encarcerado, sequestrado politicamente, e isso se deu em função de uma decisão política, de impedir que ele participasse do processo eleitoral", afirmou Miragaya, que usava um bottom com a frase "Lula livre".
 
Formado pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio, Miragaya é doutor em desenvolvimento econômico sustentável pela Universidade de Brasília (UnB). Ocupou o cargo de presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) no governo Agnelo Queiroz (PT), o que acabou sendo alvo de uma das perguntas. Sobre o que ele faria de diferente da gestão Agnelo, que ficou marcada por denúncias de corrupção na construção do Estádio Nacional Mané Garrincha e por regalias a políticos presos no Complexo Penitenciário da Papuda. 

Em outro ponto importante do debate, Miragaya questionou o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) sobre a relação dele com o PT e a "mudança de direcionamento político" a partir das eleições de 2014. "Você apoiou Aécio no segundo turno, você apoiou o golpe contra a presidente Dilma, você apóia Temer nas propostas. A população quer entender: quem é o Rodrigo Rollemberg de hoje? O que defende a esquerda ou não?". 
 
Rollemberg defendeu o seu governo, citando que é o mesmo político, com 33 anos no mesmo partido e que quem mudou foi o PT. Na réplica, Miragaya respondeu que não é o que ocorre na prática. "Infelizmente, não é a realidade que a gente vê. O serviço público não está funcionando, a saúde não funciona, as escolas estão com problemas, não temos vagas nas creches, temos 15 delegacias de polícia fechadas. E você está recorrentemente responsabilizando o governo passado."

Durante o debate, Miragaya foi acusado pelo candidato do MDB, Ibaneis Rocha, de ser contra o combate à corrupção, por fazer uma defesa do ex-presidente Lula. O petista rebateu, voltou a citar o termo "50 tons de Temer" (em referência ao candidatos ao GDF ligados ao atual governo federal). Miragaya também criticou o fato de ter ficado de fora de perguntas no segundo bloco, o que também ocorreu com a candidata do PSol, Fátima Sousa: "Então, Fátima, me parece que a gente falou no último debate dos 50 tons de Temer e parece que os 50 tons de Temer se alinharam para não dialogar com os representantes da esquerda de Brasília. E é curioso, nesse debate, que há acusações de parte a parte. E todos estão mentindo". Confira a seguir outros tópicos abordados pelo candidato petista durante o debate:
 
Ver galeria . 15 Fotos Sete dos 11 candidatos ao Buriti participaram do debate promovido pelo Correio BrazilienseMinervino Junior/CB/DA Press
Sete dos 11 candidatos ao Buriti participaram do debate promovido pelo Correio Braziliense (foto: Minervino Junior/CB/DA Press )
 

Denúncias de corrupção no governo Agnelo


"Nós devemos fazer um debate político voltado para a solução dos problemas da cidade. Temos visto perguntas sobre a corrupção, mas a sociedade quer propostas. O problema do estádio é uma questão que tem que ser tratada pelos órgãos de fiscalização, da Justiça. Se houve algum desvio, isso envolve não só o governo do Agnelo, mas o governo do (José Roberto) Arruda e, de certa forma, até o Rogério Rosso, que foi governador por um período. Se tem um órgão investigando, que se apure. Não podemos prejulgar ninguém. Entramos numa situação de denuncismo que não ajuda em nada, em nada, a resolução dos graves problemas na sociedade brasileira e brasiliense. Espero que possamos fazer um debate de propostas para a cidade, na área de saúde, educação, segurança pública, de emprego, temos 320 mil desempregados. A população quer saber disso, não acusar um outro candidato."


Situação do ex-presidente Lula

"Nós temos hoje um presidente encarcerado, sequestrado politicamente, e isso se deu em função de uma decisão política, de impedir que ele participasse do processo eleitoral, construiu-se uma farsa, o colocaram na cadeia para impedir que o povo brasileiro escolhesse seu candidato nesse processo eleitoral. A denúncia contra ele é uma farsa."

Os demais candidatos ao GDF

"É curioso, nesse debate, que há acusações de parte a parte. E todos estão mentindo. A gente vê aqui candidato que é congressista e votou a favor dessa lei (Emenda Constitucional 95) que corta gastos na saúde, na segurança e na educação, e vem aqui e promete mundos e fundos, promete um paraíso para a população. Que vota a favor da Reforma Trabalhista, que está jogando a população na informalidade. Aqui no DF, nos últimos três anos e meio do governador Rollemberg, apenas 4 mil conseguiram vaga no mercado e 156 mil foram para a fila do desemprego. Aqui, não se discute como efetivamente tirar o Distrito Federal dessa situação. Temos que ter um programa de valorização do trabalho, de inclusão social, de reverter essa queda permanente da renda, para que efetivamente o trabalhador possa desfrutar de uma melhor qualidade de vida. Mas, para isso, precisa formular estratégias de desenvolvimento, mas aqui só tem acusação aqui, acusação para lá."
 

Medidas para a saúde pública

"Inicialmente, dialogar com os trabalhadores da saúde, isso tem sido visto em todas as áreas do governo. Não há diálogo com os trabalhadores em geral, da saúde, da segurança e da educação. Há um desrespeito muito grande com o servidor e isso impacta no atendimento à população. Vemos uma privatização da saúde, como no caso do Instituto Hospital de Base, que piorou o atendimento. Acompanhei de perto que uma há um abandono da saúde aqui. Sou testemunha do caso de uma companheira do PT que sofreu um acidente no dia do registro da candidatura de Lula no TSE. Ela ficou internada na quarta e até o domingo não tinha sido operada. Teve que ir para São Paulo. Há um abandono. Temos que criar condições para a população ter um atendimento decente. Ele (Rollemberg) herdou uma situação da saúde melhor do que está deixando. Nós temos que investir na valorização do servidor da saúde e criar as condições para que a população tenha um bom atendimento."

Corrupção no país

"Foram citados Geddel (Vieira Lima) e vários outros. O Aécio (Neves), em Belo Horizonte, fugiu da raia. Tá saindo do Senado e vai disputar a Câmara porque não quer enfrentar a ex-presidente Dilma. O presidente Lula é um perseguido político. Não há crime, não há prova. O apartamento do Guarujá (SP) é uma farsa jurídica. Tem um depoimento de um comitê da ONU que considera uma arbitrariedade o presidente Lula não disputar as eleições. Toda essa pecha que tentaram colar no Lula, de que está envolvido com a corrupção, com dinheiro na Suíça, é um fake, há uma perseguição deliberada. Há um relator do TRF-4 que leu 6,5 mil páginas em 48 horas. Isso é impossível. Mas queria correr com a condenação para impedir que ele pudesse participar nas eleições."

Considerações finais

"Quero falar com os moradores do Distrito Federal. Vocês sabem muito bem que quem cuida do trabalhador é o PT. Isso se deu na esfera federal com o presidente Lula, com o Bolsa Família, com a criação de 12 milhões de empregos na carteira. Aqui, foi criado o DF sem Miséria, aqui foram construídos 50km de faixas exclusivas, construídas 52 creches. Isso que vamos trazer de volta: no plano federal, com a eleição do Lula, e aqui com a minha eleição."
 
 

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