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Correio Braziliense

Bancários aceitam proposta de 5% de reajuste salarial este ano

Índice é mais alto que a inflação projetada para este ano, de 1,18%


postado em 04/09/2018 14:57 / atualizado em 10/09/2018 18:38

Com o acordo, ficam descartadas greves este ano(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Com o acordo, ficam descartadas greves este ano (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Os bancários de Brasília aceitaram proposta de reajuste salarial sugerida pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Em assembleia, foi acordado o aumento salarial de 5%, valor acima da inflação projetada para este ano em 3,8%, permitindo aumento real de 1,18%. O acordo do setor será válido por dois anos, e o aumento também contará para os vales refeição e alimentação, auxílio-creche e participação nos lucros e resultados (PLR). Com o acordo, o mesmo firmado em outras unidades da Federação, estão descartadas greves este ano, afirma a categoria.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramos Financeiro (Contraf-CUT), as federações regionais e estaduais e os sindicatos representados pelo Comando Nacional dos Bancários assinaram com a Fenaban na última sexta feira (31/8). O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal também assinaram acordos coletivos específicos para o período de dois anos. Segundo nota publicada pelo Sindicato dos Bancários de Brasília, "o acordo garante todos os direitos conquistados pelos bancários em décadas de luta". 

Os representantes do setor no Distrito Federal também pontuaram o ganho para os chamados hipersuficientes — bancários que têm curso superior e recebem acima de dois tetos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de R$11.291,60, e estariam impedidos de receber reajustes após a reforma trabalhista. 

Também foi definida uma taxa de contribuição negocial de 1,5% do salário de setembro para custeio das entidades sindicais em decorrência dos gastos extraordinários durante a negociação da Campanha Nacional dos Bancários. A previsão é que, com o aumento real proposto e a PLR, sejam injetados R$ 9 bilhões na economia, segundo pesquisa da Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
 
O advogado trabalhista Ronaldo Tolentino, do escritório Ferraz dos Passos, considera o acordo positivo para a classe. “A negociação foi proveitosa para os trabalhadores haja vista que a legislação proíbe atrelar o reajuste à inflação e, no caso concreto, temos um aumento maior que a inflação”, disse Tolentino.

Outros ganhos

Os bancários também terão o direito a parcelar em até três vezes o adiantamento de férias, que atualmente é descontado integralmente no mês posterior ao descanso. Além disso, ocorrerá o terceiro Censo da Diversidade, que consiste no conjunto de levantamentos já realizados nos anos de 2009 e 2014 com a finalidade de traçar o perfil da categoria e ajudar na promoção de igualdade e de oportunidades. 

Além disso, os bancários demitidos não precisarão mais requerer o pagamento da PLR proporcional se tiverem conta corrente ativa no banco. Quem não tiver terá novo prazo para solicitar o pagamento.

Confira o que a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) garante:

- Reajuste de 5% a partir de sábado (1º/9) e 1% de aumento real a partir de 1º de setembro de 2019

- PLR regra básica: 90% do salário mais R$ 2.355,76 limitado a R$ 11.713,59. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 27.058,37.

- PLR parcela adicional: R$ 4.711,52. 

*Os valores da PLR de 2019 serão acrescidos do INPC mais 1% de aumento real.

- Antecipação da PLR: Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva. No Itaú ela será paga no dia 20 de setembro, junto com o PCR. Regra básica: 54% do salário reajustado em setembro de 2018, mais fixo de R$ 1.413,45, limitado a R$ 7.379,55 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro. Parcela adicional equivalente a 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2018, limitado a R$ 2.355,76.

- Piso de portaria: R$ 1.605,19.

- Piso de escriturário: R$ 2.302,52.

- Piso de Caixa e tesouraria: R$ 3.110,40.

- Vale refeição: R$ 35,18 por dia.

- Auxílio-alimentação: R$ 609,87.

- inclusive o 13º auxílio-alimentação: R$ 609,87.

- Auxílio-creche/babá: R$ 468,42 (filhos de até 71 meses)
 
* Estagiário sob supervisão de Humberto Rezende 

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