Publicidade

Correio Braziliense

Na Praia Social traz experiência sustentável para pessoas carentes do DF

Agenda global 2030 foi tema de dinâmicas que movimentaram 500 crianças, jovens, adultos e idosos dos Centros Olímpicos em cenário inspirado no Sudeste Asiático


postado em 30/08/2018 23:03

(foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)
(foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)
 
Moradora da Estrutural, a desempregada Arlene Damacena, 37 anos, nunca viajou para uma praia de verdade. Mas, nesta semana, vivenciou uma experiência parecida, às margens do Lago Paranoá. Botou os pés na areia e curtiu o passeio, num cenário inspirado em praias da Tailândia e Indonésia, ao lado da filha Geovana Vitória Souza, 10. As duas escreveram suas ideias para mudar o mundo e foram sorteadas para participar do projeto Na Praia Social. Elas fizeram parte de um grupo cerca de 500 crianças, jovens, adultos, idosos e pessoas com deficiência, convidadas a embarcar em uma história que envolve a solução de desafios que podem transformar o planeta em um lugar melhor. A ação foi desenvolvida pela R2 Produções em parceria com a Fundação Assis Chateaubriand, e apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Nessa terça e quarta-feira (28 e 29/8), o projeto Na Praia Social recebeu alunos dos Centros Olímpicos e Paralímpicos de Ceilândia, Estrutural, Riacho Fundo I, Samambaia, São Sebastião e Sobradinho, para uma experiência lúdica com os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS). Os objetivos fazem parte da Agenda Global 2030, das Nações Unidas. “Muito bom poder sair da rotina e aproveitar com a minha filha. A gente plantou mudinhas na horta, chupou picolé, descobriu como preservar a água. Aprendemos muita coisa nova e percebemos que ter um mundo melhor só depende da gente”, comentou Arlene Damacena.

Quem também aproveitou o passeio foi Diocleciano dos Santos, 79, morador de São Sebastião: “Achei muito bom porque a gente vê coisas que não tem costume, distrai um pouco, faz bem para a cabeça. Vou levar o que aprendi para os meus filhos e netos.” Moradora de Ceilândia, a atleta de karatê Isadora Aguiar, 12, gostou do contato com a natureza. “Achei interessante o que eles falaram sobre reciclagem, que não pode jogar nada na água dos rios e do lago, porque polui, mata os peixes, espero que as pessoas aprendam. Se o povo mudar, o planeta vai ser bem melhor”, observou a menina.
 
(foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)
(foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)

Por um mundo com mais sustentabilidade

Atores caracterizados como moradores de uma ilha do Sudeste Asiático, conduziram dinâmicas que tratavam de temas como preservação do meio ambiente, saúde, igualdade de gêneros, entre outros. A experiência visava conscientizar os participantes sobre a importância da adoção de medidas para contribuir com a construção de um mundo melhor, mais justo e sustentável.

As turmas dos Centros Olímpicos e Paralímpicos puderam curtir o ambiente do projeto itinerante Na Praia, às margens do Lago Paranoá, e se divertir com jogos de vôlei, futebol, bocha adaptada, aulão de dança, tirolesa, simulação de voo livre, oficina de reciclagem, plantio de mudas. "Esperamos que tenham uma lembrança agradável de um lugar gostoso, tanto pela experiência esportiva quanto pela consciência de que um mundo melhor depende de cada um de nós. Buscamos mostrar, de forma lúdica, como é possível trazer a Agenda ODS para nosso dia a dia, como algo natural", destacou Mariana Borges, superintendente da Fundação Assis Chateaubriand. A entidade faz parte do Movimento Nacional ODS Nós Podemos.

Segundo Francisco Nilson Moreira, diretor de sustentabilidade do projeto Na Praia, a iniciativa Na Praia Social é uma ferramenta de democratização do acesso do espaço. "É uma alegria poder receber pessoas que, numa situação normal, não poderiam sequer vir ao evento porque moram longe ou por uma questão socioeconômica”, comenta. Este ano, acrescenta Francisco, a política de sustentabilidade do evento ganhou força, com a proposta do lixo zero e uso de energia solar, por exemplo. “A gente quer que essa ideia de sustentabilidade pegue, que mais pessoas copiem o que a gente faz, e que levem isso para mais longe", observou.
 
(foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)
(foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)
 

Uma agenda de todos

Também estiveram presentes nesta semana no projeto Na Praia Social representantes do PNUD, Secretaria Nacional de Articulação Social da Presidência da República e Ministério do Meio Ambiente (MMA). Para Haroldo Machado Filho, assessor do PNUD, trazer essa consciência para o público infantil é muito válido. “Acreditamos que é muito importante envolver a geração mais jovem, que em 2030 vai estar em uma posição atuante, como profissionais relevantes, que podem fazer a diferença. Essa conscientização desde os primeiros anos é fundamental, para que comecem a perceber que os ODS não são algo abstrato, que estão apenas em um documento, mas que fazem parte do seu dia a dia e que podem atuar para mudar sua realidade”, ressaltou.

Secretário nacional de articulação social da Presidência da República, Henrique Villa destacou que essa agenda de desenvolvimento foi um compromisso assumido pelo Brasil junto às Nações Unidas e que está conectada a muitos desafios brasileiros até 2030: “É uma agenda que abrange violência, corrupção, combate às desigualdades no território, desigualdade de gênero, fome, pobreza, mudanças climáticas. Precisamos comunicar a sociedade brasileira de que esta é uma agenda para todos, todos são protagonistas. É um processo de transformação diário.”

Na avaliação de Renata Maranhão, diretora de educação ambiental do MMA, as problemáticas socioambientais e os impactos delas fazem parte do dia a dia de todos. “Para isso, a gente precisa de uma ação coordenada e coletiva entre as diversas instituições. Isso faz com que o setor privado passe a ter um olhar especial para as questões sociais e ambientais e cumpra esse papel junto com órgãos públicos e sociedade civil em geral. Ter uma atividade como essa do Na Praia Social, olhando de forma cuidadosa e atenciosa para esses aspectos é muito importante”, completou Renata.
 
 

Semana que vem tem mais

O Na Praia Social chega em 2018 à sua quarta edição, atingindo um total de 8,5 mil pessoas atendidas. Na próxima semana, deve receber cerca de 350 estudantes da rede pública de ensino do DF.

Saiba mais sobre a programação em www.tevejonapraia.com.br

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade