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Correio Braziliense

Afinal, metrô ou VLT são opções viáveis para Sobradinho e Planaltina?

Soluções e ideias para a melhoria do transporte urbano brasiliense esteve entre os temas abordados pelos candidatos ao GDF no debate realizado pelo Correio. Especialistas avaliam a viabilidade de algumas propostas


postado em 30/08/2018 06:00 / atualizado em 30/08/2018 10:28

Metrô em Águas Claras (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )
Metrô em Águas Claras (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )
 
Resolver o problema da mobilidade urbana está entre as prioridades dos candidatos a governador. O tema faz parte do plano de governo de todos os postulantes ao GDF, mas, assim como discutido no debate promovido pelo Correio Braziliense, na terça-feira, o método para resolver os problemas é um ponto divergente. Os concorrentes ao Palácio do Buriti recuperaram projetos de governos antigos, questionaram a implementação de propostas dos adversários e apresentaram promessas como expansão das linhas do metrô, ampliação de eixos do BRT e criação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) (leia Memória abaixo).
 
Na primeira pergunta do embate realizado nos estúdios da TV Brasília, Fátima Sousa (PSol) questionou se Eliana Pedrosa (Pros) havia realizado estudos para propor a implantação do VLT na região norte do DF, onde ficam Sobradinho e Planaltina. A ex-distrital afirmou que o projeto tem base em pesquisas de governos anteriores e que seria “perfeitamente possível”. Fátima rebateu dizendo que esse tipo de transporte “não subiria a serra de Sobradinho. “Sugiro à senhora estudar mais”, atacou a representante do PSol.

Especialistas ouvidos pelo Correio avaliam que é praticamente impossível implantar o VLT, metrô ou outros veículos sobre trilho no transporte de passageiros entre Plano Piloto, Sobradinho e Planaltina. “A topografia é desfavorável, ficaria praticamente impossível. O trem gastaria muita energia para realizar a subida do Colorado e a descida do Torto. O consumo de energia seria absurdo”, explicou Edson Benício, doutor em transportes e professor do Centro Universitário de Brasília (UniCeub).

Eliana Pedrosa afirmou ontem ao Correio que se confundiu com a pergunta de Fátima de Sousa. Ela entendeu que a candidata do PSol a havia questionado sobre o VLP (Veículo Leve sobre Pneus, o mesmo que o BRT). Mas a concorrente do Pros não descartou utilizar um trem para resolver a mobilidade urbana da região. “Seria uma continuidade da Rodoferroviária até Planaltina. É um transporte de massa, no qual um comboio só pode levar até 1,2 mil passageiros. Não há sinal, nem pardal”, explicou. Trata-se de um projeto antigo, elaborado pelo ex-governador do DF Joaquim Roriz e que, segundo Pedrosa, será revisado caso ela seja eleita.

Investimento em BRT

A solução mais eficaz para a região norte do DF, segundo Edson Benício, é o BRT. “Seria uma viagem rápida, segura, confortável e que atenderia a expectativa dos usuários em relação à mobilidade urbana”, explica. O governo de Rodrigo Rollemberg (PSB) concluiu um projeto para construir e operar o BRT Norte, apresentado ao Ministério das Cidades e à espera de aprovação e liberação de recursos. O plano é que o transporte saia de Planaltina, passe por Sobradinho e chegue ao Terminal da Asa Norte.

Integração do BRT no Park Way (foto: Mayara Subtil/Esp. CB/D.A Press )
Integração do BRT no Park Way (foto: Mayara Subtil/Esp. CB/D.A Press )
A inauguração do primeiro eixo do BRT, ligando Gama e Santa Maria ao Plano Piloto, ocorreu em junho de 2014, no governo Agnelo Queiroz (PT). A via de 43,38km de extensão custou R$ 562 milhões. Além do eixo Norte, Rollemberg pretende levá-lo para a parte oeste em um possível segundo mandato. O projeto do socialista é usar o formato para resolver os problemas de mobilidade do Sol Nascente, em Ceilândia.

Segundo o governador, o veículo passaria pela Avenida Hélio Prates, pelo Pistão Norte e chegaria ao Plano Piloto pela Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig). “Existem recursos para o eixo Oeste. Isso permitirá, em seguida, a implementação do BRT Oeste” informou Rollemberg. As obras custariam R$ 684 milhões,  dos quais cerca de 93% devem ser financiadas pela Caixa Econômica Federal.

A iniciativa divide opiniões. Devido aos problemas de infraestrutura no Sol Nascente, até a circulação de ônibus no local é complicada. A região, que abriga mais de 100 mil pessoas, é atendida por  13 linhas de ônibus, segundo o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans). São 721 viagens por dia. “A população está bem próxima do metrô. Então, acredito que o indicado seria aumentar a linha de ônibus internos, que levariam a população até as estações”, acredita Edson Benício.

O coordenador do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes (Ceftru) da Universidade de Brasília (UnB), Pastor Willy, vê o projeto com otimismo. “Se implementado nesse trecho, que também passa por Taguatinga, acredito que seja um modelo funcional para a rede de transporte público da região”, aponta.

Expansão do metrô

A ampliação do metrô para a Asa Norte também aparece na pauta dos candidatos ao GDF. Rollemberg e Alberto Fraga (DEM) pretendem levar o sistema pelo menos até o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O doutor em transporte Edson Benício concorda com a proposta e analisa que é mais eficaz do que levar o transporte até a última quadra da Asa Norte. “O que paga o sistema é girar a catraca, e a Asa Norte não tem uma população tão grande. Todo o trajeto do metrô será enterrado, o que faria a obra ter um custo altíssimo”, explica.

Para o especialista, a melhor opção para a Asa Norte seria o VLT, que, diferentemente do sistema metroviário, pode trafegar nas pistas, ao lado dos veículos comuns, diminuindo o custo da implementação. O projeto faz parte do plano de governo de Rollemberg, que prevê investimento em obra do VLT W3 Sul/Norte, ligando a Estação Asa Sul do metrô ao Terminal Asa Norte.

O professor Pastor Willy acredita que, caso a obra do metrô na Asa Norte saia do papel, é mais indicado levá-lo até o Câmpus Darcy Ribeiro da UnB, na L2 Norte. “Criaria um eixo de desenvolvimento na região, além de atender uma demanda fixa, que está em funcionamento durante grande parte do ano: os estudantes”, pontua.

O plano de Fátima de Sousa é que a expansão ocorra principalmente em Ceilândia. Em compromisso de campanha na região, a candidata do PSol ao Buriti prometeu levar o metrô ao Setor O. Além disso, ela quer integrar o sistema ao BRT Sul. Especialistas consideraram a iniciativa viável. “Trata-se de uma das áreas com maior crescimento populacional do DF. Se necessário, desapropriações de terras terão de ser feitas e colocadas dentro do projeto orçamentário, mas é algo que precisa sair do papel”, acredita o professor do UniCeub Edson Benício.
 

Memória 

Obras suspensas do VLT

 

Esqueleto que restou das obras do Galpão de Manutenção do Veiculo Leve sobre Trilhos - VLT entre o Setor Policial Sul e o Zoologico de Brasília. (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )
Esqueleto que restou das obras do Galpão de Manutenção do Veiculo Leve sobre Trilhos - VLT entre o Setor Policial Sul e o Zoologico de Brasília. (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )
Um projeto de construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Brasília chegou a ser licitado em 2009, como uma das obras de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014. Os trilhos levariam os usuários do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek até um terminal na Asa Norte. Cerca de R$ 1,5 bilhão seriam investidos. As obras chegaram a ser iniciadas, mas foram paralisadas em 2010, quando o projeto foi suspenso. Restou um esqueleto das obras no Galpão de Manutenção do VLT, entre o Setor Policial Sul e o Zoológico. 

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