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Correio Braziliense

Estilista nascida em Planaltina usa história da cidade como inspiração

Estilista nascida e criada em Planaltina, Thalita Lobo usou a história da cidade como motivação para criar uma coleção de roupas. Detalhes dos monumentos da região foram incorporadas às peças, que agora serão negociadas no mercado


postado em 10/09/2018 06:00 / atualizado em 10/09/2018 11:22

"Apliquei os beirais em formato de pregas às mangas, desenhei as fendas e os decotes seguindo as formas das casas", conta Thalita (foto: Arquivo pessoal)

Uma história centenária serviu de inspiração para a primeira coleção da estilista Thalita Lobo. As ruas de Planaltina, cidade mais antiga do Distrito Federal, ofereceram um cenário único para a  infância. Hoje, esses locais ainda instigam a imaginação da moradora, que, agora, em forma de homenagem, juntou o orgulho de viver na região com a atividade profissional. Ela lançou uma coleção de roupas inspiradas em monumentos da cidade.

Nascida e criada no setor tradicional da cidade, Thalita conta que o trabalho tem como objetivo valorizar a arte e a cultura da cidade. Denominada “Planaltina, no coração do Planalto Central”, a coleção foi apresentada à população no domingo, durante o desfile cívico em comemoração aos 159 anos da cidade. A boa receptividade extrapolou os domínios dos conterrâneos: a jovem já estuda propostas para lançar as peças no mercado de moda.

Com uma cartela de cores com azul, branco, cinza e amarelo, Thalita busca as referências que vão do asfalto aos ipês que crescem em meio ao patrimônio tombado, como as fachadas dos casarões históricos, o telhado da igrejinha de São Sebastião, as janelas do Museu Histórico e os beirais dos casarões antigos. “Apliquei os beirais em formato de pregas às mangas, desenhei as fendas e os decotes seguindo as formas das casas, coloquei o desenho das janelas da Igrejinha em detalhes da cintura e das mangas e utilizei as cruzes e vigas expostas para compor minhas listras”, explica a designer.

Ver galeria . 5 Fotos Ge MoraesFotografia/Divulgacao
(foto: Ge MoraesFotografia/Divulgacao )
 

TCC

A coleção de Thalita nasceu como proposta de trabalho de conclusão de curso (TCC), no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), onde ela se graduou em design de moda. Com a boa receptividade dos professores, a aluna aplicada não tardou a entender que tinha uma oportunidade e tanto para desenvolver um projeto único. “Nasci, cresci e moro em Planaltina. Tudo aqui é muito corriqueiro para mim, mas o trabalho foi um gancho para a criação da coleção, que traz um novo olhar sobre a cidade”, revela Thalita.

Da apresentação como trabalho escolar até receber elogios em publicações específicas foi apenas questão de tempo para a coleção sair do âmbito da faculdade. A Lobomotiva, marca criada para o TCC, virou a oficial da estilista. Atualmente, a maior preocupação de Thalita é colocar as roupas no mercado. Propostas não faltam, mas a jovem analisa a melhor maneira de comercialização das peças. “Agora que estou tendo a real dimensão da minha criação. Ela representa uma cidade e a repercussão é muito melhor do que eu poderia imaginar”.

Antiguidade

A história do Distrito Federal começou em Planaltina, muito antes de Brasília nascer no coração do Planalto Central. Registros históricos apontam que existiam povoados na região há 207 anos. À época, Planaltina se chamava Arraial de São Sebastião de Mestre D’Ármas. Assim como Pirenópolis, em Goiás, a cidade também conseguiu preservar sua história ao longo dos séculos.

Na igrejinha de São Sebastião, com mais de dois séculos de existência, é possível ver a história do Brasil impressa nas marcas dos chicotes usados para açoitar escravos traficados da África para o Brasil, durante décadas de um capítulo que envergonha a história nacional.

Os casarões de adobe, um tipo de lajota feita de barro, no centro histórico de Planaltina, revelam as diferenças gritantes entre classes sociais da época. Assim como na sociedade atual, os mais ricos viviam em mordomia, com fartura de alimentos, jogados sobre mesas de madeira posicionadas nas cozinhas espaçosas dos barões que dominavam a região.

Aos mais pobres, restavam os bairros periféricos, como Mestre D’Ármas, onde moravam em casas feitas com estrutura precária, que não resistiram à ação do tempo. Ao mesmo tempo em que revelam a desigualdade de ontem e de hoje, os monumentos contam a história para os mais novos e ensinam às novas gerações planaltinenses que o passado pode servir de exemplo para os princípios que devem nortear o futuro.


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