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Correio Braziliense

Com dinheiro curto, candidatos tentam arrecadar até com vaquinhas virtuais

Com restrições a doação de empresas, candidatos tentam montar estratégia com recursos do Fundo Partidário e vaquinhas virtuais. Entre os postulantes ao Palácio do Buriti com fôlego econômico estão Rodrigo Rollemberg (PSB), Ibaneis Rocha (MDB) e Alberto Fraga (DEM)


postado em 02/09/2018 08:00

Sete dos 11 candidatos ao Governo do Distrito Federal receberam doações de campanha que somam R$ 6,1 milhões. Entre os políticos na disputa pelo Senado, o total dos recursos arrecadados chega a R$ 3,5 milhões. Esta será a primeira eleição local após a proibição de empresas doarem dinheiro para os concorrentes na disputa eleitoral. Os partidos se organizam para atender à pressão dos candidatos por recursos, enquanto muitos recorrem a vaquinhas para tentar abastecer a campanha.

Entre os que disputam o Palácio do Buriti, o candidato à reeleição, Rodrigo Rollemberg (PSB), é o que mais conta com receitas até agora. Ele arrecadou R$ 2,82 milhões só de recursos do Fundo Partidário. O PSB, legenda do chefe do Executivo, repassou R$ 2,8 milhões, e o PV, do candidato a vice da chapa, Eduardo Brandão, cedeu R$ 20 mil para a campanha. No sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda não constam gastos detalhados de Rollemberg, apenas uma despesa de R$ 1 mil em combustível.

O segundo postulante ao Palácio do Buriti com mais recursos à disposição até agora é Ibaneis Rocha (MDB), que tem receitas de R$ 1,2 milhão. A totalidade do montante veio de recursos próprios do advogado, que é ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF e, desde os anos 1990, atua principalmente na área trabalhista. Ibaneis não vai usar recursos do Fundo Partidário.

O deputado federal Alberto Fraga (DEM) reuniu R$ 1 milhão para sua campanha até agora, dinheiro que veio do diretório nacional de seu partido. Ele ainda não registrou despesas. Rogério Rosso (PSD) registrou receitas de R$ 730,3 mil junto à Justiça Eleitoral. Foram R$ 700 mil em doações do empresário Fernando Marques (SD), da farmacêutica União Química, que é candidato ao Senado da chapa de Rosso, além de R$ 30,3 mil de outras pessoas físicas.

Eliana Pedrosa (Pros) arrecadou R$ 229,5 mil, dos quais R$ 200 mil vieram do PTC, partido que compõe a aliança da ex-deputada distrital, e R$ 11 mil saíram dos cofres do Pros, sua legenda. Além disso, a candidata recebeu R$ 18,5 mil de pessoas físicas, principalmente pessoas de sua família. A representante do PSol, Fátima Sousa, registrou receitas de R$ 72,3 mil, dinheiro oriundo do Fundo Partidário.

Alexandre Guerra (Novo) soma arrecadação de R$ 63,4 mil. O partido é contra o uso de dinheiro do Fundo Partidário. Entre as receitas do candidato, R$ 20 mil vieram de recursos próprios e R$ 12,4 mil saíram de doações por campanhas de financiamento coletivo, as chamadas vaquinhas virtuais. Dos gastos declarados por Guerra, os maiores valores foram para o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais. Júlio Miragaya (PT), Antônio Guillen (PSTU), Paulo Chagas (PRP) e Renan Rosa (PCO) ainda não têm prestações de contas registradas na Justiça Eleitoral.

Senado

Entre os candidatos ao Senado, quem mais tem recursos à disposição para a campanha é Cristovam Buarque, que disputa a reeleição pelo PPS. O parlamentar possui receitas que totalizam R$ 1,4 milhão. Desse valor, R$ 1,1 milhão são oriundos do Fundo Partidário e R$ 300 mil foram doados por Fernando Marques. O empresário, que também concorre ao Senado, doou R$ 1 milhão para a própria campanha.

Como o Correio mostrou na última sexta-feira, Marques é o segundo maior doador pessoa física do país, com repasses que somam R$ 2,1 milhões a vários candidatos de sua coligação. Perde apenas para o ex-ministro da Fazenda e candidato do MDB à Presidência, Henrique Meirelles, que desembolsou R$ 20 milhões. Cristovam Buarque registrou despesas em total de R$ 473,6 milhões, dos quais 97% foram para a produção do programa de rádio e TV.

Izalci Lucas (PSDB) tem à disposição R$ 500 mil, só do Fundo Partidário do PSDB. O candidato do PRP ao Senado, Fadi Faraj, declarou arrecadação de R$ 50 mil, só de recursos próprios. Chico Leite (Rede) tem receitas de R$ 266 mil — R$ 260 mil do Fundo Partidário e R$ 6 mil de vaquinhas virtuais. O campeão de recursos com financiamento coletivo é o candidato Marivaldo Pereira, do PSol. Ele arrecadou R$ 213,5 mil, dos quais R$ 206,5 mil vieram de plataformas de vaquinha da internet.

Chico Sant’anna (PSol) registrou a entrada de R$ 3,2 mil. Danilo Matoso (PCO), Juiz Everardo Ribeiro, Hélio Queiroz (PP), João Pedro Ferraz (PPL), Leila do Vôlei (PSB), Marcelo Neves (PT) ainda não têm receitas e despesas registradas no Tribunal Superior Eleitoral.

Proporcional

Entre os candidatos a deputado federal e distrital, os representantes do PR são os maiores beneficiados com dinheiro do Fundo Partidário até agora. Flávia Arruda, que concorre a federal, recebeu R$ 2,4 mil da direção do partido. Ela gastou R$ 269 mil, mais da metade com pesquisas, mas também com criação de site, adesivos, aluguel de carros e material impresso. Candidato à reeleição, o deputado federal Laerte Bessa, correligionário de Flávia, teve repasses de R$ 2 milhões do PR. A sigla também distribuiu dinheiro entre os concorrentes a uma vaga de deputado distrital. Agaciel Maia e Bispo Renato, candidatos à reeleição, receberam R$ 900 mil cada um. Sandra Faraj conta com R$ 250 mil do PR, e Dr. Gutemberg, com R$ 150 mil.

O PT aposta em Érika Kokay e investiu R$ 500 mil do Fundo Partidário na campanha à reeleição da federal. No PP, o principal nome é de Celina Leão, que tem R$ 1 milhão do partido para sua candidatura a deputada federal. O ex-vice-governador Tadeu Filippelli recebeu pouco mais de R$ 1 milhão do MDB até agora para sua campanha a federal. Ele só gastou até agora R$ 3 mil, com locação de bens móveis. Candidato a deputado federal pelo Podemos, Professor Paco recebeu dinheiro de dois partidos: foram R$ 490 mil de sua própria sigla, além de R$ 250 mil que vieram do PSD, legenda que compõe a sua coligação.

Muitos políticos têm tirado dinheiro do próprio bolso ou da conta de familiares para bancar a campanha. Candidato à reeleição, o deputado distrital Robério Negreiros (PSD) declarou receitas de R$ 510 mil. Todos os recursos vieram do parlamentar e de seus familiares. Paula Belmonte (PPS), que concorre a federal, usou R$ 351 mil de recursos próprios. Eduardo Pedrosa (Pros), sobrinho de Eliana Pedrosa, reservou R$ 250 mil da própria conta para gastar na campanha de distrital. Também sonhando com uma cadeira na Câmara Legislativa, Juraci Tesoura de Ouro (PTB) usou R$ 200 mil da própria fortuna para tentar se eleger.

 Campanhas turbinadas


 Arrecadação por candidato ao governo


  • Alberto Fraga (DEM): R$ 1.000.000,00
  • Alexandre Guerra (Novo): R$ 63.475,00
  • Antônio Guillen (PSTU): Não há prestação de contas
  • Eliana Pedrosa (Pros): R$ 229.500,00
  • Fátima Sousa (PSol): R$ 72.305,76
  • Ibaneis Rocha (MDB): R$ 1.200.000,00
  • Júlio Miragaya (PT): Não há prestação de contas
  • Paulo Chagas (PRP): Não há prestação de contas
  • Renan Rosa (PCO): Não há prestação de contas
  • Rodrigo Rollemberg (PSB): R$ 2.820.000,00
  • Rogério Rosso (PSD): R$ 730.380,00

TOTAL: R$ 6.115.660




Arrecadação por candidato ao Senado


  • Professora Amábile (PR): Não há prestação de contas
  • Átila Maia (PRTB): Não há prestação de contas
  • Cristovam Buarque (PPS): R$ 1.482.628,11
  • Danilo Matoso (PCO): Não há prestação de contas
  • Juiz Everardo Ribeiro (PMN): Não há prestação de contas
  • Fadi Faraj (PRP): R$ 50.000,00
  • Fernando Marques (SD): R$ 1.000.000,00
  • Chico Sant’anna (PSol): R$ 3.200,00
  • Chico Leite (Rede): R$ 266.020,00
  • Hélio Queiroz (PP): Não há prestação de contas
  • Izalci (PSDB): R$ 500.000,00
  • João Pedro Ferraz (PPL): Não há prestação de contas
  • Leila do Vôlei (PSB): Não há prestação de contas
  • Marcelo Neves (PT): Não há prestação de contas
  • Marivaldo Pereira (PSol): R$ 213.548,00

TOTAL: R$ 3.515.396


Você sabia?

Financiador

O empresário Fernando Marques (SD), da farmacêutica União Química, é o segundo maior doador pessoa física do país, com repasses que somam R$ 2,1 milhões a vários candidatos de sua coligação

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